quarta-feira, abril 30, 2008

Ai kafé (Leucaena leucocephala)


Bibi, bibi-malae, karau no karau-vaca bele han ai kafé iha bailoron tanba ai kafé ai leguminosa ho barak liu valor alimentar. Nia fo nitrogénio ba rai iha to'os. Maibe ai kafé la gosta malirin. Hanesan Timor Leste, hotu-hotu mundo tropical kuda ai kafé ba balada. Mós bele fo mahan no N iha kafé.

A ai kafé é uma árvore leguminosa importantíssima em todas as zonas tropicais, pois desempenha um importante papel na alimentação do gado durante a estação seca, quando a erva perde valor alimentar. Os ruminantes consomem as suas folhas e vagens com avidez, apesar de conterem mimosina, um alcalóide tóxico para os monogástricos. Esta planta comporta-se como espontânea em Timor-Leste, mas também pode ser cultivada em viveiro a partir das sementes. Depois transplanta-se para as hortas ou para os cafezais, onde é também usada como sombreadora e enriquecedora do solo. É de grande importância para alimentar o gado também no Timor indonésio. Deve, porém, ser cultivada em associação com outras plantas forrageiras, pois é sensível a algumas pragas que exercem um efeito devastador sobre a planta. Podemos suplementar o gado na estação seca misturando a leucena com ai turi (Sesbania), caliandra ou gliricidia, gramíneas e resíduos das culturas como palhas de milho ou arroz.

Akadirun (Borassus flabelifer)






Akadirun fo akar no tuaka. Tahan fo akadirun kabun mak halo uma. Ema fo aifuan ba fahi. Ema mos han akadirun mussan. Akadirun ai di'ak tebe-tebes!

A palmeira akadirun é espontânea e muito frequente nas zonas baixas de Timor Leste, particularmente na costa norte. A sua presença estende-se mesmo às zonas de meia encosta e de certa altitude, como as zonas de Abafala e Kelikai no monte Matebian. É uma bela palmeira, de que se aproveita o tronco para o sagu, a seiva para o vinho de palma, as folhas para a palapa das casas, os frutos para dar aos porcos. As pessoas também consomem a sua gelatinosa semente. É o exemplo acabado da árvore providencial...Querem planta mais maravilhosa ?

domingo, abril 20, 2008

Agricultura em Socalcos

Arroz em socalcos (Baucau)
Horto-fruticultura em socalcos (Monchique, Portugal)

Orizicultura em socalcos no sistema Subak (Bali)


To'os nain hatene la bele estraga rai. Halo to'os iha foho bele aat atu rai: be udan lori rai ba mota no tassi. Iha sistema satan rai ema habér foho hanesan odan, atu para erusãu. Kuda ai - ai kafé, nu, tali, marungi, turi, kafé, etc... - satan ne'e, tulun para rai koin mós. Ema knua bele tulun malu atu satan rai ho fatuk.
Os agricultores timorenses sabem melhor do que ninguém do poder destruidor das águas das chuvas sobre os solos. Contudo, a pressão demográfica, as queimadas ou o sobrepastoreio levam a situações que facilitam a erosão, o enravinamento e mesmo os deslizamentos de terra. Dado o relevo vigoroso de quase todo o território timorense, é essencial promover a construção de socalcos, de modo a aumentar a produção agrícola de forma sustentada nas zonas de montanha. Este é um trabalho que deve ter o apoio do estado, das ONG's e/ou resultar da colaboração entre os agricultores das comunidades. A associação deste sistema com a plantação de árvores leguminosas forrageiras (leucena, moringa, sesbania, calianra, gliricidia) permite aumentar ainda mais a fertilidade dos solos.
Perto de Díli podemos ver um bom exemplo de agricultura em socalcos na Missão Lopes (Dare). Também Baucau e Ossu produzem arroz neste sistema. Mãos à obra !

sexta-feira, abril 11, 2008

Tali metan (Arenga pinnata)


Arenga pinnata (Dare)


Gamuti numa loja em Railako


Açúcar de palma (adquirido no Supermercado Litas - Díli)

Tali metan (Arenga pinnata) fo ema gamuti no tuaka. Ita hare tali metan barak iha Dili ka dalan inan Díli-Ermera. Tali metan fo mos masi-midar. Nia ai fuik.

A tali metan é uma palmeira fácil de encontrar nas zonas baixas e de meia encosta de Timor. As populações extraem-lhe o gamuti, fibra negra que envolve o espique, usada na cobertura das casas e no fabrico de cordas. Os agricultores cortam os pecíolos das folhas e introduzem-nos dentro de garrafas para extrair a seiva e fabricarem vinho de palma (tuaka). Na Indonésia produz-se industrialmente açúcar a partir da seiva da arenga.

Gliricidia sepium


Ita bele hare Gliricidia sepium iha hotuhotu manas fatin sira iha Timor Leste. Ai Gliricidia fo tahan ba balada iha bailoron. Foto sira iha ne'e Ita hare tahan maran iha Cristo Rei (Díli). Balada la gosta han tahan gliricidia matak.
Gliricidia sepium é uma importante árvore forrageira em todos os países tropicais. Também se usa para sombrear o café. Como ornamental pode ser vista pelos quintais de Díli pois as suas belas flores rosadas enbelezam a estação seca, quando a planta perde as folhas. Encontram-se muitas na subida para o Cristo-Rei, e em Comoro, na vacaria da CCT, que usa a forragem para alimentar o gado. Este não come a forragem verde. É uma boa planta para agostadouro, durante a estação seca. Reproduz-me muito facilmente por estacas e sementes.

