Os búfalos de Timor Leste são da sub-espécie carabanensis (Bubalus bubalis carabanensis), os chamados búfalos dos pântanos. Estes animais existem um pouco por todo o lado nos países do extremo-oriente tropical, como as Filipinas, a Indonésia e Timor Leste. O termo "carabanensis" deriva da palavra "carabau", modo como são conhecidos nas Filipinas, e é semelhante à designação em tétum, "karau". Contrariamente aos búfalos dos rios (Bubalus bubalis bubalis) que existem na India ou no Brasil, estes búfalos destinam-se sobretudo aos trabalhos dos campos. Têm também uma função social pois dão estatuto aos seus proprietários. O dote que é oferecido aos pais da noiva pela familia do rapaz (barlaque) é também formado por búfalos. Também na religião se usam os búfalos, pois são abatidos nas cerimónias dedicadas aos antepassados. A carne ou o leite obtido destes animais é assim de pouca monta. Isto não invalida que algumas pessoas ordenhem as búfalas e consumam o seu leite, mas isto é feito de modo pontual.
São animais mais largos e atarracados do que os búfalos do rio, e os cornos atingem maiores dimensões. Apontam para trás e desenvolvem-se quase horizontalmente.
Alimentam-se das ervas que encontram, da palha do arroz e dos ramos de certas árvores.
Nas Filipinas estes animais são usados para puxar charruas e arados, com que se revolvem os arrozais. Em Timor Leste este trabalho é feito unicamente pelo pisoteio do solo. Nesta fotografia obtida em Viqueque podemos observar uma pequena manada que em círculos, vai pisando e descompactando o solo dos canteiros alagados. A palha da cultura anterior também é enterrada pelos animais, e os dejectos destes enriquecem o solo com nutrientes. O pastor, com a ajuda de uma vara, empurra os animais e canta belas canções. Um ajudante, munido de uma enxada, vai enterrando alguma palha de maiores dimensões, e desfazendo os maiores blocos de terra, assim como arranja os muros dos canteiros. É uma das mais belas paisagens da agricultura timorense. Em breve virão as mulheres e as crianças com os pézinhos de arroz que recolheram na cerca do viveiro, e em grupos enchem a paisagem de verde. Entretanto já os karau descansam atascados até ao pescoço numa poça de lama. E ruminam lentamente, como que à espera que o calor passe.
Alguns agricultores, poucos, já os substituiram por moto-cultivadores. Mas de momento ainda é dificil arranjar em Timor pessoas e peças para se manterem estas máquinas.
Algumas escolas das zonas rurais, como Natarbora e Fuiloro, já têm estábulos com búfalas. Para além de aprenderem a tratar dos animais e noções básicas de zootecnia, o leite e o queijo obtidos melhoram a alimentação dos alunos.
Apesar do aspecto arcaico, os búfalos ocupam há milénios um importante papel neste ecossistema agrícola, pois resistem melhor às doenças do que os bovinos, vivem em zonas alagadas que estes não suportariam e digerem melhor os alimentos grosseiros e fibrosos. Em Timor só falta que as pessoas tomem melhor partido deles na sua alimentação, consumindo as excelentes proteínas da sua carne e do seu leite.
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domingo, setembro 26, 2010
segunda-feira, maio 17, 2010
Enviar livros é agora mais barato
O envio de livros pelo correio para Timor Leste é agora mais barato. O preço de um envelope de 2 Kg passou de 2,75 euros para 1,50 euros, uma descida substancial. Pode agora enviar mais economicamente os seus livros ou revistas novos ou usados (sem riscos ou rasgões). Deve no entanto referir aos funcionários dos CTT que é pela modalidade Timor Leste - livros - económico.
Eis algumas escolas rurais para onde pode enviar os seus livros:Escola do Reino de Venilale - Venilale - Baucau
Escola Pré-secundária de Padiae - Estação Missionária Católica - Padiae - Oekusse
Escola Profissional de Kelikai - Kelikai
Escola Primária de Abafala - Abafala - Kelikai
Escola Pré-Primária de Aileu - Profª Clarisse Silva - Aileu
Livros para as escolas em Timor (Foto da Profª Ana Cardoso, Suai)
Também pode oferecer assinaturas de jornais ou revistas a estas escolas.
Ami tenke kuda ai-mate atu proteje ai-laran Timor nian
To'os nain sira bele kuda ai atu fa'an ai. Iha Timor Leste ami bele hetan ai folin todan hanessan ai hosi ai kameli (Santalum álbum), ai na (Pterocarpus indicus), ai besi (Intsia bijuga), ai teka (Tectona grandis) ka mahoni (Swietenia macrophylla) . Ema bele kuda ai ne’e atu halo meza, kadeira, armariu, odamatan etc… Nune’e Timor Leste bele exporta liu no fo serbisu ba barak badain-ai sira.
Os agricultores podem cultivar árvores para venderem a madeira. Em Timor Leste podemos encontrar árvores de madeira preciosa como o sândalo, o mogno, a teca, o pau rosa ou o pau ferro. As pessoas podem cultivar estas árvores para fazerem mesas, cadeiras, armários, portas e outras peças que o país pode exportar para aumentar as receitas da economia e os empregos.
