segunda-feira, janeiro 03, 2011

Ai-tasi ajuda ema. O mangal de Timor-Leste ajuda as pessoas.

Ai-tasi kmanek  iha Hera. Um bonito mangal junto da estrada em Hera (foto do autor).

Ai-tasi ekosistema hosi tasi-ibun Timor Leste nian. Ekosistema ne dezenvolve iha fatin besik mota ka tasi-ibun laho laloran. Iha tasi feto ami bele hetan ai-tasi iha Metinaro, Tibar no Maubara. Ni-nia ai prinsipal Rhizophora conjugata, Bruguiera spp., Sonneratia alba (parapa) no Avicennia marina.


Ai-tasi iha Hera durante tasi-nakonu. Mangal em Hera durante a mare-cheia (foto do autor).

Ekosistema ne importante no util tebetebes tanba nia fo-han ba ikan no boek no subar ikan-tolun no boek-tolun. Seluk ikan boot liu mae atu han ikan kiik, nune ema bele tiha barak ikan. Ai ne diak tebes ba sunu no tahan Avicennia marina nian diak tebes ba han balada afoin fase atu hasai masin. Ai mos diak tebes atu halo mesa ka kadeira.
Ai-tasi mos rai tasi-ibun contra erosaun, tsunami sira  no tufaun.
Ai-tasi manten tasi be moos, ta'es no satan tahu. Planta hosi ai-tasi manten barak biodiversidade. Ami bele hetan karau-tasi (Dugong dugong) no lafaek (Crocodylus porosus)  besik ai-tasi.
Epena mak ai-tasi iha Mundo lakon area ba industria boek, hotel sira, etc...Ekosistema ne'e rahuk tebetebes .
Maibe ita bele kria ai-tasi foun. Iha Djibuti (Afrika lorosa'e) ema kria ai-tasi foun ho Avicennia marina atubele tiha ikan, han balada no usa ai ba sunu. Nune, iha rai-maran hosi Djibuti eme bele moris diak liu (http://www.themanzanarproject.com/).


Ai-tasi raru iha tasi-mane (Lore). Um dos raros mangais da costa sul, na praia de Lore (foto do autor)

Avicennia marina. Balada gosta han ninia tahan.
O gado gosta das folhas da avicenia.


Mane rua iha Djibuti kuda avicenia iha viveiru. Sira usa ona fini avicenia nian, iha sacu plastiku 6 litros. Iha saku, sira hakoi sacu plastiku kiik ho fosfato diamonico no oxido de ferro. Saku ne ema halo kuak kiik ho limam-kukun atu fosfato sae ba rai .

Avicenia plantada em ruas no local definitivo

Senora haknata avicenia tahan (18% Prote. Bruta)  ba bibi no bibi-malae. Balada han tahan ho farina ikan.
Esta moça do Djibuti colhe folhas de avicenia para alimentar as cabras. Mas esta dieta nao e completa pelo que aqui se suplementa este alimento com farinha feita de restos de peixe seco.
(Fotos: www.themanzanarproject.com)





domingo, setembro 26, 2010

Karau: to'os nain belun nian

Os búfalos de Timor Leste são da sub-espécie carabanensis (Bubalus bubalis carabanensis), os chamados búfalos dos pântanos. Estes animais existem um pouco por todo o lado nos países do extremo-oriente tropical, como as Filipinas, a Indonésia e Timor Leste. O termo "carabanensis" deriva da palavra "carabau", modo como são conhecidos nas Filipinas, e é semelhante à designação em tétum, "karau". Contrariamente aos búfalos dos rios (Bubalus bubalis bubalis) que existem na India ou no Brasil, estes búfalos destinam-se sobretudo aos trabalhos dos campos. Têm também uma função social pois dão estatuto aos seus proprietários. O dote que é oferecido aos pais da noiva pela familia do rapaz (barlaque)  é também formado por búfalos. Também na religião se usam os búfalos, pois são abatidos nas cerimónias dedicadas aos antepassados. A carne ou o leite obtido destes animais é assim de pouca monta. Isto não invalida que algumas pessoas ordenhem as búfalas e consumam o seu leite, mas isto é feito de modo pontual.
São animais mais largos e atarracados do que os búfalos do rio, e os cornos atingem maiores dimensões. Apontam para trás e desenvolvem-se quase horizontalmente.
Alimentam-se das ervas que encontram, da palha do arroz e dos ramos de certas árvores.


Nas Filipinas estes animais são usados para puxar charruas e arados, com que se revolvem os arrozais. Em Timor Leste este trabalho é feito unicamente pelo pisoteio do solo. Nesta fotografia obtida em Viqueque podemos observar uma pequena manada que em círculos, vai pisando e descompactando o solo dos canteiros alagados. A palha da cultura anterior também é enterrada pelos animais, e os dejectos destes enriquecem o solo com nutrientes. O pastor, com a ajuda de uma vara, empurra os animais e canta  belas canções. Um ajudante, munido de uma enxada, vai enterrando alguma palha de  maiores dimensões, e desfazendo os maiores blocos de terra, assim como arranja os muros dos canteiros. É uma das mais belas paisagens da agricultura timorense. Em breve virão as mulheres e as crianças com os pézinhos de arroz que recolheram na cerca do viveiro, e em grupos enchem a paisagem de verde. Entretanto já os karau descansam atascados até ao pescoço numa poça de lama. E ruminam lentamente, como que à espera que o calor passe.
Alguns agricultores, poucos,  já os substituiram por moto-cultivadores. Mas de momento ainda é dificil arranjar em Timor pessoas e peças para se manterem estas máquinas.
Algumas escolas das zonas rurais, como Natarbora e Fuiloro, já têm estábulos com búfalas. Para além de aprenderem a tratar dos animais e noções básicas de zootecnia, o leite e o queijo obtidos melhoram  a alimentação dos alunos.
Apesar do aspecto arcaico, os búfalos ocupam há milénios um importante papel neste ecossistema agrícola, pois resistem melhor às doenças do que os bovinos, vivem em zonas alagadas que estes não suportariam e digerem melhor os alimentos grosseiros e fibrosos. Em Timor só falta que as pessoas tomem melhor partido deles na sua alimentação, consumindo as excelentes proteínas da sua carne e do seu leite.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Iha ne 'e iha Alentejo ami hakoak Ita hotu iha Timor Leste...

Tanba barak hau nia aluno sira husu konaba kurtissa no ai subreiru  (Quercus suber L.), hoin  hau sei fo informassaun kona ba subericultura.
Portugal nasaun uluk iha produsão kurtissa. Ami kuda ai subreiru especialmente iha Sul Portugal, iha distrito sira Évora, Beja no Setúbal, iha provincia Alentejo. Subreiru ai mak sai boot maibe neineik tebetebes. Ami kuda ai subreiru ba ami nia bei oan sira... Kurtissa kulit ai subreiru nian.
Ai subreiru fo uluk kulit bainhira to’o tinan 20. Nia gosta rai laek nutriente no precisa klima Mediterrâniku: período bailoron ho barak manas no maran (fulan Junho-Setembru) no tempu baiudan no malirin (fulan Outubro - Maio).
Ekossistema ho ai subreiru importante tebes tanba ninia biodiversidade boot. Ekossistema ne'e naran "Montado".  Bibi malae han duut iha montado no protege ai laran hasouru ahi durante tempo bailoron.

Uluk kurtissa naran "virgem". Ai subreiru mesak fo kurtissa durante tempo bailoron iha fulan Julho no Agosto. Afoin ami la konsegue hasai kurtissa tanba la iha mitose iha células kulit nian. Durante mitose mak fo kurtissa foun ema bele hasai kulit ai subreiru nian.
 
