quarta-feira, dezembro 02, 2009

Os bovinos de Timor-Leste

A principal raça de bovinos existente em Timor-Leste é a raça Balinesa. Estes são animais da espécie Bos javanicus (boi de Java) ou Bos banteng (banteng é o nome vulgar destes bovinos em inglês). São diferentes dos outros bovinos das zonas tropicais, os zebus, da espécie Bos indicus (literalmente "boi da India"), e ao contrário destes não apresentam bossa. Os bovinos das zonas temperadas, como todas as raças existentes em Portugal, são ainda de outra espécie diferente, o Bos taurus.


Vaca balinesa em Railako/Karau-vaca ida iha Railaku.

Os bovinos balineses são animais extremamente rústicos, de pequena estatura, resistentes às doenças e às agruras das prolongadas estações secas que se registam em Timor. Nesta estação do ano, estes bovinos conseguem alimentar-se do capim seco e das folhas das árvores. Também são suplementados com palha de milho e restos das hortas.


Manada de balinesas em pastoreio numa savana de Totuala durante a estação seca(repare-se na cor cinzenta do touro, á direita na foto)

Estes animais existem só em Timor e em algumas ilhas da Indonésia, muitas vezes em estado selvagem. A sua principal produção é a carne e não são ordenhados. A maior parte dos criadores possui um ou dois animais, que faz pastar nos baldios, presos por uma corda a uma estaca ou a uma árvore. Mesmo no interior da cidade de Dili podemos passar por um destes belos animais. Noutras zonas, como na ponta Leste (Lautem) ou Batugadé, encontramos grupos maiores de balinesas, com algumas manadas de várias dezenas de indivíduos. Na costa sul podemos encontrar a criação de bovinos associada aos coqueirais. A produção de bovinos balineses tem também grande importância em Oekusse.


Tassitolo (Dili): suplementação de vacas balinesas com palha de milho, durante a estação seca.
Batar du'ut maran ba karau-vaca durante bailoron, iha Tassitolo (fulan Maio).

As vacas têm cor canela e nos touros a pelagem adquire um tom cinzento, quase negro. Os cornos são escuros, pequenos e brilhantes, e nas nádegas exibem uma mancha branca. As extremidades dos membros até às unhas são também brancas.


Engorda de vitelas balinesas em feed-lot, na Missão Lopes, em Dare. Neste feed-lot a água das lavagens com o chorume e o estrume, cai por gravidade para um terraço com capim elefante e caliandras, localizados ao lado e numa cota inferior. Eis uma excelente maneira de reciclar os nutrientes e a água.
Karau-vaca oan iha Dare (Missão Lopes). Bainira ema hamoos, be ho karau vaca tem no min monu ba to'os ho du'ut ba karau-vaca. Hanessan, sira bele halo reciclagem be no nutrientes nian.

Nunca é de mais salientar a importância estratégica da criação de gado em Timor-Leste. Com a criação de gado podemos:
- ter mais carne e melhorar a alimentação da população, que é extremamente deficitária em proteínas animais;
- exportar vitelos e fazer entrada de divisas no país. Muitos dos vitelos da raça balinesa em Timor são vendidos para a Indonésia onde são recriados (engordados);
- obter estrume para as hortas, e desta maneira acabar com a agricultura de abate e queimada, que destrói o solo, as florestas e o ecossistema.


Karau-vaca iha nu laran hosi Viqueque. Vaca balinesa num coqueiral de Viqueque.

Para fomentar a produção bovina em Timor Leste torna-se necessário:
- melhorar os cuidados veterinários;
- melhorar a alimentação na estação seca, recorrendo à plantação de bancos de proteínas, parcelas de terreno densamente plantadas com ai-kafé (Leucaena leucocephala), turis (Sesbania grandiflora), marungi (Moringa oleifera), etc…
- promover a produção de pastagens à base de gramíneas de bom potencial forrageiro como o capim elefante (Penissetum purpureum) , o milho-pérola (Penissetum glaucum), etc…
- promover a constituição de “feed-lots”, em explorações de agricultores especializados na compra de vitelos e sua recria em ambiente confinado, tendo em vista o mercado interno e a exportação;
- melhorar a raça balinesa, escolhendo para reprodutores os touros mais bem conformados e produtores de carne.
- criar matadouros dotados de boas condições de higiene e vias de acesso.


Sesbania grandiflora (variedade de flores vermelhas)- Ai turis (Sesbania grandiflora)ho ai-funan mehan. Ami bele fo nia ba balada han.


Tahan, ai-funan no ai-fuan Marungi (Moringa oleifera) nian: diak los ba ema ka balada.