Agricultores de Oekusse abrem regos para plantarem árvores florestais com uma charrua de discos
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)
Maibe ema iha Timor Leste kuran mós ai ba sunu atu te’in han. Iha Europa ema la uza ai-mate tamba hotu ema bele sosa fogaun ho gás ka electricidade. Iha Timor Leste governu bele fo ema hotu fogaun ho mina rai atu proteje ai laran. Bainhira populasaun haboot se la iha fogaun sira Ita sei lakon ai laran…Nune’e Ita tenke kuda mós ai ba sunu. Liurai iha Knua sira bele arranja rai fatin atu kuda ai ne’e ba ema hotu.
Mas Timor Leste também precisa de cultivar árvores de lenha para cozinha, pois a população não pára de aumentar e a floresta nacional corre grandes riscos. O governo poderia oferecer às familias fogões a petróleo, o que aliviaria bastante as pressões sobre a floresta. Mas para já é preciso aumentar rapidamente o cultivo de árvores para lenha de cozinha em cada aldeia. Junta-se uma lista de espécies especialmente adequadas para este objectivo.
Madeira à venda na estrada Dili-Baucau junto a akadirum e eucaliptos
Balu ai atu kuda ba sunu segundo Programa Agrícola Regional para o Pacífico:
Adenanthera pavonia
Alphitonia zizyphoides
Bischofia javanica
Calliandra spp.
Cassia siamea
Casuarina spp. (ai-kakeu)
Citharexylum spinosum
Eucalyptus alba (ai-bubur)
Eucalyptus urophylla (ai-ru)
Gliricidia sepium
Leucaena spp. (ai-kafé)
Mangifera indica (mangueira, has timor)
Parinari inslarum
Pometia pinata (ai-maras)
Psidium guajava (guyaba)
Madeira à venda na estrada para Kelikai (com o Matebiam ao fundo)
Ai kafé: uma excelente árvore para lenha
Ai bubur ou palavão: um eucalipto muito usado para lenha. A Cooperativa Café Timor em Comoro já faz a sua reprodução em massa.
Habitantes de Oekusse obtêm lenha de ai-bubur (Eucalyptus alba)
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)
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quinta-feira, setembro 24, 2009
NU : utilizasaun ida loron-loron
O COQUEIRO: uma utilização para cada dia do ano
Nu (Cocos nucifera) planta ida mak mae ona hosi Polinésia. Nune’e iha Polinésia no Nova Guiné ema hatetene “niu. Iha Ilhas Cook ema hatetene mos “nu”. Hosi Polinésia, ema lori ona nu ba Ásia, Áfrika no Amérika sira. Durante sira nia viajen Portugal oan hare ona nu iha Índia. Iha Portugal nia ro laa nu util barak, tanba fo hahan ( nu isin) no nu kutak. Hosi India Portugal oan sira lori nu ba Cabo Verde (1545) no hosi iha né’e ba Brasil.
Iha Indonésia ema hatetene Ita bele hetan utilizassaun ida ba tinan ida-ida loron. Nu ai-fuan boot tebes, ho mina barak no proteína. Valor comercial nu koin nian boot tebes. Valor comercial Nu mina boot tebes mos. Ho nu mina ema halo sabonete, xampô, aimoruk sira, mina-morin. Ho nu fibras nian ami halo talin, sapatu, karon, karpete, tapete, etc... Ita sunu nu kulit atu te’in. Ita bele mos halo kanuru, bikan, etc… Ho Nu ai knotak hema halo ro, uma no akar.
Nu botanika nian
Nu bele moris até 80 tinan. Tékniku sira desenvolve ona variedade kiik, atu bele kaer nu fasilmente. Planta ne’e monóika tanba ami bele hetan ai-funan aman no inan iha planta ida-idak. Nu ida bele fo até 80 ai-fuan sira durante tinan ida..
Nu aifuan nian naran butaniku “drupa”. Hosi kulit ba klaran ami bele hetan :
- kulit ida forte tebes ka exokarpu
- lahan sira, ka mesokarpu
- kakun ida tos tebes ka endokarpo
- nu isin ka endosperma
Bainira aifuan ainda matak exokarpo kor matak mós. Nu fo ai-fuan uluk bainira to’o tinan 5-6.
Hanessan hotu monokotilédoneas (batar, hudi, trigu, etc…) nu la iha abut ida boot. Ninia abut sira hanessan fuuk bua saren. Sira bele to’o numer 4000 ho 1 cm diametru. Sira bele sai boot até 5m iha rai. Bainira abut ida mate nu háhu desenvolve abut foun.
Nu ekologia nian
Nu mesak moris iha klima tropikal. Nia sei mate bainira ami kuda nia iha foho ka Europa. Nu la gosta temperatura oin-seluk loron/kalan. Temperatura diak: 26 -27 ºC. Nune’e, Ita la bele hetan nu dook hosi tasi. Iha foho nia nafatin moris até 600 m. Nu presiza 2000 mm udan atu desenvolve diak.