Atu bele hasai kurtissa ami precisa machado especial. Mane mak hasai kurtissa (tiradores) tenke forte tebes atu fota ai kulit.

Afoin hasai kurtissa ami tenke lori ba trator. Ami mos pinta  ai ho algarismu tinan ne'e (0). 1 se tinan 2011.  Agora ema tenke hein tinan 9, atu hasai kurtissa foun.
Afoin hasai kurtissa ai hun kor laranja. Se mane hasai barak ai kulit ai sei mate. Atu bele protege ai ami tenke hasai kurtissa até mesak 3 m iha ai hun.
 
Agora ami lori kurtissa ba uma to'os. Iha ne'e mane mak sosa kurtissa mae atu hare. Tinan ne'e,  15 kg kurtissa selu 25 euros.
Afoin Kurtissa ba fabrika atu hatasan no halo matan ba botil tua uva. Portugal exporta sira ba Mundo hotu, especialmente França, América, Austrália no  Brasil. Rússia mos sosa kurtissa hodi Portugal hatu halo uma manas. Kurtissa hatau malirin tama uma. Ami hetan nia iha nave espacial mós.
Actualmente problema boot tanba botil tua uva hahú usa matan plástiku. Portugal halo kampanha internacional atu informa ema dia liu kona ba importancia kurtissa no ita nia ekossistema. Kurtissa produto natural no ekológico.  Se ema la sosa botil ho kurtissa hotu ekossistema "Montado" sei mate....  

 
Aihoris subreiru nian propriedade privada. Iha Timor Leste ema tenke desenvolve propriedade privada atu  to'os na'in bele kuda sira nia ai horis kapaz. 
(Todas as fotos tiradas pelo autor, no Monte do Arneirinho do Gaio de Baixo, em Sines, Baixo-Alentejo))

segunda-feira, maio 17, 2010

Enviar livros é agora mais barato

O envio de livros pelo correio para Timor Leste é agora mais barato.  O preço de um envelope de 2 Kg passou de 2,75 euros para 1,50 euros, uma descida substancial. Pode agora enviar mais economicamente os seus livros ou revistas novos ou usados (sem riscos ou rasgões). Deve no entanto referir aos funcionários dos CTT que é pela modalidade Timor Leste - livros - económico. 
Eis algumas escolas rurais para onde pode enviar os seus livros:

Escola do Reino de Venilale - Venilale - Baucau

Escola Pré-secundária de Padiae - Estação Missionária Católica - Padiae - Oekusse

Escola Profissional de Kelikai - Kelikai

Escola Primária de Abafala - Abafala - Kelikai

Escola Pré-Primária de Aileu - Profª Clarisse  Silva - Aileu


Livros para as escolas em Timor (Foto da Profª Ana Cardoso, Suai)

Também pode oferecer assinaturas de jornais ou revistas a estas escolas.

Ami tenke kuda ai-mate atu proteje ai-laran Timor nian

 To'os nain sira bele kuda ai atu fa'an ai. Iha Timor Leste ami bele hetan ai folin todan hanessan ai hosi ai kameli (Santalum álbum), ai na (Pterocarpus indicus), ai besi (Intsia bijuga), ai teka (Tectona grandis) ka mahoni (Swietenia macrophylla) . Ema bele kuda ai ne’e atu halo meza, kadeira, armariu, odamatan etc… Nune’e Timor Leste bele exporta liu no fo serbisu ba barak badain-ai sira.

Os agricultores podem cultivar árvores para venderem a madeira. Em Timor Leste podemos encontrar árvores de madeira preciosa como o sândalo, o mogno, a teca, o pau rosa ou o pau ferro. As pessoas podem cultivar estas árvores para fazerem mesas, cadeiras, armários, portas e outras peças que o país pode exportar para aumentar as receitas da economia e os empregos.


Agricultores de  Oekusse abrem regos para plantarem árvores florestais com uma charrua de discos
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)


Maibe ema iha Timor Leste kuran mós ai ba sunu atu te’in han. Iha Europa ema la uza ai-mate tamba hotu ema bele sosa fogaun ho gás ka electricidade. Iha Timor Leste governu bele fo ema hotu fogaun ho mina rai atu proteje ai laran. Bainhira populasaun haboot se la iha fogaun sira Ita sei lakon ai laran…Nune’e Ita tenke kuda mós ai ba sunu. Liurai iha Knua sira bele arranja rai fatin atu kuda ai ne’e ba ema hotu.

Mas Timor Leste também precisa de cultivar árvores de lenha para cozinha, pois a população não pára de aumentar e a floresta nacional corre grandes riscos. O governo poderia oferecer às familias fogões a petróleo, o que aliviaria bastante as pressões sobre a floresta. Mas para já é preciso aumentar rapidamente o cultivo de árvores para lenha de cozinha em cada aldeia. Junta-se uma lista de espécies especialmente adequadas para este objectivo.

Madeira à venda na estrada Dili-Baucau junto a akadirum e eucaliptos


Balu ai atu kuda ba sunu segundo Programa Agrícola Regional para o Pacífico:



Adenanthera pavonia

Alphitonia zizyphoides

Bischofia javanica

Calliandra spp.

Cassia siamea

Casuarina spp. (ai-kakeu)

Citharexylum spinosum

Eucalyptus alba (ai-bubur)

Eucalyptus urophylla (ai-ru)

Gliricidia sepium

Leucaena spp. (ai-kafé)

Mangifera indica (mangueira, has timor)

Parinari inslarum

Pometia pinata (ai-maras)

Psidium guajava (guyaba)


                         Madeira à venda na estrada para Kelikai (com o Matebiam ao fundo)

Ai kafé: uma excelente árvore para lenha


Ai bubur ou palavão: um eucalipto muito usado para lenha. A Cooperativa Café Timor em Comoro já faz a sua reprodução em massa.

Habitantes de Oekusse obtêm lenha de ai-bubur (Eucalyptus alba)
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)


sábado, março 13, 2010

Bibi hatene hili han diak lós. Maibe la bele estraga ai laran.


Bibi ánimal diak tanba bele fo hahán ba ema, bainhira aproveita planta mak seluk animál la bele han (ai tahan, etc...). Sira bele moris ho rekursu ne'e tanba nia konsege hili tahan kiik nutritivu no kosok ho diak digestibilidade no barak proteína.


Maibe Ita tenke proteje ai kiik no to'os. Bibi gosta mos han lakeru no batar ...

Sistema diak atu hakiak bibi tenke proteje ai-laran. Bainhira ema la proteje ai-laran, bibi sei han ai kiik no halakon ekossistema. Afoin ai lakon, rai-laran sei lakon mos, tamba udan sei lori rai ba mota no ba tassi. Nane'e, bibi halakon ona hotu ekossistema iha nusa husi Pacífico no Caraíbas.

Atubele proteje rai, no to'os, no ai, Ita tenke prende bibi sira. Iha foto ne'e Ita bele hare bibi-uma ida furak, iha Missão Lopes (Dare). Hanessan, Ita bele hakiak bibi fasilmente no kontrola balada diak liu. Ihan'e to'os na'in kaer du'ut, batar kain no tahan ai-kafe nian ba bibi (sistema "zero-grazing"). Hafoin ami lori bibi tem ba kurte fatin atu halo komposto ba to'os. Bibi sira sei fo barak na'an no susuben no kulit. Bibi uma ne'e halo ona hodi au husi Timor-Leste. Nane'e Ita la lakon osan mós....