(Todas as fotos do autor)

quinta-feira, setembro 24, 2009

NU : utilizasaun ida loron-loron

O COQUEIRO: uma utilização para cada dia do ano

Nu (Cocos nucifera) planta ida mak mae ona hosi Polinésia. Nune’e iha Polinésia no Nova Guiné ema hatetene “niu. Iha Ilhas Cook ema hatetene mos “nu”. Hosi Polinésia, ema lori ona nu ba Ásia, Áfrika no Amérika sira. Durante sira nia viajen Portugal oan hare ona nu iha Índia. Iha Portugal nia ro laa nu util barak, tanba fo hahan ( nu isin) no nu kutak. Hosi India Portugal oan sira lori nu ba Cabo Verde (1545) no hosi iha né’e ba Brasil.

Iha Indonésia ema hatetene Ita bele hetan utilizassaun ida ba tinan ida-ida loron. Nu ai-fuan boot tebes, ho mina barak no proteína. Valor comercial nu koin nian boot tebes. Valor comercial Nu mina boot tebes mos. Ho nu mina ema halo sabonete, xampô, aimoruk sira, mina-morin. Ho nu fibras nian ami halo talin, sapatu, karon, karpete, tapete, etc... Ita sunu nu kulit atu te’in. Ita bele mos halo kanuru, bikan, etc… Ho Nu ai knotak hema halo ro, uma no akar.

Nu botanika nian
Nu bele moris até 80 tinan. Tékniku sira desenvolve ona variedade kiik, atu bele kaer nu fasilmente. Planta ne’e monóika tanba ami bele hetan ai-funan aman no inan iha planta ida-idak. Nu ida bele fo até 80 ai-fuan sira durante tinan ida..
Nu aifuan nian naran butaniku “drupa”. Hosi kulit ba klaran ami bele hetan :
- kulit ida forte tebes ka exokarpu
- lahan sira, ka mesokarpu
- kakun ida tos tebes ka endokarpo
- nu isin ka endosperma
Bainira aifuan ainda matak exokarpo kor matak mós. Nu fo ai-fuan uluk bainira to’o tinan 5-6.
Hanessan hotu monokotilédoneas (batar, hudi, trigu, etc…) nu la iha abut ida boot. Ninia abut sira hanessan fuuk bua saren. Sira bele to’o numer 4000 ho 1 cm diametru. Sira bele sai boot até 5m iha rai. Bainira abut ida mate nu háhu desenvolve abut foun.

Nu ekologia nian
Nu mesak moris iha klima tropikal. Nia sei mate bainira ami kuda nia iha foho ka Europa. Nu la gosta temperatura oin-seluk loron/kalan. Temperatura diak: 26 -27 ºC. Nune’e, Ita la bele hetan nu dook hosi tasi. Iha foho nia nafatin moris até 600 m. Nu presiza 2000 mm udan atu desenvolve diak.

Nu’u sa maka Ita bele kuda nu ?

Atu kuda nu Ita usa nu musan nian. Depois semana neen musan to’o desenvolve planta foun. Normalmente Ita ku’u ai-fuan bainira sira kor kafé. Maibe Ita tenke hili planta inan kapaz liu – produsão boot no aifuan boot – atu kuda nu foun diak liu.


Viveiro de coqueiros em Lospalos(foto do autor)

Atu halo nu laran Ita tenke organiza faze rua. Faze uluk Ita halo “kama” nebé nu to’o desenvolve abut ida iha fatin mahan. Iha faze rua Ita lori nu ba saku plastiku kor metan, iha viveiru
Iha faze uluk Ita la bele haluha rega regularmente atu mantén rai bokon. Ita sei hakoi nu 2/3, iha rai- henek. Afoin nu ai-tahan uluk nian sai ami tenke lori nu ba saku 45 x 45 cm, iha viveiru. Sira bele hela iha saku ne’e até fulan 10.
Bainira komesa dia baiudan ami bele lori nu kiik ba to’os. Agora nia sai boot até 80 cm, no to’o idade fulan 6. Atu kuda nu iha to’os ami usa kompasso triangular 8 x 8 m bainira to’os nain hakarak kuda de’it nu laran. Maibe ami bele mós kuda nu ho seluk planta: kakau, kafé, mak gosta nu mahan, xenkié, batar, hudi, ai-kamelin, etc…. (sistema agro-florestal). Iha Baukau to’os nain kuda nu ho haré hamutuk.
90 % nu isin mundial nae hosi kiik to’os. Geralmente, 5 ha área diak atu bele manan osan.
Nu laran halo média 2 – 2,5 t/há/tinan nu isin.


Nu kiik iha Hotel Roberto Carlos - Lospalos. Coqueiros anões no Hotel Roberto _Carlos em Lospalos (foto do autor)

Nu laran hanesan sistema agro-florestal

Nu bele halo importante ecossistema ho barak estabilidade ecológica. Iha nu laran la iha erosaun. Nu tahan protege rai bainira udan forte. Du’ut mos sai boot tanba nu exporta nutriente sira hosi rai kle’na ba superfície. Depois nu sae até 4-5 m ami bele usa du’ut atu carau, carau-vaca, bibi, etc…Balada gosta tebes nu mahan no sira nia metabolismo diak liu bainira loron manas. Du’ut mós halo metabolismo diak liu tanba la halo lenhina. Lenhina molécula aat nuné redus digestibilidade du’ut nian iha balada.