Nu’u sa maka Ita bele kuda nu ?
Atu kuda nu Ita usa nu musan nian. Depois semana neen musan to’o desenvolve planta foun. Normalmente Ita ku’u ai-fuan bainira sira kor kafé. Maibe Ita tenke hili planta inan kapaz liu – produsão boot no aifuan boot – atu kuda nu foun diak liu.

Viveiro de coqueiros em Lospalos(foto do autor)
Atu halo nu laran Ita tenke organiza faze rua. Faze uluk Ita halo “kama” nebé nu to’o desenvolve abut ida iha fatin mahan. Iha faze rua Ita lori nu ba saku plastiku kor metan, iha viveiru
Iha faze uluk Ita la bele haluha rega regularmente atu mantén rai bokon. Ita sei hakoi nu 2/3, iha rai- henek. Afoin nu ai-tahan uluk nian sai ami tenke lori nu ba saku 45 x 45 cm, iha viveiru. Sira bele hela iha saku ne’e até fulan 10.
Bainira komesa dia baiudan ami bele lori nu kiik ba to’os. Agora nia sai boot até 80 cm, no to’o idade fulan 6. Atu kuda nu iha to’os ami usa kompasso triangular 8 x 8 m bainira to’os nain hakarak kuda de’it nu laran. Maibe ami bele mós kuda nu ho seluk planta: kakau, kafé, mak gosta nu mahan, xenkié, batar, hudi, ai-kamelin, etc…. (sistema agro-florestal). Iha Baukau to’os nain kuda nu ho haré hamutuk.
90 % nu isin mundial nae hosi kiik to’os. Geralmente, 5 ha área diak atu bele manan osan.
Nu laran halo média 2 – 2,5 t/há/tinan nu isin.

Nu kiik iha Hotel Roberto Carlos - Lospalos. Coqueiros anões no Hotel Roberto _Carlos em Lospalos (foto do autor)
Nu laran hanesan sistema agro-florestal
Nu bele halo importante ecossistema ho barak estabilidade ecológica. Iha nu laran la iha erosaun. Nu tahan protege rai bainira udan forte. Du’ut mos sai boot tanba nu exporta nutriente sira hosi rai kle’na ba superfície. Depois nu sae até 4-5 m ami bele usa du’ut atu carau, carau-vaca, bibi, etc…Balada gosta tebes nu mahan no sira nia metabolismo diak liu bainira loron manas. Du’ut mós halo metabolismo diak liu tanba la halo lenhina. Lenhina molécula aat nuné redus digestibilidade du’ut nian iha balada.

Karau iha nu laran (Aileu). Búfalos no sob-coberto de coqueiros em Aileu (foto do autor)
Iha América do sul no Central to’os nain halo nu laran boot ho karau-vaka iha sob-coberto. Ita hetan sistema né’e ihá Viqueque, maibe ihan’e planta Lantana invade nu. To’os nain tenke sobu lantana ho tractor no trituarador atu haboot nu no du’ut ba balada.
Ami bele mos fo nu isin ba fahi no manu. Nu isin fo mos mina nu, mak hotu nasaun tropikal exporta ba nasaun industrial atu halo sabaun, sabonete, xampô, kosmética, etc….
Depois ema halo mina nu, nu isin tem, importante tebes ba balada han. Nia concentrasaun proteica to’o 20 % proteína bruta. Nia diak lós ba karau vaca halo susuben.

Horta em Metinaro, com coqueiros, bilimbis e palapeiras (foto do autor).
Nu han, nu tahan mós diak atu sunu iha dapur. Bani gosta tebtebes nu ai-funan !
Atu halo copra (nu isin) ba fa’an , to’os nain tenke hakdook nu isin, hamaran durante loron 12-14. Depois hakdook nu isin no lori leten xapa metalica. Iha hokos ami sunu nu kulit. Nu isin tenke lakon bee até 7%.
Iha Dili turista sira gosta emu nu-been. Afoin sira nunka haluha Timor Leste
Origens do coqueiro
O coqueiro é uma palmeira de origem polinésica. Por isso em língua tétum coqueiro diz-se “nu”, tal como na Polinésia e na Nova Guiné se diz “niu”. Nas ilhas Cook também se designa por “nu”. Foi a partir deste centro de irradiação que o coqueiro se expandiu para a Ásia, África e Américas. Nas suas viagens os portugueses conheceram o coqueiro na costa oriental de África e na Índia. De tal modo que esta planta era conhecida em Portugal com “noz da Índia” (Ferrão, 2007). A sua utilidade a bordo dos navios era enorme pois serviam de aprovisionamento de comida e de água. Da Índia os portugueses levaram o coqueiro para Cabo Verde (1545) e daqui para o Brasil.