As cabras são boas utilizadoras das pastagens naturais. Mas não as podemos deixar estragar a natureza e as árvores que plantamos.
Em Timor-Leste as cabras são preciosas para as pessoas pois produzem carne e leite a partir de recursos que os outros animais não aproveitam. Isto acontece pois estes úteis animais conseguem seleccionar nos matos e na floresta as partes mais nutritivas das plantas, como as folhas mais tenras dos rebentos. Mas quando os animais pastam desordenadamente, como ocorre em muitas zonas de Timor, vão destruir os esforços de reflorestação levados a cabo pelo governo, organizações e particulares. Particularmente na estação seca, quando o alimento nutritivo escasseia, as cabras podem causar graves danos à floresta e ao meio ambiente. O sobrepastoreio daqui resultante leva à destruição do solo e à erosão, tal como contribui para a diminuição da biodiversidade. O efeito negativo do pastoreio desordenado das cabras em muitas ilhas das Caraíbas ou do Pacífico é de todos conhecido. 
Este capril em Dare é um bom exemplo de como poderemos criar caprinos em Timor de modo sustentável. É feito de material local, o bambú, e permite manter as cabras presas. Neste sistema, chamado de "zero-grazing" (pastoreio 0), os animais são alimentados com capim cortado nas redondezas, com os restos das hortas e das cozinhas, assim como com folhas de árvores forrageiras (neste caso caliandras e leucenas). Podemos também controlar melhor a sua saúde e a reprodução, ao mesmo tempo que produzimos um excelente estrume para as nossas hortas e pomares.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Bibi-malae Timor Leste nian


Carneiro a pastar atado a uma corda, em Gleno (foto do autor)

Iha rai tasi-feto ema hakiak bibi malae. Ihane’e la iha udan husi fulan Maio até fulan Novembro. Duút sai maran no lakon valor nutritivo. Besik Totuala no Com klima kuase rai-maran (klima “estepe”). Kondisaun sira ne’e diak liu atu bibi malae bele moris. Balada ne’e la gosta udan ka humidade no bele han du’ut maran no ai-tahan iha ai-look, ai-kafé , etc….. Sira han mos duut mak hela iha natar no han hare kain. To’os nain hakiak bibi malae tradicionalmente, balada han du’ut livre.

Ai-look ou ameixeira-da-India(Ziziphus mauritiana) é uma árvore das zonas secas da Costa Norte. Dá frutos saborosos, folhas para o gado e madeira para o lume (foto da Profª Virginia Trigo)

Bainira kalan hauhu bibi malae tama iha bibi malae uma, besik to’os nain uma nian. Na’in sira normalmente la fo suplementu ba balada (batar, trigu, kabas mussan,….). Loron ikus bailoron nian normalmente bibi malae hamlaha.
Distribuisaun bibi malae nian iha distritu sira (tinan 2001):
Baucau – 16218
Liquiça – 11638
Ambeno – 9605
Dili – 8356
Bobonaro - 8109
Manatuto – 5337
Viqueque – 4206
Lautem – 4009
Ainaro – 3675
Ermera – 2577
Aileu – 2209
Covalima - 1765
Manufahi – 1675
Total Nasional - 79379

Ovelhas nos arrozais de Baucau, depois das colheitas (foto do autor)

Bibi malae fo na'an. Ita bele mos huis bibi malae-feto.Afoin nakali susuben Ita bele emu ka halo keiju. Atu halo keiju Ita bele tutan derok-ben ba susuben bainira manas (40ºC). Depois Ita pasa susuben iha rede no haneha atu sai susuben be. Ita precisa mos tutan masin atu konserva keiju diak liu. Ema bele han keiju fresku ka maran. Atu conserva keiju maran diak liu Ita bele konserva iha mina-nu iha frasco de vidro. Se Ita nakali keiju iha be ho barak masi-midar Ita bele mos konserva nia.
Bibi malae tem diak ba to'os tanba nia fo fertilidade ba rai. Bainira bibi malae toba iha natar kain, sira nia tem diak liu. Bibi malae kulit mos diak no hanessan tapete ba salaun no sala-estar. Kulit ne'e diak los atu halo kasaku, etc...
Bibi malae na'in bele fo ai-kafe ba sirania balada durante bailoron atu fo proteína no energia bainira duút maran. Bibi malae mos presisa han masin.
Aparentemente bibi-malae iha Timor Leste pertense rasa Priangan.

Ovelhas no sob-coberto de palavão branco ou ai-bubur(Eucalyptus alba)(foto do autor)

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Os bovinos de Timor-Leste

A principal raça de bovinos existente em Timor-Leste é a raça Balinesa. Estes são animais da espécie Bos javanicus (boi de Java) ou Bos banteng (banteng é o nome vulgar destes bovinos em inglês). São diferentes dos outros bovinos das zonas tropicais, os zebus, da espécie Bos indicus (literalmente "boi da India"), e ao contrário destes não apresentam bossa. Os bovinos das zonas temperadas, como todas as raças existentes em Portugal, são ainda de outra espécie diferente, o Bos taurus.


Vaca balinesa em Railako/Karau-vaca ida iha Railaku.

Os bovinos balineses são animais extremamente rústicos, de pequena estatura, resistentes às doenças e às agruras das prolongadas estações secas que se registam em Timor. Nesta estação do ano, estes bovinos conseguem alimentar-se do capim seco e das folhas das árvores. Também são suplementados com palha de milho e restos das hortas.


Manada de balinesas em pastoreio numa savana de Totuala durante a estação seca(repare-se na cor cinzenta do touro, á direita na foto)

Estes animais existem só em Timor e em algumas ilhas da Indonésia, muitas vezes em estado selvagem. A sua principal produção é a carne e não são ordenhados. A maior parte dos criadores possui um ou dois animais, que faz pastar nos baldios, presos por uma corda a uma estaca ou a uma árvore. Mesmo no interior da cidade de Dili podemos passar por um destes belos animais. Noutras zonas, como na ponta Leste (Lautem) ou Batugadé, encontramos grupos maiores de balinesas, com algumas manadas de várias dezenas de indivíduos. Na costa sul podemos encontrar a criação de bovinos associada aos coqueirais. A produção de bovinos balineses tem também grande importância em Oekusse.


Tassitolo (Dili): suplementação de vacas balinesas com palha de milho, durante a estação seca.
Batar du'ut maran ba karau-vaca durante bailoron, iha Tassitolo (fulan Maio).

As vacas têm cor canela e nos touros a pelagem adquire um tom cinzento, quase negro. Os cornos são escuros, pequenos e brilhantes, e nas nádegas exibem uma mancha branca. As extremidades dos membros até às unhas são também brancas.


Engorda de vitelas balinesas em feed-lot, na Missão Lopes, em Dare. Neste feed-lot a água das lavagens com o chorume e o estrume, cai por gravidade para um terraço com capim elefante e caliandras, localizados ao lado e numa cota inferior. Eis uma excelente maneira de reciclar os nutrientes e a água.
Karau-vaca oan iha Dare (Missão Lopes). Bainira ema hamoos, be ho karau vaca tem no min monu ba to'os ho du'ut ba karau-vaca. Hanessan, sira bele halo reciclagem be no nutrientes nian.

Nunca é de mais salientar a importância estratégica da criação de gado em Timor-Leste. Com a criação de gado podemos:
- ter mais carne e melhorar a alimentação da população, que é extremamente deficitária em proteínas animais;
- exportar vitelos e fazer entrada de divisas no país. Muitos dos vitelos da raça balinesa em Timor são vendidos para a Indonésia onde são recriados (engordados);
- obter estrume para as hortas, e desta maneira acabar com a agricultura de abate e queimada, que destrói o solo, as florestas e o ecossistema.


Karau-vaca iha nu laran hosi Viqueque. Vaca balinesa num coqueiral de Viqueque.

