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terça-feira, julho 31, 2012

Ai-salaka: ai-fuan ka samea ? Salaca: fruto ou réptil ?

O fruto da palmeira salaca (Salacca zalacca ) aparece à venda pelos mercados de Dili. Este fruto é muito consumido também na Indonésia. Cultiva-se desde a Tailândia até Timor.
Esta palmeira é pouco alta, muito espinhosa e apresenta muitos caules a partir da base. As folhas têm forma de pena e são espinhosas. Os frutos são drupas alaranjadas ou acastanhadas, com a superfície revestida de escamas. No interior contêm 1-3 sementes envolvidas num tecido amarelo pálido comestível. As sementes são de secção triangular e compactas.
 Em Timor-Leste encontramos exemplares da salaca em Dare (Missão Lopes) e em Railako, junto à estrada para Ermera.
Esta palmeira desenvolve-se bem até aos 500 m de altitude e precisa de 1700 a 3100 mm de chuva anuais. Como as suas raízes são muito superficiais, vai bem em  terras frescas nos  solos arenosos de zonas baixas, junto aos cursos de água. Nas zonas de estação seca é por isso conveniente regar. Coisa rara no mundo das palmeiras: gosta da sombra de outras árvores.
Produz frutos a partir dos 3 ou 4 anos de vida, até aos 50 anos ou mais. As salacas podem ser cultivadas por sementeira no local definitivo, colocando-se 2 a 5 sementes num buraco com 5 cm de fundura. Também podem ser cultivadas num viveiro e transplantadas para o campo no início da estação das chuvas.
As sementes tiradas da fruta fresca germinam rapidamente, por vezes até à superfície do solo, se as condições forem húmidas e com bastante sombra. Fora do fruto as sementes morrem rapidamente.


Fruto inteiro mostrando a casca escamosa
(foto do autor)

Fruto e semente
(foto do autor)


Normalmente cultivam-se as salacas em sistemas horto-frutícolas mistos, com bananeiras, mangueiras, fruta pão e jacas. As plantas são dióicas, pelo que devemos plantar 2 a 20% de machos dispersas por meio das plantas femininas.  Plantam-se com compassos de 2 até 6 m.
Até as folhas das palmeiras ensombrarem bem o terrreno tem que se mondar para evitar a morte das jovens plantas. Conforme vai crescendo a palmeira perde vigor, pelo que os agricultores puxam o espique para o solo, para que as raízes aéreas que se formam junto à coroa das folhas enraizem.
Em muitas zonas faz-se a polinização manual das flores femininas, tal como na cultura da baunilha. A poda dos frutos pode ser necessária para que se desenvolvam melhor.

Para além de serem consumidos frescos, na Indonésia processam os frutos da salaca de várias maneiras: conservados em calda de açúcar (manisan salak), em pickles (asinan salak) e em salada de frutos ainda verdes com especiarias (rujak). Os frutos maduros podem ser enlatados.

A polpa da salaca é fresca e crocante. O seu sabor parece uma combinação de maçã, ananás e banana.
Na Indonésia, onde a cultura é exclusivamente uma produção de pequenos agricultores, só uma pequena parte da produção é exportada, fresca, enlatada ou caramelizada, principalmente para ou através de Singapura.

A colheita faz-se quando os frutos atingem 5-7 meses, ou antes caso a chuva promova o desenvolvimento de fungos. Apanham-se os frutos cortando o ramo com uma faca em forma de anzol. Enquanto nas zonas mais secas a produção é sazonal, naquelas onde se rega ou as chuvas ocorrem todo o ano a produção é mais regular. Um pomar de salacas produz aproximadamente 5 a 15 t/ha/ano.
Os frutos não podem ser colhidos completamente maduros. Aguentam-se 2 a 3 dias em cestos de bambú, ou no máximo uma semana em condições de calor e humidade. A mínima lesão implica o apodrecimento rápido. Conservam-se durante 1 a 2 semanas se mantidos a 12ºC, mas os de algumas cultivares melhoradas têm períodos de conservação mais alargados, podendo ultrapassar 1 mês.

Nas cidades indonésias tem aumentado a procura por este fruto e os preços são altos. Após os primeiros anos sem produção, um pomar de salacas aguenta-se com relativamente poucos cuidados ou despesas. Todavia é dificil exportar esta fruta pois estraga-se rapidamente. Presentemente estuda-se a propagação vegetativa das plantas de alta qualidade.
Em Timor-Leste é provável que esta cultura encontre as melhores condições nas zonas mais húmidas da costa sul, integrada em eco-turismos que promovam o consumo de produtos locais.