O coqueiro representa para os povos do Pacífico o mesmo que a oliveira para as populações mediterrânicas. Na Indonésia diz-se que há uma utilização para cada dia do ano. Produz um fruto grande, muito rico em óleo e proteínas. Dele se extrai o óleo e a polpa, que podem ser consumidos directamente ou conservados. Ambos têm grande valor comercial. A polpa seca denomina-se copra e usa-se mundialmente em culinária. O óleo de coco não só tem uso alimentar como também na cosmética, entrando na composição de muitos perfumes, cremes, sabonetes e champôs. Das fibras do coco, fabricam-se cordas, tapetes (o “cairo”), passadeiras e carpetes. A sua casca é material para o fabrico de peças de artesanato e ainda usado como combustível. O tronco dos coqueiros, o espique, é utilizado no fabrico de barcos e casas tradicionais, e para a farinha de sagu. Da seiva produzem-se bebidas alcoólicas. Depois de extraído o óleo, o bagaço resultante pode dar-se aos animais, pois é rico em proteínas.
Características botânicas
O coqueiro, uma planta monocotilédonea, tem grande longevidade pois pode viver mais de 80 anos. Desenvolveram-se variedades anãs, de modo a facilitar a colheita, e que atingem uma altura muito menor .
A planta é monóica, isto é, produz flores masculinas e femininas no mesmo pé. Forma-se um ramo, com apenas 40 a 60 flores femininas e com centenas de flores masculinas. Cada pé produz, assim, até 80 cocos.
NU iha Baukau. Hanessan seluk nasão Ásia nian, iha Timor Leste to'os nain mós kuda nu ho natar hamutuk. Aqui em Baucau, como noutros países asiáticos os agricultores associam o coqueiro ao arrozal (foto do autor)
O fruto do coqueiro é uma drupa fibrosa. Do exterior para o interior, encontra-se sucessivamente:
- uma pele coriácea, o exocarpo
- uma camada grossa de fibras, o mesocarpo
- uma casca muito dura, o endocarpo
- o endospema muito branco e uma grande cavidade cheia de um líquido, a “água de coco”.
Quando o fruto não está ainda maduro o exocarpo é de cor verde. Desde a polinização à colheita, vão 12 meses. Os primeiros frutos surgem quando a planta chega aos 5 ou 6 anos
Como todas as monocotilédoneas, o coqueiro não produz nenhuma raiz aprumada, mas antes um conjunto de raízes, que surgem da base do espique. Estas podem chegar às 4000 e possuem cerca de 1 cm de diâmetro, penetrando até à profundidade de 5 m. Lateralmente atingem os 30 m. As raízes mortas são continuamente substituídas por raízes novas emitidas a partir da base do espique.
Exigências Ecológicas
O clima adequado para esta planta é o tropical, não suportando frios ou geadas. Produz melhor com temperaturas médias anuais de 26 a 27 ºC e com pequenas diferenças entre o dia e a noite. E é isto que determina que o coqueiro não se expanda para o interior, preferindo as zonas litorais, onde o mar atenua as amplitudes térmicas. Esta adaptação ecológica é mesmo levada ao extremo, vegetando esta planta nas areias da praia, absorvendo água salobra. Quando não dispõe de lençóis freáticos necessita de pelo menos 2000 mm de precipitação anual para se desenvolver. Também devido à sua baixa adaptação a grandes variações térmicas, normalmente o coqueiro não vai acima dos 600 m de altitude perto do Equador, e nos outros locais raramente sobe para lá dos 150 m.
Cultivo
O coqueiro só se reproduz por semente. Esta não possui dormência e por vezes começa a grelar ainda no coqueiro. A maior parte leva 6 semanas para germinar.
Para fins reprodutivos colhem-se os cocos quando estes se tornam castanhos, a partir das plantas mais produtivas e de maiores frutos, e estes devem ser rapidamente semeados.
Quando se trabalha com grandes quantidades de sementes usa-se um sistema de duas fases. Na primeira forma-se uma cama de germinação, que permite escolher as sementes que germinam mais rapidamente. Na segunda fase, ou viveiro propriamente dito, as plantas desenvolvem-se até um tamanho que lhe permita passarem para o campo.
A primeira fase deve decorrer à sombra, para evitar a desidratação dos cocos. Já no viveiro as plantas podem apanhar mais sol e cultivam-se em sacos ou outros contentores.

Viveiro de coqueiros numa rua de Lospalos, na primeira fase de germinação. Nu cama nian iha Lospalos (foto do autor)
Na fase de germinação, os cocos enterram-se até 2/3 em regos feitos em areia ou outro solo com boa drenagem (foto). Ao fim de 8 semanas 75 a 80 % dos cocos já germinaram. Nesta fase é importante nunca faltar com a rega, que deve ocorrer em dias alternados.
Os cocos germinados são levados para o viveiro. Esta operação ocorre quando surge uma folha completamente desenvolvida, normalmente com forma de orelha de coelho. No viveiro, os cocos grelados são enterrados até 2/3, em vaso, sacos ou directamente no solo, em camalhões. Usam-se geralmente sacos em polietileno negro com 45 x 45 cm, que podem conter a planta durante 10 meses.