Para fomentar a produção bovina em Timor Leste torna-se necessário:
- melhorar os cuidados veterinários;
- melhorar a alimentação na estação seca, recorrendo à plantação de bancos de proteínas, parcelas de terreno densamente plantadas com ai-kafé (Leucaena leucocephala), turis (Sesbania grandiflora), marungi (Moringa oleifera), etc…
- promover a produção de pastagens à base de gramíneas de bom potencial forrageiro como o capim elefante (Penissetum purpureum) , o milho-pérola (Penissetum glaucum), etc…
- promover a constituição de “feed-lots”, em explorações de agricultores especializados na compra de vitelos e sua recria em ambiente confinado, tendo em vista o mercado interno e a exportação;
- melhorar a raça balinesa, escolhendo para reprodutores os touros mais bem conformados e produtores de carne.
- criar matadouros dotados de boas condições de higiene e vias de acesso.


Sesbania grandiflora (variedade de flores vermelhas)- Ai turis (Sesbania grandiflora)ho ai-funan mehan. Ami bele fo nia ba balada han.


Tahan, ai-funan no ai-fuan Marungi (Moringa oleifera) nian: diak los ba ema ka balada.

(Todas as fotos do autor)

quinta-feira, setembro 24, 2009

NU : utilizasaun ida loron-loron

O COQUEIRO: uma utilização para cada dia do ano

Nu (Cocos nucifera) planta ida mak mae ona hosi Polinésia. Nune’e iha Polinésia no Nova Guiné ema hatetene “niu. Iha Ilhas Cook ema hatetene mos “nu”. Hosi Polinésia, ema lori ona nu ba Ásia, Áfrika no Amérika sira. Durante sira nia viajen Portugal oan hare ona nu iha Índia. Iha Portugal nia ro laa nu util barak, tanba fo hahan ( nu isin) no nu kutak. Hosi India Portugal oan sira lori nu ba Cabo Verde (1545) no hosi iha né’e ba Brasil.

Iha Indonésia ema hatetene Ita bele hetan utilizassaun ida ba tinan ida-ida loron. Nu ai-fuan boot tebes, ho mina barak no proteína. Valor comercial nu koin nian boot tebes. Valor comercial Nu mina boot tebes mos. Ho nu mina ema halo sabonete, xampô, aimoruk sira, mina-morin. Ho nu fibras nian ami halo talin, sapatu, karon, karpete, tapete, etc... Ita sunu nu kulit atu te’in. Ita bele mos halo kanuru, bikan, etc… Ho Nu ai knotak hema halo ro, uma no akar.

Nu botanika nian
Nu bele moris até 80 tinan. Tékniku sira desenvolve ona variedade kiik, atu bele kaer nu fasilmente. Planta ne’e monóika tanba ami bele hetan ai-funan aman no inan iha planta ida-idak. Nu ida bele fo até 80 ai-fuan sira durante tinan ida..
Nu aifuan nian naran butaniku “drupa”. Hosi kulit ba klaran ami bele hetan :
- kulit ida forte tebes ka exokarpu
- lahan sira, ka mesokarpu
- kakun ida tos tebes ka endokarpo
- nu isin ka endosperma
Bainira aifuan ainda matak exokarpo kor matak mós. Nu fo ai-fuan uluk bainira to’o tinan 5-6.
Hanessan hotu monokotilédoneas (batar, hudi, trigu, etc…) nu la iha abut ida boot. Ninia abut sira hanessan fuuk bua saren. Sira bele to’o numer 4000 ho 1 cm diametru. Sira bele sai boot até 5m iha rai. Bainira abut ida mate nu háhu desenvolve abut foun.

Nu ekologia nian
Nu mesak moris iha klima tropikal. Nia sei mate bainira ami kuda nia iha foho ka Europa. Nu la gosta temperatura oin-seluk loron/kalan. Temperatura diak: 26 -27 ºC. Nune’e, Ita la bele hetan nu dook hosi tasi. Iha foho nia nafatin moris até 600 m. Nu presiza 2000 mm udan atu desenvolve diak.

Nu’u sa maka Ita bele kuda nu ?

Atu kuda nu Ita usa nu musan nian. Depois semana neen musan to’o desenvolve planta foun. Normalmente Ita ku’u ai-fuan bainira sira kor kafé. Maibe Ita tenke hili planta inan kapaz liu – produsão boot no aifuan boot – atu kuda nu foun diak liu.


Viveiro de coqueiros em Lospalos(foto do autor)

Atu halo nu laran Ita tenke organiza faze rua. Faze uluk Ita halo “kama” nebé nu to’o desenvolve abut ida iha fatin mahan. Iha faze rua Ita lori nu ba saku plastiku kor metan, iha viveiru
Iha faze uluk Ita la bele haluha rega regularmente atu mantén rai bokon. Ita sei hakoi nu 2/3, iha rai- henek. Afoin nu ai-tahan uluk nian sai ami tenke lori nu ba saku 45 x 45 cm, iha viveiru. Sira bele hela iha saku ne’e até fulan 10.
Bainira komesa dia baiudan ami bele lori nu kiik ba to’os. Agora nia sai boot até 80 cm, no to’o idade fulan 6. Atu kuda nu iha to’os ami usa kompasso triangular 8 x 8 m bainira to’os nain hakarak kuda de’it nu laran. Maibe ami bele mós kuda nu ho seluk planta: kakau, kafé, mak gosta nu mahan, xenkié, batar, hudi, ai-kamelin, etc…. (sistema agro-florestal). Iha Baukau to’os nain kuda nu ho haré hamutuk.
90 % nu isin mundial nae hosi kiik to’os. Geralmente, 5 ha área diak atu bele manan osan.
Nu laran halo média 2 – 2,5 t/há/tinan nu isin.


Nu kiik iha Hotel Roberto Carlos - Lospalos. Coqueiros anões no Hotel Roberto _Carlos em Lospalos (foto do autor)

Nu laran hanesan sistema agro-florestal

Nu bele halo importante ecossistema ho barak estabilidade ecológica. Iha nu laran la iha erosaun. Nu tahan protege rai bainira udan forte. Du’ut mos sai boot tanba nu exporta nutriente sira hosi rai kle’na ba superfície. Depois nu sae até 4-5 m ami bele usa du’ut atu carau, carau-vaca, bibi, etc…Balada gosta tebes nu mahan no sira nia metabolismo diak liu bainira loron manas. Du’ut mós halo metabolismo diak liu tanba la halo lenhina. Lenhina molécula aat nuné redus digestibilidade du’ut nian iha balada.


Karau iha nu laran (Aileu). Búfalos no sob-coberto de coqueiros em Aileu (foto do autor)

Iha América do sul no Central to’os nain halo nu laran boot ho karau-vaka iha sob-coberto. Ita hetan sistema né’e ihá Viqueque, maibe ihan’e planta Lantana invade nu. To’os nain tenke sobu lantana ho tractor no trituarador atu haboot nu no du’ut ba balada.

Ami bele mos fo nu isin ba fahi no manu. Nu isin fo mos mina nu, mak hotu nasaun tropikal exporta ba nasaun industrial atu halo sabaun, sabonete, xampô, kosmética, etc….
Depois ema halo mina nu, nu isin tem, importante tebes ba balada han. Nia concentrasaun proteica to’o 20 % proteína bruta. Nia diak lós ba karau vaca halo susuben.


Horta em Metinaro, com coqueiros, bilimbis e palapeiras (foto do autor).