Para saber mais:
Fruticultura Tropical. J. E. Mendes Ferrão, volume III, IICT, Lisboa, 2002.
http://www.worldagroforestry.org/

segunda-feira, maio 17, 2010

Ami tenke kuda ai-mate atu proteje ai-laran Timor nian

 To'os nain sira bele kuda ai atu fa'an ai. Iha Timor Leste ami bele hetan ai folin todan hanessan ai hosi ai kameli (Santalum álbum), ai na (Pterocarpus indicus), ai besi (Intsia bijuga), ai teka (Tectona grandis) ka mahoni (Swietenia macrophylla) . Ema bele kuda ai ne’e atu halo meza, kadeira, armariu, odamatan etc… Nune’e Timor Leste bele exporta liu no fo serbisu ba barak badain-ai sira.

Os agricultores podem cultivar árvores para venderem a madeira. Em Timor Leste podemos encontrar árvores de madeira preciosa como o sândalo, o mogno, a teca, o pau rosa ou o pau ferro. As pessoas podem cultivar estas árvores para fazerem mesas, cadeiras, armários, portas e outras peças que o país pode exportar para aumentar as receitas da economia e os empregos.


Agricultores de  Oekusse abrem regos para plantarem árvores florestais com uma charrua de discos
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)


Maibe ema iha Timor Leste kuran mós ai ba sunu atu te’in han. Iha Europa ema la uza ai-mate tamba hotu ema bele sosa fogaun ho gás ka electricidade. Iha Timor Leste governu bele fo ema hotu fogaun ho mina rai atu proteje ai laran. Bainhira populasaun haboot se la iha fogaun sira Ita sei lakon ai laran…Nune’e Ita tenke kuda mós ai ba sunu. Liurai iha Knua sira bele arranja rai fatin atu kuda ai ne’e ba ema hotu.

Mas Timor Leste também precisa de cultivar árvores de lenha para cozinha, pois a população não pára de aumentar e a floresta nacional corre grandes riscos. O governo poderia oferecer às familias fogões a petróleo, o que aliviaria bastante as pressões sobre a floresta. Mas para já é preciso aumentar rapidamente o cultivo de árvores para lenha de cozinha em cada aldeia. Junta-se uma lista de espécies especialmente adequadas para este objectivo.

Madeira à venda na estrada Dili-Baucau junto a akadirum e eucaliptos


Balu ai atu kuda ba sunu segundo Programa Agrícola Regional para o Pacífico:



Adenanthera pavonia

Alphitonia zizyphoides

Bischofia javanica

Calliandra spp.

Cassia siamea

Casuarina spp. (ai-kakeu)

Citharexylum spinosum

Eucalyptus alba (ai-bubur)

Eucalyptus urophylla (ai-ru)

Gliricidia sepium

Leucaena spp. (ai-kafé)

Mangifera indica (mangueira, has timor)

Parinari inslarum

Pometia pinata (ai-maras)

Psidium guajava (guyaba)


                         Madeira à venda na estrada para Kelikai (com o Matebiam ao fundo)

Ai kafé: uma excelente árvore para lenha


Ai bubur ou palavão: um eucalipto muito usado para lenha. A Cooperativa Café Timor em Comoro já faz a sua reprodução em massa.

Habitantes de Oekusse obtêm lenha de ai-bubur (Eucalyptus alba)
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)


sábado, março 13, 2010

Bibi hatene hili han diak lós. Maibe la bele estraga ai laran.


Bibi ánimal diak tanba bele fo hahán ba ema, bainhira aproveita planta mak seluk animál la bele han (ai tahan, etc...). Sira bele moris ho rekursu ne'e tanba nia konsege hili tahan kiik nutritivu no kosok ho diak digestibilidade no barak proteína.


Maibe Ita tenke proteje ai kiik no to'os. Bibi gosta mos han lakeru no batar ...

Sistema diak atu hakiak bibi tenke proteje ai-laran. Bainhira ema la proteje ai-laran, bibi sei han ai kiik no halakon ekossistema. Afoin ai lakon, rai-laran sei lakon mos, tamba udan sei lori rai ba mota no ba tassi. Nane'e, bibi halakon ona hotu ekossistema iha nusa husi Pacífico no Caraíbas.