A plantação em local definitivo faz-se no início da estação das chuvas, quando a planta atinge cerca de 80 cm, tem 6 meses e apresenta 6 a 8 folhas. O compasso mais indicado é de 9 x 9 m, numa disposição em triângulo.
90 % da copra consumida mundialmente vem de pequenas quintas familiares, considerando-se 5 há como a área mínima de produção rentável. Nestas hortas, associa-se geralmente o coqueiro a culturas como o taro, o cacaueiro ou o cafeeiro. Em Timor Leste é vulgar encontrarmos o coqueiro associado aos arrozais, como um pouco por todas as zonas baixa do Sudeste asiático. Com isto aumenta-se bastante a rentabilidade e segurança alimentar da exploração. Um coqueiral em produção origina em média 2 a 2,5 t/ha de copra por ano.
O coqueiro nos sistemas agro-florestais costeiros
Para além das utilizações já referidas, esta planta pode ainda fornecer vários materiais ou serviços, e beneficiar os ecossistemas cultivados.
As fibras e as cascas, depois de sofrerem compostagem, originam uma matéria orgânica que se pode usar para enriquecer o solo ou como meio de cultivo em vasos.
Os coqueiros fornecem sombra a outras culturas que se instalam no seu sob-coberto, como o cafeeiro e o cacaueiro e as hortícolas.
É uma das plantas mais resistentes ao vento, e pode ser cultivada como cortina corta-vento.
É uma planta adequada para a silvopastorícia, tendo este sistema se expandido um pouco por todo o mundo, desde as Filipinas à Costa Rica. O gado é criado na sombra dos coqueiros, onde a pastagem que se desenvolve beneficia da matéria orgânica produzida pelo coqueiral (folhas, cocos, raminhos, etc…) e da sombra. Estas pastagens tendem a lenhificar menos e a manter a sua digestibilidade. Este sistema encontra-se em algumas zonas de Timor (Aileu, Viqueque, etc…) e deveria ser incrementado. Mas algumas destas áreas estão severamente invadidas por lantanas, que deverão ser destruídas por meios mecânicos (roça-mato).
Os cocos podem ser partidos e fornecidos aos porcos e às aves. Depois de retirar o óleo, o bagaço de coco tem 20% de proteína bruta e 6 a 7 % de óleo, sendo excelente para a alimentação animal.
As cascas dos cocos, os ramos, as folhas secas são uma contínua fonte de combustível para uso doméstico, o que permite poupar as árvores da floresta natural.
Os coqueiros podem ser usados para estabilizar ecologicamente zonas costeiras arenosas.
As abelhas, que são as principais polinizadoras desta espécie, produzem a partir das flores, disponíveis praticamente todo o ano, um excelente mel.
É uma palmeira de grande valor ornamental e de crescente utilização em parques, jardins e hotéis.
Processamento da copra ao nível das explorações
A produção da copra é uma operação simples, e permite ao agricultor aumentar o valor da cultura. Basicamente o sistema consiste em secar a polpa do coco sobre uma plataforma, debaixo da qual se acende uma fogueira feita com as cascas dos próprios cocos. Para se retirar a polpa cortam-se as nozes ao meio, pondo-se de seguida a secar durante 10 a 12 dias. A polpa seca separa-se então facilmente da casca, e através do sistema referido é seca até atingir 7 % de humidade.
De referir, que com os restos das cascas se produz um carvão de razoável qualidade.
Aparentemente, Timor tem boas condições para produzir copra e óleo em modo de produção biológico ao nível de suco.
Em Baucau existem produtores de sabonetes que também usam óleo de coco local.
Para saber mais:
A aventura das plantas. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2007.
Fruticultura Tropical. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2005. (obra que pode encontrar na Biblioteca da Fundação das Universidades Portuguesas na Universidade Nacional de Timor Lorosa'e).
Nu (Cocos nucifera) planta ida mak mae ona hosi Polinésia. Nune’e iha Polinésia no Nova Guiné ema hatetene “niu. Iha Ilhas Cook ema hatetene mos “nu”. Hosi Polinésia, ema lori ona nu ba Ásia, Áfrika no Amérika sira. Durante sira nia viajen Portugal oan hare ona nu iha Índia. Iha Portugal nia ro laa nu util barak, tanba fo hahan ( nu isin) no nu kutak. Hosi India Portugal oan sira lori nu ba Cabo Verde (1545) no hosi iha né’e ba Brasil.
Iha Indonésia ema hatetene Ita bele hetan utilizassaun ida ba tinan ida-ida loron. Nu ai-fuan boot tebes, ho mina barak no proteína. Valor comercial nu koin nian boot tebes. Valor comercial Nu mina boot tebes mos. Ho nu mina ema halo sabonete, xampô, aimoruk sira, mina-morin. Ho nu fibras nian ami halo talin, sapatu, karon, karpete, tapete, etc... Ita sunu nu kulit atu te’in. Ita bele mos halo kanuru, bikan, etc… Ho Nu ai knotak hema halo ro, uma no akar.