Nu han, nu tahan mós diak atu sunu iha dapur. Bani gosta tebtebes nu ai-funan !
Atu halo copra (nu isin) ba fa’an , to’os nain tenke hakdook nu isin, hamaran durante loron 12-14. Depois hakdook nu isin no lori leten xapa metalica. Iha hokos ami sunu nu kulit. Nu isin tenke lakon bee até 7%.
Iha Dili turista sira gosta emu nu-been. Afoin sira nunka haluha Timor Leste

Origens do coqueiro
O coqueiro é uma palmeira de origem polinésica. Por isso em língua tétum coqueiro diz-se “nu”, tal como na Polinésia e na Nova Guiné se diz “niu”. Nas ilhas Cook também se designa por “nu”. Foi a partir deste centro de irradiação que o coqueiro se expandiu para a Ásia, África e Américas. Nas suas viagens os portugueses conheceram o coqueiro na costa oriental de África e na Índia. De tal modo que esta planta era conhecida em Portugal com “noz da Índia” (Ferrão, 2007). A sua utilidade a bordo dos navios era enorme pois serviam de aprovisionamento de comida e de água. Da Índia os portugueses levaram o coqueiro para Cabo Verde (1545) e daqui para o Brasil.

O coqueiro representa para os povos do Pacífico o mesmo que a oliveira para as populações mediterrânicas. Na Indonésia diz-se que há uma utilização para cada dia do ano. Produz um fruto grande, muito rico em óleo e proteínas. Dele se extrai o óleo e a polpa, que podem ser consumidos directamente ou conservados. Ambos têm grande valor comercial. A polpa seca denomina-se copra e usa-se mundialmente em culinária. O óleo de coco não só tem uso alimentar como também na cosmética, entrando na composição de muitos perfumes, cremes, sabonetes e champôs. Das fibras do coco, fabricam-se cordas, tapetes (o “cairo”), passadeiras e carpetes. A sua casca é material para o fabrico de peças de artesanato e ainda usado como combustível. O tronco dos coqueiros, o espique, é utilizado no fabrico de barcos e casas tradicionais, e para a farinha de sagu. Da seiva produzem-se bebidas alcoólicas. Depois de extraído o óleo, o bagaço resultante pode dar-se aos animais, pois é rico em proteínas.

Características botânicas
O coqueiro, uma planta monocotilédonea, tem grande longevidade pois pode viver mais de 80 anos. Desenvolveram-se variedades anãs, de modo a facilitar a colheita, e que atingem uma altura muito menor .
A planta é monóica, isto é, produz flores masculinas e femininas no mesmo pé. Forma-se um ramo, com apenas 40 a 60 flores femininas e com centenas de flores masculinas. Cada pé produz, assim, até 80 cocos.


NU iha Baukau. Hanessan seluk nasão Ásia nian, iha Timor Leste to'os nain mós kuda nu ho natar hamutuk. Aqui em Baucau, como noutros países asiáticos os agricultores associam o coqueiro ao arrozal (foto do autor)

O fruto do coqueiro é uma drupa fibrosa. Do exterior para o interior, encontra-se sucessivamente:
- uma pele coriácea, o exocarpo
- uma camada grossa de fibras, o mesocarpo
- uma casca muito dura, o endocarpo
- o endospema muito branco e uma grande cavidade cheia de um líquido, a “água de coco”.
Quando o fruto não está ainda maduro o exocarpo é de cor verde. Desde a polinização à colheita, vão 12 meses. Os primeiros frutos surgem quando a planta chega aos 5 ou 6 anos
Como todas as monocotilédoneas, o coqueiro não produz nenhuma raiz aprumada, mas antes um conjunto de raízes, que surgem da base do espique. Estas podem chegar às 4000 e possuem cerca de 1 cm de diâmetro, penetrando até à profundidade de 5 m. Lateralmente atingem os 30 m. As raízes mortas são continuamente substituídas por raízes novas emitidas a partir da base do espique.

Exigências Ecológicas
O clima adequado para esta planta é o tropical, não suportando frios ou geadas. Produz melhor com temperaturas médias anuais de 26 a 27 ºC e com pequenas diferenças entre o dia e a noite. E é isto que determina que o coqueiro não se expanda para o interior, preferindo as zonas litorais, onde o mar atenua as amplitudes térmicas. Esta adaptação ecológica é mesmo levada ao extremo, vegetando esta planta nas areias da praia, absorvendo água salobra. Quando não dispõe de lençóis freáticos necessita de pelo menos 2000 mm de precipitação anual para se desenvolver. Também devido à sua baixa adaptação a grandes variações térmicas, normalmente o coqueiro não vai acima dos 600 m de altitude perto do Equador, e nos outros locais raramente sobe para lá dos 150 m.

Cultivo
O coqueiro só se reproduz por semente. Esta não possui dormência e por vezes começa a grelar ainda no coqueiro. A maior parte leva 6 semanas para germinar.
Para fins reprodutivos colhem-se os cocos quando estes se tornam castanhos, a partir das plantas mais produtivas e de maiores frutos, e estes devem ser rapidamente semeados.
Quando se trabalha com grandes quantidades de sementes usa-se um sistema de duas fases. Na primeira forma-se uma cama de germinação, que permite escolher as sementes que germinam mais rapidamente. Na segunda fase, ou viveiro propriamente dito, as plantas desenvolvem-se até um tamanho que lhe permita passarem para o campo.
A primeira fase deve decorrer à sombra, para evitar a desidratação dos cocos. Já no viveiro as plantas podem apanhar mais sol e cultivam-se em sacos ou outros contentores.


Viveiro de coqueiros numa rua de Lospalos, na primeira fase de germinação. Nu cama nian iha Lospalos (foto do autor)

Na fase de germinação, os cocos enterram-se até 2/3 em regos feitos em areia ou outro solo com boa drenagem (foto). Ao fim de 8 semanas 75 a 80 % dos cocos já germinaram. Nesta fase é importante nunca faltar com a rega, que deve ocorrer em dias alternados.
Os cocos germinados são levados para o viveiro. Esta operação ocorre quando surge uma folha completamente desenvolvida, normalmente com forma de orelha de coelho. No viveiro, os cocos grelados são enterrados até 2/3, em vaso, sacos ou directamente no solo, em camalhões. Usam-se geralmente sacos em polietileno negro com 45 x 45 cm, que podem conter a planta durante 10 meses.

A plantação em local definitivo faz-se no início da estação das chuvas, quando a planta atinge cerca de 80 cm, tem 6 meses e apresenta 6 a 8 folhas. O compasso mais indicado é de 9 x 9 m, numa disposição em triângulo.
90 % da copra consumida mundialmente vem de pequenas quintas familiares, considerando-se 5 há como a área mínima de produção rentável. Nestas hortas, associa-se geralmente o coqueiro a culturas como o taro, o cacaueiro ou o cafeeiro. Em Timor Leste é vulgar encontrarmos o coqueiro associado aos arrozais, como um pouco por todas as zonas baixa do Sudeste asiático. Com isto aumenta-se bastante a rentabilidade e segurança alimentar da exploração. Um coqueiral em produção origina em média 2 a 2,5 t/ha de copra por ano.

O coqueiro nos sistemas agro-florestais costeiros
Para além das utilizações já referidas, esta planta pode ainda fornecer vários materiais ou serviços, e beneficiar os ecossistemas cultivados.

As fibras e as cascas, depois de sofrerem compostagem, originam uma matéria orgânica que se pode usar para enriquecer o solo ou como meio de cultivo em vasos.

Os coqueiros fornecem sombra a outras culturas que se instalam no seu sob-coberto, como o cafeeiro e o cacaueiro e as hortícolas.

É uma das plantas mais resistentes ao vento, e pode ser cultivada como cortina corta-vento.