Sesbania grandiflora

Ai-turi ka Sesbania grandiflora iha ai leguminosa importante tebes. Ita bele hare ai-turi hotu fatin iha Timor maibe nia la gosta malirin fatin sira. Ai turi diak tebetes atu fo ba balada (bibi, bibi malae, karau no karau vaca). Ema han ai turi mos tan nia iha barak proteína.

Sesbania grandiflora é uma leguminosa de Timor muito utilizada na cozinha timorense, pois as suas flores comem-se fritas. Também na alimentação animal a ai-turi é muito importante pois produz forragem de grande valor alimentar para os ruminantes. Deve-se plantar esta linda árvore nas hortas pois enriquece o solo e produz muitas proteínas para todos. Não faz muita sombra, o que é bom para as culturas do sob-coberto (couves, batata-doce, etc...). Em Manatuto usam-se para decorar as ruas, tanto as de flor vermelha como as de flor branca.

Em Triloka, Baucau



Visita de estudo à fábrica de produção de seda de Triloca, Baucau, Maio de 2006. Turma do 4º ano de Ciências Agrárias, disciplina de Transformação dos Produtos Agrícolas e Florestais.

Alunos de Zootecnia Geral, Maio de 2006

Alunos da cadeira de Zootecnia Geral, em Maio de 2006, na sala de Ciências Agrárias da UNTL.

Fundação Oriente, Maio 2006

No lançamento do livro "Encontro de Culturas em Timor Leste" de Francisco Xavier de Menezes (Fundação Oriente, Díli, 30/3/2006) .
Também encontro de culturas entre os meus alunos de Díli e de Beja.

Lançamento da Gramática da Língua Tétum



No lançamento da "Gramática da Língua Tétum", sob a figueira da UNTL (Maio, 2006)

Turma 2ºano Ciências Agrárias 2005/2006

Turma do 2º ano do Curso de Engenharia Agrícola no lançamento da "Gramática da Lingua Tétum", na UNTL, em Maio de 2006.

quinta-feira, maio 04, 2006

A Agricultura em Timor Leste

As montanhas...
O relevo de Timor Leste é bastante vigoroso. Ao contrário das restantes ilhas da Insulindia suas vizinhas, Timor nasceu do choque das placas Australiana e Euro-asiática e não tem origem vulcânica, mas sim tectónica (enrugamento da crosta).
Aparentemente a ilha de Timor continua a sua elevação das profundezas do mar.
As consequências deste fenómeno na agricultura são evidentes, pois os fenómenos erosivos são omnipresentes, e a acção do Homem dificilmente não os agrava. Os solos são, de modo geral, derivados de xisto e outras rochas sedimentares e têm forte vocação florestal. Uma notável excepção é constituida pelas rica planícies aluviais da costa sul.

... e o litoral
Outra consequência prática deste relevo acidentado é a dificuldade da manutenção de um sistema viário eficiente. O clima tropical característico de Timor, com as suas fortes chuvadas, torna tudo ainda mais dificil. As estradas existentes são, assim, vitimas fáceis das avalanches, deslizamentos de terreno e cursos de água torrenciais. Trata-se de um entrave importante ao desenvolvimento agrícola e nacional, contribuindo fortemente para o isolamento das comunidades rurais. Na figura do lado, podemos observar uma das raras rectas existentes nas estradas timorenses. As melhores estradas são estas das planicies do litoral norte, principalmente as que ligam as duas maiores cidades, Dili e Baucau. As culturas do café, na zona montanhosa ocidental de Ermera, e do coqueiro e do arroz, na costa sul, serão certamente benificiadas uma vez melhorados os acessos à capital, na costa norte.

Dare
Nesta imagem pode-se observar a ilha de Ataúro na linha do horizonte e a cidade de Dili lá em baixo, na planície do litoral norte. Estamos na estrada que nos conduz a Dare, localidade das magníficas montanhas a norte de Dili. A beleza paisagística é surpreendente. Ao largo, e acompanhando Ataúro, as ilhas indonésias de Alor e Wetar.
Como nota de interesse saliente-se o facto dos pequenos agricultores da zona de Dare terem desenvolvido pequenos negócios de floricultura em vaso, aproveitando o seu posicionamento junto à estrada e a proximidade dos citadinos. Refira-se ainda o refrescante clima de Dare, que restabelece o ânimo a todo o viajante que tenha saído do calor de estufa da capital timorense.

As madres do cacau (Paraseriantes falcataria)
Ao recém-chegado a Timor Leste, a subida a Dare compreende igualmente o contacto com outra importante componente da agricultura timorense: a madre do cacau, ou albizia das molucas. Com a sua espectacular copa estratificada, contribuem para o exotismo da paisagem timorense. São omnipresentes nas zonas montanhosas do café, apesar de estarem a sofrer importantes baixas. Fundamentais para sombrear os rústicos cafezeiros de Timor, torna-se necessário arranjar o que as substitua. Os esforços da Missão Agrícola Portuguesa concentram-se na Leucaena leucocephala. A situação é ,contudo, preocupante.
Estes mastodontes vegetais têm importante papel na conservação dos solos, logo do sistema de produção de café timorenses, assim como das estradas. A pesar da grossura dos seus troncos a Paraseriantes falcataria (ex-Albizia mollucana) parece ter madeira de esferovite, tal a sua leveza. Originária do Sudeste Asiático também se cultiva na Indonésia para a produção de papel. A sua folhagem possui bom teor azotado e palatabilidade razoável, pelo que pode ser usada como forrageira em agro-florestação. Em Timor entra na dieta dos cavalos. É uma leguminosa e fixa quantidades consideráveis de azoto.