Nu botanika nian
Nu bele moris até 80 tinan. Tékniku sira desenvolve ona variedade kiik, atu bele kaer nu fasilmente. Planta ne’e monóika tanba ami bele hetan ai-funan aman no inan iha planta ida-idak. Nu ida bele fo até 80 ai-fuan sira durante tinan ida..
Nu aifuan nian naran butaniku “drupa”. Hosi kulit ba klaran ami bele hetan :
- kulit ida forte tebes ka exokarpu
- lahan sira, ka mesokarpu
- kakun ida tos tebes ka endokarpo
- nu isin ka endosperma
Bainira aifuan ainda matak exokarpo kor matak mós. Nu fo ai-fuan uluk bainira to’o tinan 5-6.
Hanessan hotu monokotilédoneas (batar, hudi, trigu, etc…) nu la iha abut ida boot. Ninia abut sira hanessan fuuk bua saren. Sira bele to’o numer 4000 ho 1 cm diametru. Sira bele sai boot até 5m iha rai. Bainira abut ida mate nu háhu desenvolve abut foun.
Nu ekologia nian
Nu mesak moris iha klima tropikal. Nia sei mate bainira ami kuda nia iha foho ka Europa. Nu la gosta temperatura oin-seluk loron/kalan. Temperatura diak: 26 -27 ºC. Nune’e, Ita la bele hetan nu dook hosi tasi. Iha foho nia nafatin moris até 600 m. Nu presiza 2000 mm udan atu desenvolve diak.
Nu’u sa maka Ita bele kuda nu ?
Atu kuda nu Ita usa nu musan nian. Depois semana neen musan to’o desenvolve planta foun. Normalmente Ita ku’u ai-fuan bainira sira kor kafé. Maibe Ita tenke hili planta inan kapaz liu – produsão boot no aifuan boot – atu kuda nu foun diak liu.
Viveiro de coqueiros em Lospalos(foto do autor)
Atu halo nu laran Ita tenke organiza faze rua. Faze uluk Ita halo “kama” nebé nu to’o desenvolve abut ida iha fatin mahan. Iha faze rua Ita lori nu ba saku plastiku kor metan, iha viveiru
Iha faze uluk Ita la bele haluha rega regularmente atu mantén rai bokon. Ita sei hakoi nu 2/3, iha rai- henek. Afoin nu ai-tahan uluk nian sai ami tenke lori nu ba saku 45 x 45 cm, iha viveiru. Sira bele hela iha saku ne’e até fulan 10.
Bainira komesa dia baiudan ami bele lori nu kiik ba to’os. Agora nia sai boot até 80 cm, no to’o idade fulan 6. Atu kuda nu iha to’os ami usa kompasso triangular 8 x 8 m bainira to’os nain hakarak kuda de’it nu laran. Maibe ami bele mós kuda nu ho seluk planta: kakau, kafé, mak gosta nu mahan, xenkié, batar, hudi, ai-kamelin, etc…. (sistema agro-florestal). Iha Baukau to’os nain kuda nu ho haré hamutuk.
90 % nu isin mundial nae hosi kiik to’os. Geralmente, 5 ha área diak atu bele manan osan.
Nu laran halo média 2 – 2,5 t/há/tinan nu isin.
Nu kiik iha Hotel Roberto Carlos - Lospalos. Coqueiros anões no Hotel Roberto _Carlos em Lospalos (foto do autor)
Nu laran hanesan sistema agro-florestal
Nu bele halo importante ecossistema ho barak estabilidade ecológica. Iha nu laran la iha erosaun. Nu tahan protege rai bainira udan forte. Du’ut mos sai boot tanba nu exporta nutriente sira hosi rai kle’na ba superfície. Depois nu sae até 4-5 m ami bele usa du’ut atu carau, carau-vaca, bibi, etc…Balada gosta tebes nu mahan no sira nia metabolismo diak liu bainira loron manas. Du’ut mós halo metabolismo diak liu tanba la halo lenhina. Lenhina molécula aat nuné redus digestibilidade du’ut nian iha balada.

Karau iha nu laran (Aileu). Búfalos no sob-coberto de coqueiros em Aileu (foto do autor)
Iha América do sul no Central to’os nain halo nu laran boot ho karau-vaka iha sob-coberto. Ita hetan sistema né’e ihá Viqueque, maibe ihan’e planta Lantana invade nu. To’os nain tenke sobu lantana ho tractor no trituarador atu haboot nu no du’ut ba balada.
Ami bele mos fo nu isin ba fahi no manu. Nu isin fo mos mina nu, mak hotu nasaun tropikal exporta ba nasaun industrial atu halo sabaun, sabonete, xampô, kosmética, etc….
Depois ema halo mina nu, nu isin tem, importante tebes ba balada han. Nia concentrasaun proteica to’o 20 % proteína bruta. Nia diak lós ba karau vaca halo susuben.
Horta em Metinaro, com coqueiros, bilimbis e palapeiras (foto do autor).
Nu han, nu tahan mós diak atu sunu iha dapur. Bani gosta tebtebes nu ai-funan !