É uma planta adequada para a silvopastorícia, tendo este sistema se expandido um pouco por todo o mundo, desde as Filipinas à Costa Rica. O gado é criado na sombra dos coqueiros, onde a pastagem que se desenvolve beneficia da matéria orgânica produzida pelo coqueiral (folhas, cocos, raminhos, etc…) e da sombra. Estas pastagens tendem a lenhificar menos e a manter a sua digestibilidade. Este sistema encontra-se em algumas zonas de Timor (Aileu, Viqueque, etc…) e deveria ser incrementado. Mas algumas destas áreas estão severamente invadidas por lantanas, que deverão ser destruídas por meios mecânicos (roça-mato).

Os cocos podem ser partidos e fornecidos aos porcos e às aves. Depois de retirar o óleo, o bagaço de coco tem 20% de proteína bruta e 6 a 7 % de óleo, sendo excelente para a alimentação animal.
As cascas dos cocos, os ramos, as folhas secas são uma contínua fonte de combustível para uso doméstico, o que permite poupar as árvores da floresta natural.

Os coqueiros podem ser usados para estabilizar ecologicamente zonas costeiras arenosas.

As abelhas, que são as principais polinizadoras desta espécie, produzem a partir das flores, disponíveis praticamente todo o ano, um excelente mel.

É uma palmeira de grande valor ornamental e de crescente utilização em parques, jardins e hotéis.

Processamento da copra ao nível das explorações
A produção da copra é uma operação simples, e permite ao agricultor aumentar o valor da cultura. Basicamente o sistema consiste em secar a polpa do coco sobre uma plataforma, debaixo da qual se acende uma fogueira feita com as cascas dos próprios cocos. Para se retirar a polpa cortam-se as nozes ao meio, pondo-se de seguida a secar durante 10 a 12 dias. A polpa seca separa-se então facilmente da casca, e através do sistema referido é seca até atingir 7 % de humidade.
De referir, que com os restos das cascas se produz um carvão de razoável qualidade.
Aparentemente, Timor tem boas condições para produzir copra e óleo em modo de produção biológico ao nível de suco.
Em Baucau existem produtores de sabonetes que também usam óleo de coco local.

Para saber mais:
A aventura das plantas. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2007.
Fruticultura Tropical. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2005. (obra que pode encontrar na Biblioteca da Fundação das Universidades Portuguesas na Universidade Nacional de Timor Lorosa'e).

domingo, maio 17, 2009

Sândalo: o petróleo verde de Timor.

Nomes vulgares do sândalo
Tétum: ai-kameli
Inglês: sandalwood, sandal tree
Português: sândalo, sândalo branco
Indonésio: cendana

O sândalo é uma árvore de folha perene e que pode crescer até aos 20 m. Tem casca castanha escura, encarniçada, por vezes quase negra. As árvores novas apresentam a casca lisa mas nas velhas surgem rasgos mais ou menos profundos. As folhas são ovais a ovais- elípticas, verde brilhante e sem pêlos. As flores são pequenas e vermelhas ou violetas e sem aroma. O fruto é uma pequena drupa com cerca de 1 cm de diâmentro, vermelha, quase negra quando completamente madura. No centro encontra-se um caroço ou semente.
O borne ( a zona do tronco que está sob a casca) é branco, leve e sem cheiro. O cerne é amarelo claro e fortemente aromático. A madeira tem grão fino, sem desenhos nem brilho.



Sândalo: raminho com folhas e frutos (foto do autor)

Distribuição geográfica
O sândalo é uma espécie de árvores com origem em Timor. Pertence à divisão Magnoliophyta do reino das plantas, à classe Magnoliopsida , à ordem das Santalales e à família das Santalacea. São árvores da mesma classe da das magnólias.
Encontraram-se já mais de 50 espécies de sândalos.
Hoje em dia o Santalum album existe em estado selvagem ou plantada em muitos países asiáticos: China, Índia, Indonésia, Filipinas, Austrália. Também nas ilhas do Oceano Pacífico se planta esta e outras espécies de sândalo. Na Índia, a área ocupada pela espécie espontaneamente encontra-se em expansão e a maior parte do óleo produzido é feito a partir destes exemplares selvagens. Na Austrália cultiva-se o S. album e o S. spicatum. Na Indonésia, tal como em Timor-Leste, o sândalo sofre com os incêncios florestais, a exploração excessiva, o sobrepastoreio e a agricultura itinerante, encontrando-se as populações naturais seriamente ameaçadas.



Sândalo adulto (foto do autor)

Exigências ecológicas
É uma planta que se encontra principalmente nas florestas de folha caduca das zonas tropicais do sul da Ásia. A planta é parasita e por isso precisa de uma árvore hospedeira que lhe forneça os principais sais minerais.As aves são essenciais para espalharem as sementes na natureza.
É uma espécie exigente em luz e que facilmente é dominada e eliminada pelas outras árvores de crescimento mais rápido.
Em Timor surge nas encostas mais secas e próximas do mar, até aos 1200 m. Nestas zonas a precipitação média anual é inferior a 1500 mm, e a duração da estação seca pode ultrapassar os 6 meses.


Ravinas do Subão. Um bom local para plantar sândalo e ai-kafé.(foto do autor)

Utilizações
A madeira é usada em mobiliário e no artesanato, em objectos artísticos e de adorno. Usa-se a serradura para fazer paus de incenso. Extrai-se o óleo por destilação, fervendo-se a madeira em caldeiras. Este óleo é depois usado em perfumaria e no fabrico de medicamentos. Na Índia é usado desde a Antiguidade no fabrico de imagens religiosas, em paus aromáticos e na cremação dos indivíduos das castas mais altas. Os povos da Insulíndia usavam untar o corpo com uma pasta à base de serradura de sândalo.
Cultiva-se nos jardins, como planta ornamental.

Cultivo do sândalo
O sândalo pode ser usado muito eficientemente em sistemas agro-florestais. Ruy Cinatti recomenda mesmo o seu cultivo nas hortas de Timor Leste, em associação com o milho. Isto porque o sândalo é uma árvore pequena e que faz pouca sombra às culturas do sob-coberto.

Recolha das sementes
Para se recolher as sementes de sândalo devemos esperar que os seus frutos fiquem bem maduros, isto é quando a sua cor passa a azul escuro (ver foto). A polpa do fruto deve ser retirada rapidamente esfregando-os contra a rede de uma peneira ou passador. De seguida seca-se a semente. Se possível aplica-se um fungicida como o Benlate. Guarda-se a semente num local fresco e seco, nunca dentro de um saco de plástico, onde lhes faltaria oxigénio. Na parte de baixo de um frigorífico pode aguentar-se um ano.

Sementeira
Para semear usa-se uma caixa com uma mistura de areia e matéria orgânica bem decomposta, como por exemplo, o húmus que encontramos sob as folhas de baixo das árvores. Antes de enterrar a semente podemos esfregá-la um pouco contra uma lixa fina, de modo a facilitar a entrada de água e acelerar a germinação. Esta operação não pode atingir o interior da semente e o embrião. Coloca-se depois a semente no solo de modo que um terço fique de fora. A germinação pode levar 10 dias ou mais. Mantenha-se o solo húmido mas não encharcado, e num local fresco.

Emergência
Após a emergência, transfere-se cuidadosamente a plantinha para um pequeno vaso ou saco. Ao mesmo tempo plante outra planta com o sandalozinho. Este desenvolverá as suas raízes juntamente com as da companheira, começando a extrair desta muitos dos nutrientes de que precisa. A planta companheira deverá ser preferencialmente dos géneros Capsicum (ai-manas, pimento), Altenanthera, Lantana câmara ou Desmodium.
As plantas devem ser mantidas à sombra durante várias semanas, sem nunca se lhes faltar com a rega. Os vasos devem ser suficientemente grande de modo a evitar que as raízes se enrolem e enovelem. Quando chegam aos 30 cm de altura, cerca de 8 meses depois da sementeira, os sândalos estão prontos para serem plantados.