Atubele proteje rai, no to'os, no ai, Ita tenke prende bibi sira. Iha foto ne'e Ita bele hare bibi-uma ida furak, iha Missão Lopes (Dare). Hanessan, Ita bele hakiak bibi fasilmente no kontrola balada diak liu. Ihan'e to'os na'in kaer du'ut, batar kain no tahan ai-kafe nian ba bibi (sistema "zero-grazing"). Hafoin ami lori bibi tem ba kurte fatin atu halo komposto ba to'os. Bibi sira sei fo barak na'an no susuben no kulit. Bibi uma ne'e halo ona hodi au husi Timor-Leste. Nane'e Ita la lakon osan mós....

As cabras são boas utilizadoras das pastagens naturais. Mas não as podemos deixar estragar a natureza e as árvores que plantamos.
Em Timor-Leste as cabras são preciosas para as pessoas pois produzem carne e leite a partir de recursos que os outros animais não aproveitam. Isto acontece pois estes úteis animais conseguem seleccionar nos matos e na floresta as partes mais nutritivas das plantas, como as folhas mais tenras dos rebentos. Mas quando os animais pastam desordenadamente, como ocorre em muitas zonas de Timor, vão destruir os esforços de reflorestação levados a cabo pelo governo, organizações e particulares. Particularmente na estação seca, quando o alimento nutritivo escasseia, as cabras podem causar graves danos à floresta e ao meio ambiente. O sobrepastoreio daqui resultante leva à destruição do solo e à erosão, tal como contribui para a diminuição da biodiversidade. O efeito negativo do pastoreio desordenado das cabras em muitas ilhas das Caraíbas ou do Pacífico é de todos conhecido. 
Este capril em Dare é um bom exemplo de como poderemos criar caprinos em Timor de modo sustentável. É feito de material local, o bambú, e permite manter as cabras presas. Neste sistema, chamado de "zero-grazing" (pastoreio 0), os animais são alimentados com capim cortado nas redondezas, com os restos das hortas e das cozinhas, assim como com folhas de árvores forrageiras (neste caso caliandras e leucenas). Podemos também controlar melhor a sua saúde e a reprodução, ao mesmo tempo que produzimos um excelente estrume para as nossas hortas e pomares.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Bibi-malae Timor Leste nian


Carneiro a pastar atado a uma corda, em Gleno (foto do autor)

Iha rai tasi-feto ema hakiak bibi malae. Ihane’e la iha udan husi fulan Maio até fulan Novembro. Duút sai maran no lakon valor nutritivo. Besik Totuala no Com klima kuase rai-maran (klima “estepe”). Kondisaun sira ne’e diak liu atu bibi malae bele moris. Balada ne’e la gosta udan ka humidade no bele han du’ut maran no ai-tahan iha ai-look, ai-kafé , etc….. Sira han mos duut mak hela iha natar no han hare kain. To’os nain hakiak bibi malae tradicionalmente, balada han du’ut livre.

Ai-look ou ameixeira-da-India(Ziziphus mauritiana) é uma árvore das zonas secas da Costa Norte. Dá frutos saborosos, folhas para o gado e madeira para o lume (foto da Profª Virginia Trigo)

Bainira kalan hauhu bibi malae tama iha bibi malae uma, besik to’os nain uma nian. Na’in sira normalmente la fo suplementu ba balada (batar, trigu, kabas mussan,….). Loron ikus bailoron nian normalmente bibi malae hamlaha.
Distribuisaun bibi malae nian iha distritu sira (tinan 2001):
Baucau – 16218
Liquiça – 11638
Ambeno – 9605
Dili – 8356
Bobonaro - 8109
Manatuto – 5337
Viqueque – 4206
Lautem – 4009
Ainaro – 3675
Ermera – 2577
Aileu – 2209
Covalima - 1765
Manufahi – 1675
Total Nasional - 79379

Ovelhas nos arrozais de Baucau, depois das colheitas (foto do autor)

Bibi malae fo na'an. Ita bele mos huis bibi malae-feto.Afoin nakali susuben Ita bele emu ka halo keiju. Atu halo keiju Ita bele tutan derok-ben ba susuben bainira manas (40ºC). Depois Ita pasa susuben iha rede no haneha atu sai susuben be. Ita precisa mos tutan masin atu konserva keiju diak liu. Ema bele han keiju fresku ka maran. Atu conserva keiju maran diak liu Ita bele konserva iha mina-nu iha frasco de vidro. Se Ita nakali keiju iha be ho barak masi-midar Ita bele mos konserva nia.
Bibi malae tem diak ba to'os tanba nia fo fertilidade ba rai. Bainira bibi malae toba iha natar kain, sira nia tem diak liu. Bibi malae kulit mos diak no hanessan tapete ba salaun no sala-estar. Kulit ne'e diak los atu halo kasaku, etc...
Bibi malae na'in bele fo ai-kafe ba sirania balada durante bailoron atu fo proteína no energia bainira duút maran. Bibi malae mos presisa han masin.
Aparentemente bibi-malae iha Timor Leste pertense rasa Priangan.