Atu halo copra (nu isin) ba fa’an , to’os nain tenke hakdook nu isin, hamaran durante loron 12-14. Depois hakdook nu isin no lori leten xapa metalica. Iha hokos ami sunu nu kulit. Nu isin tenke lakon bee até 7%.
Iha Dili turista sira gosta emu nu-been. Afoin sira nunka haluha Timor Leste
Origens do coqueiro
O coqueiro é uma palmeira de origem polinésica. Por isso em língua tétum coqueiro diz-se “nu”, tal como na Polinésia e na Nova Guiné se diz “niu”. Nas ilhas Cook também se designa por “nu”. Foi a partir deste centro de irradiação que o coqueiro se expandiu para a Ásia, África e Américas. Nas suas viagens os portugueses conheceram o coqueiro na costa oriental de África e na Índia. De tal modo que esta planta era conhecida em Portugal com “noz da Índia” (Ferrão, 2007). A sua utilidade a bordo dos navios era enorme pois serviam de aprovisionamento de comida e de água. Da Índia os portugueses levaram o coqueiro para Cabo Verde (1545) e daqui para o Brasil.
O coqueiro representa para os povos do Pacífico o mesmo que a oliveira para as populações mediterrânicas. Na Indonésia diz-se que há uma utilização para cada dia do ano. Produz um fruto grande, muito rico em óleo e proteínas. Dele se extrai o óleo e a polpa, que podem ser consumidos directamente ou conservados. Ambos têm grande valor comercial. A polpa seca denomina-se copra e usa-se mundialmente em culinária. O óleo de coco não só tem uso alimentar como também na cosmética, entrando na composição de muitos perfumes, cremes, sabonetes e champôs. Das fibras do coco, fabricam-se cordas, tapetes (o “cairo”), passadeiras e carpetes. A sua casca é material para o fabrico de peças de artesanato e ainda usado como combustível. O tronco dos coqueiros, o espique, é utilizado no fabrico de barcos e casas tradicionais, e para a farinha de sagu. Da seiva produzem-se bebidas alcoólicas. Depois de extraído o óleo, o bagaço resultante pode dar-se aos animais, pois é rico em proteínas.
Características botânicas
O coqueiro, uma planta monocotilédonea, tem grande longevidade pois pode viver mais de 80 anos. Desenvolveram-se variedades anãs, de modo a facilitar a colheita, e que atingem uma altura muito menor .
A planta é monóica, isto é, produz flores masculinas e femininas no mesmo pé. Forma-se um ramo, com apenas 40 a 60 flores femininas e com centenas de flores masculinas. Cada pé produz, assim, até 80 cocos.
NU iha Baukau. Hanessan seluk nasão Ásia nian, iha Timor Leste to'os nain mós kuda nu ho natar hamutuk. Aqui em Baucau, como noutros países asiáticos os agricultores associam o coqueiro ao arrozal (foto do autor)
O fruto do coqueiro é uma drupa fibrosa. Do exterior para o interior, encontra-se sucessivamente:
- uma pele coriácea, o exocarpo
- uma camada grossa de fibras, o mesocarpo
- uma casca muito dura, o endocarpo
- o endospema muito branco e uma grande cavidade cheia de um líquido, a “água de coco”.
Quando o fruto não está ainda maduro o exocarpo é de cor verde. Desde a polinização à colheita, vão 12 meses. Os primeiros frutos surgem quando a planta chega aos 5 ou 6 anos
Como todas as monocotilédoneas, o coqueiro não produz nenhuma raiz aprumada, mas antes um conjunto de raízes, que surgem da base do espique. Estas podem chegar às 4000 e possuem cerca de 1 cm de diâmetro, penetrando até à profundidade de 5 m. Lateralmente atingem os 30 m. As raízes mortas são continuamente substituídas por raízes novas emitidas a partir da base do espique.
Exigências Ecológicas
O clima adequado para esta planta é o tropical, não suportando frios ou geadas. Produz melhor com temperaturas médias anuais de 26 a 27 ºC e com pequenas diferenças entre o dia e a noite. E é isto que determina que o coqueiro não se expanda para o interior, preferindo as zonas litorais, onde o mar atenua as amplitudes térmicas. Esta adaptação ecológica é mesmo levada ao extremo, vegetando esta planta nas areias da praia, absorvendo água salobra. Quando não dispõe de lençóis freáticos necessita de pelo menos 2000 mm de precipitação anual para se desenvolver. Também devido à sua baixa adaptação a grandes variações térmicas, normalmente o coqueiro não vai acima dos 600 m de altitude perto do Equador, e nos outros locais raramente sobe para lá dos 150 m.
Cultivo
O coqueiro só se reproduz por semente. Esta não possui dormência e por vezes começa a grelar ainda no coqueiro. A maior parte leva 6 semanas para germinar.
Para fins reprodutivos colhem-se os cocos quando estes se tornam castanhos, a partir das plantas mais produtivas e de maiores frutos, e estes devem ser rapidamente semeados.