Plantação
As árvores mais valiosas, isto é, de madeiras mais ricas em óleos odoríferos, desenvolvem-se nos solos mais secos e delgados, sujeitos a secas, e onde beneficiam de alguma sombra de árvores mais altas, que também os ajuda a crescerem direitos e ramificarem pouco. Nos solos mais ricos, como os das várzeas das ribeiras, o sândalo desenvolve-se luxuriantemente mas acumula pouca madeira e pouco óleo.
O sândalo pode ser plantado numa horta, ou então em plantações com compasso de 5 x 5 m. O gado adora comer as folhas dos sândalos, por isso devemos vedar o terreno convenientemente. Entre os sândalos devem-se plantar árvores leguminosas como a leucena ou ai-café (que dá folhas e vagens para o gado), a tephrosia, a albizia (ai-samtuco, Paraserinates falcataria), a turis (Sesbania spp), acácias (a Acácia mangium ,por exemplo, uma boa espécie para a produção de madeira). Também a casuarina ou ai-kakeu, que também fixa azoto e dá lenha para a cozinha, e já se usa em Timor para dar sombra aos cafézeiros, é adequada. A plantação ficará finalmente com um compasso de 2,5 x 2,5 m.
Abrem-se covas com 40x40x40 cm. Regam-se os sândalos ainda envasados para facilitar a saída do torrão, Quando em sacos, cortam-se estes para facilitar a saída da planta. Planta-se depois com o máximo de cuidado procurando não desfazer o torrão, e coloca-se a terra em volta com cuidado. Fazer a limpeza das ervas todos os anos, com enxada ou catana. Na época seca regar uma vez por semana, enquanto a raiz das árvores não se desenvolver completamente.
Ruy Cinatti defendia a sementeira directa no terreno. Neste caso as espécies hospedeiras já devem estar bem desenvolvidas.


Ovinicultura em Baucau. O gado e os sândalos jovens são incompatíveis.(foto do autor)

Manutenção
As árvores devem ser mantidas livres de infestantes . Procede-se à poda de formação, tal como no caso da teca (ver foto na publicação anterior), usando uma tesoura de podar ou serra bem afiada, e fazendo cortes bem rentes ao tronco principal, desramando o terço inferior da árvore.


Vedação feita de Cactos em Laga. Simples e funcional.(foto do autor)

Colheita
O sândalo pode ser colhido entre o 18 e os 30 anos. O fendilhamento da casca é considerado um bom indicativo de que a árvore pode ser cortada. Todavia as árvores maiores e mais velhas produzem muito mais óleo e são muito mais valiosas. Na colheita arrancam-se também as raízes principais, que são ainda mais ricas em óleo. As árvores de 30 anos produzirão cerca de 50 kg de lenho, com 4-10% de óleo. Depois dos 15 anos um sândalo acumula 1 kg de lenho por dia.


Tephrosia: raminho com flores e vagens (foto do autor)

Replantação
Se bocadinhos de raízes ficarem agarrados à terra, a árvore regenera-se facilmente por rebentação. Mas, geralmente, esta segunda árvore desenvolve-se pouco. Assim o melhor é replantar, usando sementes das melhores árvores . Muitos agricultores ficam nas suas hortas com muitos sândalos que nascem a partir das sementes dos sândalos adultos. Pode fazer-se um desbaste, sendo as plantas em excesso arrancadas com a raiz e se possível com o torrão de terra envolvente, envasadas, e vendidas no mercado a outros agricultores.

Excerto do folheto “Eu aposto no sândalo” da Cooperação Agrícola Portuguesa em Timor (2006):

Timor Leste ai kameli no floresta
Ai ho ema, floresta ho sosiedade sempre iha ligasaun ba malu.
Timor Leste naran bo’ot no nia historia floresta nian, liu-liu ho ai Kameli. Historia rai ida ne’e nian iha ligasaun ho Ai Kameli nia morin.

Desflorestasaun nebe acontese ona iha Timor Leste, sei sai hanesan difikuldade bo’ot ida ba Timor oan tomak iha futuro.


Ai kakeu bele fo mahan ba ai kameli. Iha ne'e ai kakeu iha Leksala (letfoho) fo mahan ba kafé. Ai kakeu diak tamba fo sunu ai maran no fo nitrogénio ba rai.
As casuarinas também fixam azoto. Aqui , em Leksala, também dão sombra ao café.
(foto do autor)

Tamba se laiha floresta sei laiha:
- Bé ho qualidade no quantidade;
-Rai nia bokur;
- Ai hodi halo uma ka konstusaun;
- Ai hodi sunu;
- Ambiente nebe mak diak;
- Seguransa ai-han nian.

No tamba floresta hanesan rekurso importante ida, nebe ita bele renova fila fali (rekurso renovável), entaun mai ita hamutuk halo fila fali Timor Leste hanesan nasaun floresta ida.
Jovens sira iha nasaun foun ida ne’e, maka sei konserva floresta nebe sira nia inan ho aman husik hela no kuda fila fali ai oan atu sai hanesan floresta ba sira nian oan.

Oin Sá maka hau bele ajuda floresta Timor Leste ?

Ita ema ida-idak bele ajuda floresta iha Timor Lese se:
- Proteze no konserva ita nian floresta;
- Kuda ai horis;
- Kuidado no fo tempo ba ai oan sira atu moris;
- Konserva ai nebe iha valor hanesan Ai Kameli, Ai Na, Ai Besi, Ai Teca, Ai Mahoni no ai sira seluk tan
- Labele sunu floresta (ai laran);
- Sunu ai maran tuir necessidades;
- Hamenus halo to’os nebe muda ba mai

Oin sa atu kuda Ai Kameli ?

- Ke’e rai kuak ho nia luan 40 cm, naruk 40 cm no klean 40 cm ;
- Rega atu bele facilita rai iha plastiko laran la rahun wain hira hasai ai oan atu kuda. Koa plastiko no hasai ai oan ho rai kafuak hosi plastiko
- Kuda ho didiak (kuda ho kuidado)
- Tau rai ba koak ho didiak
- Kuda Ai Kameli ho distansia 2,5 m ho Ai Kamei ida seluk no iha Ai Kameli sira nian klaran kuda hospedeiro (ai nebe fo suporta ba Ai Kameli)
- Hamos duut sira nebe besik iha Ai Kameli oan sira
- Iha tempo bai loron, rega semana ida dala ida

Se precisa informasaun, ruma kontakto ho:

Programa de Apoio ao Desenvolvimento rural em Timor Leste
Cooperação Agrícola Portuguesa. Caicoli – Dili

Ministério da Agricultura , Florestas e Pescas. Caicoli –
Dili

Bibliografia
Reconhecimento de Timor. Ruy Cinatti, 1950.
Pacific Agroforestry-An information kit. CTA, 1999.

segunda-feira, maio 04, 2009

Palmeiras de Timor: a tuaqueira (Arenga pinnata)