Ovelhas no sob-coberto de palavão branco ou ai-bubur(Eucalyptus alba)(foto do autor)

domingo, maio 17, 2009

Sândalo: o petróleo verde de Timor.

Nomes vulgares do sândalo
Tétum: ai-kameli
Inglês: sandalwood, sandal tree
Português: sândalo, sândalo branco
Indonésio: cendana

O sândalo é uma árvore de folha perene e que pode crescer até aos 20 m. Tem casca castanha escura, encarniçada, por vezes quase negra. As árvores novas apresentam a casca lisa mas nas velhas surgem rasgos mais ou menos profundos. As folhas são ovais a ovais- elípticas, verde brilhante e sem pêlos. As flores são pequenas e vermelhas ou violetas e sem aroma. O fruto é uma pequena drupa com cerca de 1 cm de diâmentro, vermelha, quase negra quando completamente madura. No centro encontra-se um caroço ou semente.
O borne ( a zona do tronco que está sob a casca) é branco, leve e sem cheiro. O cerne é amarelo claro e fortemente aromático. A madeira tem grão fino, sem desenhos nem brilho.



Sândalo: raminho com folhas e frutos (foto do autor)

Distribuição geográfica
O sândalo é uma espécie de árvores com origem em Timor. Pertence à divisão Magnoliophyta do reino das plantas, à classe Magnoliopsida , à ordem das Santalales e à família das Santalacea. São árvores da mesma classe da das magnólias.
Encontraram-se já mais de 50 espécies de sândalos.
Hoje em dia o Santalum album existe em estado selvagem ou plantada em muitos países asiáticos: China, Índia, Indonésia, Filipinas, Austrália. Também nas ilhas do Oceano Pacífico se planta esta e outras espécies de sândalo. Na Índia, a área ocupada pela espécie espontaneamente encontra-se em expansão e a maior parte do óleo produzido é feito a partir destes exemplares selvagens. Na Austrália cultiva-se o S. album e o S. spicatum. Na Indonésia, tal como em Timor-Leste, o sândalo sofre com os incêncios florestais, a exploração excessiva, o sobrepastoreio e a agricultura itinerante, encontrando-se as populações naturais seriamente ameaçadas.



Sândalo adulto (foto do autor)

Exigências ecológicas
É uma planta que se encontra principalmente nas florestas de folha caduca das zonas tropicais do sul da Ásia. A planta é parasita e por isso precisa de uma árvore hospedeira que lhe forneça os principais sais minerais.As aves são essenciais para espalharem as sementes na natureza.
É uma espécie exigente em luz e que facilmente é dominada e eliminada pelas outras árvores de crescimento mais rápido.
Em Timor surge nas encostas mais secas e próximas do mar, até aos 1200 m. Nestas zonas a precipitação média anual é inferior a 1500 mm, e a duração da estação seca pode ultrapassar os 6 meses.


Ravinas do Subão. Um bom local para plantar sândalo e ai-kafé.(foto do autor)

Utilizações
A madeira é usada em mobiliário e no artesanato, em objectos artísticos e de adorno. Usa-se a serradura para fazer paus de incenso. Extrai-se o óleo por destilação, fervendo-se a madeira em caldeiras. Este óleo é depois usado em perfumaria e no fabrico de medicamentos. Na Índia é usado desde a Antiguidade no fabrico de imagens religiosas, em paus aromáticos e na cremação dos indivíduos das castas mais altas. Os povos da Insulíndia usavam untar o corpo com uma pasta à base de serradura de sândalo.
Cultiva-se nos jardins, como planta ornamental.

Cultivo do sândalo
O sândalo pode ser usado muito eficientemente em sistemas agro-florestais. Ruy Cinatti recomenda mesmo o seu cultivo nas hortas de Timor Leste, em associação com o milho. Isto porque o sândalo é uma árvore pequena e que faz pouca sombra às culturas do sob-coberto.

Recolha das sementes
Para se recolher as sementes de sândalo devemos esperar que os seus frutos fiquem bem maduros, isto é quando a sua cor passa a azul escuro (ver foto). A polpa do fruto deve ser retirada rapidamente esfregando-os contra a rede de uma peneira ou passador. De seguida seca-se a semente. Se possível aplica-se um fungicida como o Benlate. Guarda-se a semente num local fresco e seco, nunca dentro de um saco de plástico, onde lhes faltaria oxigénio. Na parte de baixo de um frigorífico pode aguentar-se um ano.