Quando se trabalha com grandes quantidades de sementes usa-se um sistema de duas fases. Na primeira forma-se uma cama de germinação, que permite escolher as sementes que germinam mais rapidamente. Na segunda fase, ou viveiro propriamente dito, as plantas desenvolvem-se até um tamanho que lhe permita passarem para o campo.
A primeira fase deve decorrer à sombra, para evitar a desidratação dos cocos. Já no viveiro as plantas podem apanhar mais sol e cultivam-se em sacos ou outros contentores.
Viveiro de coqueiros numa rua de Lospalos, na primeira fase de germinação. Nu cama nian iha Lospalos (foto do autor)
Na fase de germinação, os cocos enterram-se até 2/3 em regos feitos em areia ou outro solo com boa drenagem (foto). Ao fim de 8 semanas 75 a 80 % dos cocos já germinaram. Nesta fase é importante nunca faltar com a rega, que deve ocorrer em dias alternados.
Os cocos germinados são levados para o viveiro. Esta operação ocorre quando surge uma folha completamente desenvolvida, normalmente com forma de orelha de coelho. No viveiro, os cocos grelados são enterrados até 2/3, em vaso, sacos ou directamente no solo, em camalhões. Usam-se geralmente sacos em polietileno negro com 45 x 45 cm, que podem conter a planta durante 10 meses.
A plantação em local definitivo faz-se no início da estação das chuvas, quando a planta atinge cerca de 80 cm, tem 6 meses e apresenta 6 a 8 folhas. O compasso mais indicado é de 9 x 9 m, numa disposição em triângulo.
90 % da copra consumida mundialmente vem de pequenas quintas familiares, considerando-se 5 há como a área mínima de produção rentável. Nestas hortas, associa-se geralmente o coqueiro a culturas como o taro, o cacaueiro ou o cafeeiro. Em Timor Leste é vulgar encontrarmos o coqueiro associado aos arrozais, como um pouco por todas as zonas baixa do Sudeste asiático. Com isto aumenta-se bastante a rentabilidade e segurança alimentar da exploração. Um coqueiral em produção origina em média 2 a 2,5 t/ha de copra por ano.
O coqueiro nos sistemas agro-florestais costeiros
Para além das utilizações já referidas, esta planta pode ainda fornecer vários materiais ou serviços, e beneficiar os ecossistemas cultivados.
As fibras e as cascas, depois de sofrerem compostagem, originam uma matéria orgânica que se pode usar para enriquecer o solo ou como meio de cultivo em vasos.
Os coqueiros fornecem sombra a outras culturas que se instalam no seu sob-coberto, como o cafeeiro e o cacaueiro e as hortícolas.
É uma das plantas mais resistentes ao vento, e pode ser cultivada como cortina corta-vento.
É uma planta adequada para a silvopastorícia, tendo este sistema se expandido um pouco por todo o mundo, desde as Filipinas à Costa Rica. O gado é criado na sombra dos coqueiros, onde a pastagem que se desenvolve beneficia da matéria orgânica produzida pelo coqueiral (folhas, cocos, raminhos, etc…) e da sombra. Estas pastagens tendem a lenhificar menos e a manter a sua digestibilidade. Este sistema encontra-se em algumas zonas de Timor (Aileu, Viqueque, etc…) e deveria ser incrementado. Mas algumas destas áreas estão severamente invadidas por lantanas, que deverão ser destruídas por meios mecânicos (roça-mato).
Os cocos podem ser partidos e fornecidos aos porcos e às aves. Depois de retirar o óleo, o bagaço de coco tem 20% de proteína bruta e 6 a 7 % de óleo, sendo excelente para a alimentação animal.
As cascas dos cocos, os ramos, as folhas secas são uma contínua fonte de combustível para uso doméstico, o que permite poupar as árvores da floresta natural.
Os coqueiros podem ser usados para estabilizar ecologicamente zonas costeiras arenosas.
As abelhas, que são as principais polinizadoras desta espécie, produzem a partir das flores, disponíveis praticamente todo o ano, um excelente mel.
É uma palmeira de grande valor ornamental e de crescente utilização em parques, jardins e hotéis.
Processamento da copra ao nível das explorações
A produção da copra é uma operação simples, e permite ao agricultor aumentar o valor da cultura. Basicamente o sistema consiste em secar a polpa do coco sobre uma plataforma, debaixo da qual se acende uma fogueira feita com as cascas dos próprios cocos. Para se retirar a polpa cortam-se as nozes ao meio, pondo-se de seguida a secar durante 10 a 12 dias. A polpa seca separa-se então facilmente da casca, e através do sistema referido é seca até atingir 7 % de humidade.
De referir, que com os restos das cascas se produz um carvão de razoável qualidade.
Aparentemente, Timor tem boas condições para produzir copra e óleo em modo de produção biológico ao nível de suco.
Em Baucau existem produtores de sabonetes que também usam óleo de coco local.
Para saber mais:
A aventura das plantas. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2007.
Fruticultura Tropical. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2005. (obra que pode encontrar na Biblioteca da Fundação das Universidades Portuguesas na Universidade Nacional de Timor Lorosa'e).
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