Já nos referimos anteriormente à tali metan (tali negra), como uma das "árvores" providenciais de Timor Leste. Dá muito, em troca de nada. As fibras negras que envolvem o espique, o gamuti, e que os timorenses usam na cobertura das casas tradicionais, também eram usadas pelos navegadores nas cordas das embarcações, sendo uma das fibras que mais resiste à água do mar. Há notícias de plantações destas palmeiras em Malaca exclusivamente para este fim. Mas a tali metan dá sobretudo a tuaca, a sua seiva, que é um líquido doce e com algum álcool, que se bebe mesmo sem fermentar. Destilando a tuaca obtém-se a tua sabu, uma aguardente. Por acidificação acética a tuaca transforma-se em tua sin, um vinagre. Mas a partir da tuaca também se obtém o famoso açúcar de palma, que já referi na publicação anterior, muito consumido em todo o sudeste asiático. E tudo isto a partir de uma planta que em Timor raramente é cultivada.
Mas o mais interessante é observar a forma engenhosa como os timorenses sangram as tali metan e fazem canalizar a seiva através de bambús para dentro de depósitos plásticos. Na foto de baixo, podemos ver uma destas árvores "canalizadas" e que eu encontrei num dos meus muitos passeios por Dare e pelos seus palmares de talis metan.
Seria importante estudar a utilização deste vinagre de palma de Timor Leste, facilmente produzido pelos agricultores, na conservação de alimentos, à maneira dos pikles.

sábado, março 21, 2009

Ai teka (Tectona grandis)

Bainhira Ita pasiar kona tassi-mane Ita sei haré ai boot ho tahan boot tebes. Ita haré ai teka (Tectona grandis) ka ai tahan mean. Ai ne’e gosta tasi-mane nia rai, tanba nia bele sai boot ninia abut sira. Nia hakarak liu rai aas ho barak fertilidade. Mós klima tassi-mane nian diak liu atu kuda ai-teka: klima tropikal manas ho kiik bailoron, to’o 1300 m . Nia mai hosi rai Sudeste Asiátiko : Índia, Birmânia, Tailândia ka Vietnam. Uluk missionáriu sira hodi ona ai teka ba Timor.
Ai teka sai boot até 25-50 m. Tahan monu durante bailoron. Ai-sanak ho ai-funan to’o 40 cm. Barak ai-funan kiik kor kinur-mutin ho ponto rosa. Ai-Teka nia aifuan hanessan drupa cilíndrica kor kafé. Ida-ida ai-fuan heli musan haat Ai kor mean nabilan furak tebes. Europa no Améria sosa barak ai atu halo kadeira, meza, no ekipamento ba jardin, tanba udan la halo aat ba teka. Ninia célula sira halo síntese tectoquinona, substansia química sara netik bé. Tahan ben fo kor mean ba hena. Ita bele mos kuda ai-teka iha jardin tanba ninia tahan sira fo mahan boot.
Principal país katak exporta ai-teka: Birmânia, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnam, Indonésia, Camarões, Nigéria no Brasil.


Tecas na floresta primária de Loré

Kuda ai-teka la susar. Atu kuda hectare ida Ita presiza kilu haat ai-fuan. Ami la bele haketak musan hosi ai-funan. Ita tenke luku funan iha mota kiik durante 24-48 oras. Depois Ita hakoi funan iha substracto ho rai-henek no kompostu. Tiha-ona Ita haroo no taka ho plastiku metan durante 96 oras. Ita sei muda ai-teka kiik ba saku ka vaso ho rasik substractu. Kuandu planta to’o 3-4 fulan Ita bele kuda sira iha to’os bainhira komesa baiudan. Distansia klaran ai-teka: 3 x 2 m.
Sei hanali aihoris atu bele ai diak. Ema hanali sanak sira iha balun okos ai-teka nian (foto).


Teca depois de feita a poda de formação (Brigada Agrícola de Gleno)

Iha Timor-Leste, hanessan distrito Viqueque, to’os-na’in tenke hamenus numer ai-teka iha hectare atu ai-teka sai boot diak liu.


Viveiro de tecas em Triloka (Baucau)


Tecidos em seda corada com seiva de teca (à direita). Fábrica de seda de Triloka, Baucau.

sábado, fevereiro 14, 2009

A Meda (Phalanger orientalis)

A Meda (Phalanger orientalis)

Meda animal marsupial kiik hosi ai laran Timor Leste nian. Nia moris mós iha ai laran loron sae Indonésia nian . Ema lori ona meda hosi Nova Guiné ba Timor Leste iha pré-história, iha 6500 tinan.
Ami bele hare meda iha ai laran sira, maibe nia mos gosta to’os sira, nebe’e meda han aifunan. Ema mussulmano la bele duni meda. Maibe, iha Nova Guiné, Nusa Molukas, Timor, meda importante tebes tamba nia fo proteínas ba ema nia hahan.
Iha Dili normalmente Ita bele hetan mane sira mak fa’an meda.
Meda todan até 4,5 kilu, maibe normalmente kala 2 kilu. Nia ikun boot tebes, léet 28-42 cm. Meda aman nia ikun hotu mutin. Ninia fulun hanessan bibi malae fulun.
Meda oan léet 1 ba 3. Oan ida mate durante susu. Meda namora hori Junho to’o Outubro. Animal ne’e toba durante loron. Durante kalan meda han ai-tahan no aifuan. Masik meda la’o neineik , bainhira ema duni sira la’o lalais no haksoit.
Ami tenke estuda meda nia numer iha Timor Leste. Iha seluk nusa sira besik Timor ema lalika hanoin barak kona numer meda nian.





Meda sira iha Lospalos nia básar/ Medas à venda num mercado de Lospalos

A meda é um marsupial que vive nas árvores das florestas de Timor. Também pode ser encontrado nas ilhas da Indonésia vizinhas de Timor, das Molucas à Nova Guiné. Aparentemente foi introduzido em Timor pelos seres humanos há 6500 anos, a partir da Nova Guiné. A meda pertence à mesma ordem animal do koala, os diprotodontia.
O nome científico da meda é uma alusão ao facto de ter duas falanges de cada pata unidas por uma prega de pele, que o animal usa para se pentear.
Podemos encontrar este animal nas florestas primárias de Loré ou Jaco, nas florestas secundárias de toda a ilha e até nas hortas e pomares. Este animal tem uma sorte particular nas zonas muçulmanas da Indonésia, pois aqui a religião interdita a caça da meda. Nas outras regiões, é parte importante da alimentação dos povos desde os tempos pré-históricos, fornecendo proteínas animais a uma alimentação que normalmente é carente nestes nutrientes.
A meda domestica-se com uma certa facilidade e pode também ser criada como animal de companhia. Em Dili é frequente encontrarmos medas à venda nas ruas. São transportados numa vara comprida que um homem leva ao ombro, e onde a meda se agarra desesperadamente.
Estes animais podem pesar até 4,5 kg, mas normalmente o seu peso ronda os 2 Kg. Tem uma longa cauda de 28 a 42 cm, com que se agarra às árvores, sendo desprovida de pêlos na extremidade. As caudas dos machos são completamente brancas. O pêlo das medas é grosso e semelhante à lã. Nos machos adultos a cor varia entre o branco e o cinzento escuro. As fêmeas apresentam pelagem castanha ou castanha acinzentada e ambos os sexos possuem uma lista escura dorsal entre o pescoço e a cauda. As crias são de cor castanho-avermelhada. A bolsa marsupial das fêmeas contém quatro mamilos. As patas são particularmente características, pois os dedos são oponíveis como nos seres humanos.



Medas fumados num mercado de Lospalos / Meda ho suar iha LOspalos nia básar

O número de crias varia entre 1 e 3, normalmente 2. Geralmente morre uma cria durante a amamentação. A época reprodutiva ocorre entre Junho e Outubro.
Estes animais são nocturnos, passando o dia escondidos nos buracos das árvores. À noite deslocam-se pelas copas consumindo frutos e folhas. Apesar de se deslocarem com lentidão, se perseguidos pelos caçadores dão grandes saltos de árvore para árvore.
Aparentemente esta espécie não se encontra ameaçada de extinção.