Sementeira
Para semear usa-se uma caixa com uma mistura de areia e matéria orgânica bem decomposta, como por exemplo, o húmus que encontramos sob as folhas de baixo das árvores. Antes de enterrar a semente podemos esfregá-la um pouco contra uma lixa fina, de modo a facilitar a entrada de água e acelerar a germinação. Esta operação não pode atingir o interior da semente e o embrião. Coloca-se depois a semente no solo de modo que um terço fique de fora. A germinação pode levar 10 dias ou mais. Mantenha-se o solo húmido mas não encharcado, e num local fresco.

Emergência
Após a emergência, transfere-se cuidadosamente a plantinha para um pequeno vaso ou saco. Ao mesmo tempo plante outra planta com o sandalozinho. Este desenvolverá as suas raízes juntamente com as da companheira, começando a extrair desta muitos dos nutrientes de que precisa. A planta companheira deverá ser preferencialmente dos géneros Capsicum (ai-manas, pimento), Altenanthera, Lantana câmara ou Desmodium.
As plantas devem ser mantidas à sombra durante várias semanas, sem nunca se lhes faltar com a rega. Os vasos devem ser suficientemente grande de modo a evitar que as raízes se enrolem e enovelem. Quando chegam aos 30 cm de altura, cerca de 8 meses depois da sementeira, os sândalos estão prontos para serem plantados.

Plantação
As árvores mais valiosas, isto é, de madeiras mais ricas em óleos odoríferos, desenvolvem-se nos solos mais secos e delgados, sujeitos a secas, e onde beneficiam de alguma sombra de árvores mais altas, que também os ajuda a crescerem direitos e ramificarem pouco. Nos solos mais ricos, como os das várzeas das ribeiras, o sândalo desenvolve-se luxuriantemente mas acumula pouca madeira e pouco óleo.
O sândalo pode ser plantado numa horta, ou então em plantações com compasso de 5 x 5 m. O gado adora comer as folhas dos sândalos, por isso devemos vedar o terreno convenientemente. Entre os sândalos devem-se plantar árvores leguminosas como a leucena ou ai-café (que dá folhas e vagens para o gado), a tephrosia, a albizia (ai-samtuco, Paraserinates falcataria), a turis (Sesbania spp), acácias (a Acácia mangium ,por exemplo, uma boa espécie para a produção de madeira). Também a casuarina ou ai-kakeu, que também fixa azoto e dá lenha para a cozinha, e já se usa em Timor para dar sombra aos cafézeiros, é adequada. A plantação ficará finalmente com um compasso de 2,5 x 2,5 m.
Abrem-se covas com 40x40x40 cm. Regam-se os sândalos ainda envasados para facilitar a saída do torrão, Quando em sacos, cortam-se estes para facilitar a saída da planta. Planta-se depois com o máximo de cuidado procurando não desfazer o torrão, e coloca-se a terra em volta com cuidado. Fazer a limpeza das ervas todos os anos, com enxada ou catana. Na época seca regar uma vez por semana, enquanto a raiz das árvores não se desenvolver completamente.
Ruy Cinatti defendia a sementeira directa no terreno. Neste caso as espécies hospedeiras já devem estar bem desenvolvidas.


Ovinicultura em Baucau. O gado e os sândalos jovens são incompatíveis.(foto do autor)

Manutenção
As árvores devem ser mantidas livres de infestantes . Procede-se à poda de formação, tal como no caso da teca (ver foto na publicação anterior), usando uma tesoura de podar ou serra bem afiada, e fazendo cortes bem rentes ao tronco principal, desramando o terço inferior da árvore.


Vedação feita de Cactos em Laga. Simples e funcional.(foto do autor)

Colheita
O sândalo pode ser colhido entre o 18 e os 30 anos. O fendilhamento da casca é considerado um bom indicativo de que a árvore pode ser cortada. Todavia as árvores maiores e mais velhas produzem muito mais óleo e são muito mais valiosas. Na colheita arrancam-se também as raízes principais, que são ainda mais ricas em óleo. As árvores de 30 anos produzirão cerca de 50 kg de lenho, com 4-10% de óleo. Depois dos 15 anos um sândalo acumula 1 kg de lenho por dia.


Tephrosia: raminho com flores e vagens (foto do autor)

Replantação
Se bocadinhos de raízes ficarem agarrados à terra, a árvore regenera-se facilmente por rebentação. Mas, geralmente, esta segunda árvore desenvolve-se pouco. Assim o melhor é replantar, usando sementes das melhores árvores . Muitos agricultores ficam nas suas hortas com muitos sândalos que nascem a partir das sementes dos sândalos adultos. Pode fazer-se um desbaste, sendo as plantas em excesso arrancadas com a raiz e se possível com o torrão de terra envolvente, envasadas, e vendidas no mercado a outros agricultores.

Excerto do folheto “Eu aposto no sândalo” da Cooperação Agrícola Portuguesa em Timor (2006):

Timor Leste ai kameli no floresta
Ai ho ema, floresta ho sosiedade sempre iha ligasaun ba malu.
Timor Leste naran bo’ot no nia historia floresta nian, liu-liu ho ai Kameli. Historia rai ida ne’e nian iha ligasaun ho Ai Kameli nia morin.

Desflorestasaun nebe acontese ona iha Timor Leste, sei sai hanesan difikuldade bo’ot ida ba Timor oan tomak iha futuro.


Ai kakeu bele fo mahan ba ai kameli. Iha ne'e ai kakeu iha Leksala (letfoho) fo mahan ba kafé. Ai kakeu diak tamba fo sunu ai maran no fo nitrogénio ba rai.
As casuarinas também fixam azoto. Aqui , em Leksala, também dão sombra ao café.
(foto do autor)

Tamba se laiha floresta sei laiha:
- Bé ho qualidade no quantidade;
-Rai nia bokur;
- Ai hodi halo uma ka konstusaun;
- Ai hodi sunu;
- Ambiente nebe mak diak;
- Seguransa ai-han nian.

No tamba floresta hanesan rekurso importante ida, nebe ita bele renova fila fali (rekurso renovável), entaun mai ita hamutuk halo fila fali Timor Leste hanesan nasaun floresta ida.
Jovens sira iha nasaun foun ida ne’e, maka sei konserva floresta nebe sira nia inan ho aman husik hela no kuda fila fali ai oan atu sai hanesan floresta ba sira nian oan.

Oin Sá maka hau bele ajuda floresta Timor Leste ?

Ita ema ida-idak bele ajuda floresta iha Timor Lese se:
- Proteze no konserva ita nian floresta;
- Kuda ai horis;
- Kuidado no fo tempo ba ai oan sira atu moris;
- Konserva ai nebe iha valor hanesan Ai Kameli, Ai Na, Ai Besi, Ai Teca, Ai Mahoni no ai sira seluk tan
- Labele sunu floresta (ai laran);
- Sunu ai maran tuir necessidades;
- Hamenus halo to’os nebe muda ba mai

Oin sa atu kuda Ai Kameli ?

- Ke’e rai kuak ho nia luan 40 cm, naruk 40 cm no klean 40 cm ;
- Rega atu bele facilita rai iha plastiko laran la rahun wain hira hasai ai oan atu kuda. Koa plastiko no hasai ai oan ho rai kafuak hosi plastiko
- Kuda ho didiak (kuda ho kuidado)
- Tau rai ba koak ho didiak
- Kuda Ai Kameli ho distansia 2,5 m ho Ai Kamei ida seluk no iha Ai Kameli sira nian klaran kuda hospedeiro (ai nebe fo suporta ba Ai Kameli)
- Hamos duut sira nebe besik iha Ai Kameli oan sira
- Iha tempo bai loron, rega semana ida dala ida

Se precisa informasaun, ruma kontakto ho:

Programa de Apoio ao Desenvolvimento rural em Timor Leste
Cooperação Agrícola Portuguesa. Caicoli – Dili

Ministério da Agricultura , Florestas e Pescas. Caicoli –
Dili

Bibliografia
Reconhecimento de Timor. Ruy Cinatti, 1950.
Pacific Agroforestry-An information kit. CTA, 1999.

sábado, março 21, 2009

Ai teka (Tectona grandis)

Bainhira Ita pasiar kona tassi-mane Ita sei haré ai boot ho tahan boot tebes. Ita haré ai teka (Tectona grandis) ka ai tahan mean. Ai ne’e gosta tasi-mane nia rai, tanba nia bele sai boot ninia abut sira. Nia hakarak liu rai aas ho barak fertilidade. Mós klima tassi-mane nian diak liu atu kuda ai-teka: klima tropikal manas ho kiik bailoron, to’o 1300 m . Nia mai hosi rai Sudeste Asiátiko : Índia, Birmânia, Tailândia ka Vietnam. Uluk missionáriu sira hodi ona ai teka ba Timor.
Ai teka sai boot até 25-50 m. Tahan monu durante bailoron. Ai-sanak ho ai-funan to’o 40 cm. Barak ai-funan kiik kor kinur-mutin ho ponto rosa. Ai-Teka nia aifuan hanessan drupa cilíndrica kor kafé. Ida-ida ai-fuan heli musan haat Ai kor mean nabilan furak tebes. Europa no Améria sosa barak ai atu halo kadeira, meza, no ekipamento ba jardin, tanba udan la halo aat ba teka. Ninia célula sira halo síntese tectoquinona, substansia química sara netik bé. Tahan ben fo kor mean ba hena. Ita bele mos kuda ai-teka iha jardin tanba ninia tahan sira fo mahan boot.
Principal país katak exporta ai-teka: Birmânia, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnam, Indonésia, Camarões, Nigéria no Brasil.


Tecas na floresta primária de Loré

Kuda ai-teka la susar. Atu kuda hectare ida Ita presiza kilu haat ai-fuan. Ami la bele haketak musan hosi ai-funan. Ita tenke luku funan iha mota kiik durante 24-48 oras. Depois Ita hakoi funan iha substracto ho rai-henek no kompostu. Tiha-ona Ita haroo no taka ho plastiku metan durante 96 oras. Ita sei muda ai-teka kiik ba saku ka vaso ho rasik substractu. Kuandu planta to’o 3-4 fulan Ita bele kuda sira iha to’os bainhira komesa baiudan. Distansia klaran ai-teka: 3 x 2 m.
Sei hanali aihoris atu bele ai diak. Ema hanali sanak sira iha balun okos ai-teka nian (foto).


Teca depois de feita a poda de formação (Brigada Agrícola de Gleno)

Iha Timor-Leste, hanessan distrito Viqueque, to’os-na’in tenke hamenus numer ai-teka iha hectare atu ai-teka sai boot diak liu.


Viveiro de tecas em Triloka (Baucau)


Tecidos em seda corada com seiva de teca (à direita). Fábrica de seda de Triloka, Baucau.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Palmeiras de Timor: a tali ou palapeira (Corypha utan)

A tali é uma das palmeiras mais vulgares em Timor Leste. Quem chega a Timor e aterra no Aeroporto Nicolau Lobato, em Comoro, é recebido por uma autêntica floresta de talis. É uma planta que se pode ver um pouco por toda a parte na costa norte de Timor. Na verdade esta palmeira é nativa do sudeste asiático e existe desde a Índia ao norte da Austrália. Gosta das savanas e das zonas inundáveis nas margens dos rios e lagos.


As talis na estrada para Maubara - Tali sira besik dalan ba Maubara


É das maiores palmeiras do mundo e os exemplares adultos podem atingir 20 m, com folhas enormes de 5 a 7 m de envergadura. Só floresce e frutifica no final da vida. Assim, quando vemos uma tali em flor é sinal que ela vai morrer (palmeira monocárpica). A sua inflorescência é das maiores no reino vegetal: uma gigantesca pluma com mais de um milhão de flores e com a altura de 5 m ! É uma planta de crescimento muito lento e que só se dá no clima tropical.


Frutos da tali - Tali aifuan

Bastante importante nas Filipinas, onde as suas folhas constituem a base de uma significativa indústria de artesanato (chapéus, sacos, roupas, cordas,…). Em Timor Leste o povo também faz inúmeros objectos com as folhas da tali, desde esteiras a caixas para cigarros e chapéus, e os visitantes podem adquirir este belo artesanato junto às estradas e em locais como Metinaro ou Maubara. Mas a tali é uma autêntica fonte de bens. Da sua seiva extrai-se vinho, vinagre e açúcar e os seus espiques (o tronco) fornecem amido (sagu). Dos pecíolos das folhas secas fazem-se paredes para as casas de palapa. Têm ainda enorme importância para a manutenção da biodiversidade pois as suas coroas de folhas abrigam grande número de espécies de aves. O pólen das flores serve de pasto às abelhas e estas, por sua vez, atraem muitos pássaros insectívoros.


Agricultor reboca pedaços de tali para fazer farinha (Laleia) - Tali atu halo uut (Laleia)

Podemos reproduzir as talis por sementes. Mais rapidamente podem-se aproveitar as plantas jovens que surgem na terra, junto à base do espique, quando têm já 5 a 7 folhas. Colhem-se com o máximo de raízes e plantam-se em vasos ou sacos. Permanecem num viveiro à sombra cerca de um ano. De seguida colocam-se gradualmente ao sol durante 6 meses e plantam-se no início da estação húmida.

Ita bele hare tali sira iha hotu Timor-Leste. Bainhira to’o Aeroporto Nicola Lobato iha aviaun , ema hare tali barak hanessan jardim boot ida. Furak tebetebes ! Tali moris iha India, Filipinas, Indonésia no Norte Austrália. Nia ai tropikal katak la gosta malirin. Nia gosta mós fatin besik mota sira, tanba rai iha bé barak nafatin. Tali sai boot até 20 m ! Bainhira tali funan nia mate afoin (palmeira monocárpica).
Iha Filipinas ema halo indústria xapeu importante tebes ho tali tahan. Tali fo mós tua, tua-siin, uut. Ho tali tahan ema halo mós didin uma nia. Tali ida mós uma ba manu fuik barak, ne’e duni sira importante tebes atu biodiversidade no ekologia. Bani gosta tebes tali funan nia.


Tali funan iha Centro de Formação Profissional iha Tibar - Tali em flor no Centro de Formação Profissional, em Tibar.

Ita bele kuda tali ho mussan ka ho ai kiik (ho 5-7 tahan). Ho métodu ne’e ita tenke hasai tali kiik ho abut boot. Afoin Ita lori sira ba viveiru ho mahan, iha ka’ut plástico. Afoin tinan ida ema bele lori tali ba fatin laho mahan durante 6 fulan. Bainhira baiudan to’o ita bele kuda tali iha to’os.


Tali kiik iha Tibar - Jovem tali em Tibar

domingo, dezembro 28, 2008

Masin Timor Leste nia: rekursu ida kapás

Masin Timor Leste nia: rekursu ida kapás


Masin (NaCl, cloreto sódio nia) rekursu diak ba ema no balada. Ema katak hela besik tassi halo masin atu fa’an. Iha dalan besik tassi iha hotu Timor Leste Ita bele hare ema fa’an masin. Ema no balada presiza han masin tanba nia fo sódio (Na) no cloro (Cl) atu metabolismo. Du’ut laiha barak Cl ka Na.
Cl ho Na ho mós Potássio (Ka) konsege equilibrio osmótico no mós equilibrio ácido-base iha células isin nia. Isin preciza mós Cl atu halo ácido clorídrico kabun nia. Bainhira laiha Cl iha hahán balada sai boot neineik.
Na halo knar iha transporte impulso nervoso nia. Mós absorção glucose no aminoácidos ba ran, iha laran mutin, presiza Na. Bainhira laiha Na iha hahán balada lakon bé no nós sai boot neineik. Manu fo menus manu tolun. Du’ut iha Na uit deit.
Nune’e balada tenke simu suplemento masin nia nafatin. Maibe la haluha Ita tenke fo mós nafatin bé ba balada. Ita bele tesi pneu no tau masin iha ida-ida balu.



Fatin fa'an masin (Obrato). Venda de sal em Obrato


O sal de Timor – Leste é um recurso muito importante

Tanto para as pessoas como para os animais o sal é um recurso muito útil. Quem anda por Timor repara que perto do mar é frequente encontrar sal à venda dentro de artísticos sacos de folha de palmeira entrançada. Tanto as pessoas como os animais precisam de sal como fonte de Na e de Cl. Enquanto que os seres humanos consomem sal juntamente com outros alimentos, como peixe, balichão, etc…, os animais alimentam-se sobretudo de erva, um alimento pobre em sódio ou cloro.
Cl e Na, em conjunto com o potássio (Ka) participam no equilíbrio osmótico das células e no equilíbrio ácido-base. O Cl também é fundamental para a síntese de ácido clorídrico no estômago. É por isso que quando não há Cl suficiente na alimentação os animais apresentam um crescimento muito reduzido.
O Na participa também na transmissão do impulso nervoso assim como na absorção intestinal dos hidratos de carbono e dos aminoácidos. Na falta de sódio os animais reduzem o seu desenvolvimento. Um sinal de que o equilíbrio osmótico das células se apresenta seriamente afectado é a desidratação que estes animais apresentam. Nas galinhas a postura dos ovos também se reduz.
Assim, os donos dos animais devem dar-lhes sal. Um meio simples de o fazer é cortar um pneu ao meio e colocar sal no interior de cada metade. Nunca esquecer de ter sempre água à disposição dos animais.