Karau iha nu laran (Aileu). Búfalos no sob-coberto de coqueiros em Aileu (foto do autor)

Iha América do sul no Central to’os nain halo nu laran boot ho karau-vaka iha sob-coberto. Ita hetan sistema né’e ihá Viqueque, maibe ihan’e planta Lantana invade nu. To’os nain tenke sobu lantana ho tractor no trituarador atu haboot nu no du’ut ba balada.

Ami bele mos fo nu isin ba fahi no manu. Nu isin fo mos mina nu, mak hotu nasaun tropikal exporta ba nasaun industrial atu halo sabaun, sabonete, xampô, kosmética, etc….
Depois ema halo mina nu, nu isin tem, importante tebes ba balada han. Nia concentrasaun proteica to’o 20 % proteína bruta. Nia diak lós ba karau vaca halo susuben.


Horta em Metinaro, com coqueiros, bilimbis e palapeiras (foto do autor).

Nu han, nu tahan mós diak atu sunu iha dapur. Bani gosta tebtebes nu ai-funan !
Atu halo copra (nu isin) ba fa’an , to’os nain tenke hakdook nu isin, hamaran durante loron 12-14. Depois hakdook nu isin no lori leten xapa metalica. Iha hokos ami sunu nu kulit. Nu isin tenke lakon bee até 7%.
Iha Dili turista sira gosta emu nu-been. Afoin sira nunka haluha Timor Leste

Origens do coqueiro
O coqueiro é uma palmeira de origem polinésica. Por isso em língua tétum coqueiro diz-se “nu”, tal como na Polinésia e na Nova Guiné se diz “niu”. Nas ilhas Cook também se designa por “nu”. Foi a partir deste centro de irradiação que o coqueiro se expandiu para a Ásia, África e Américas. Nas suas viagens os portugueses conheceram o coqueiro na costa oriental de África e na Índia. De tal modo que esta planta era conhecida em Portugal com “noz da Índia” (Ferrão, 2007). A sua utilidade a bordo dos navios era enorme pois serviam de aprovisionamento de comida e de água. Da Índia os portugueses levaram o coqueiro para Cabo Verde (1545) e daqui para o Brasil.

O coqueiro representa para os povos do Pacífico o mesmo que a oliveira para as populações mediterrânicas. Na Indonésia diz-se que há uma utilização para cada dia do ano. Produz um fruto grande, muito rico em óleo e proteínas. Dele se extrai o óleo e a polpa, que podem ser consumidos directamente ou conservados. Ambos têm grande valor comercial. A polpa seca denomina-se copra e usa-se mundialmente em culinária. O óleo de coco não só tem uso alimentar como também na cosmética, entrando na composição de muitos perfumes, cremes, sabonetes e champôs. Das fibras do coco, fabricam-se cordas, tapetes (o “cairo”), passadeiras e carpetes. A sua casca é material para o fabrico de peças de artesanato e ainda usado como combustível. O tronco dos coqueiros, o espique, é utilizado no fabrico de barcos e casas tradicionais, e para a farinha de sagu. Da seiva produzem-se bebidas alcoólicas. Depois de extraído o óleo, o bagaço resultante pode dar-se aos animais, pois é rico em proteínas.

Características botânicas
O coqueiro, uma planta monocotilédonea, tem grande longevidade pois pode viver mais de 80 anos. Desenvolveram-se variedades anãs, de modo a facilitar a colheita, e que atingem uma altura muito menor .
A planta é monóica, isto é, produz flores masculinas e femininas no mesmo pé. Forma-se um ramo, com apenas 40 a 60 flores femininas e com centenas de flores masculinas. Cada pé produz, assim, até 80 cocos.


NU iha Baukau. Hanessan seluk nasão Ásia nian, iha Timor Leste to'os nain mós kuda nu ho natar hamutuk. Aqui em Baucau, como noutros países asiáticos os agricultores associam o coqueiro ao arrozal (foto do autor)

O fruto do coqueiro é uma drupa fibrosa. Do exterior para o interior, encontra-se sucessivamente:
- uma pele coriácea, o exocarpo
- uma camada grossa de fibras, o mesocarpo
- uma casca muito dura, o endocarpo
- o endospema muito branco e uma grande cavidade cheia de um líquido, a “água de coco”.
Quando o fruto não está ainda maduro o exocarpo é de cor verde. Desde a polinização à colheita, vão 12 meses. Os primeiros frutos surgem quando a planta chega aos 5 ou 6 anos
Como todas as monocotilédoneas, o coqueiro não produz nenhuma raiz aprumada, mas antes um conjunto de raízes, que surgem da base do espique. Estas podem chegar às 4000 e possuem cerca de 1 cm de diâmetro, penetrando até à profundidade de 5 m. Lateralmente atingem os 30 m. As raízes mortas são continuamente substituídas por raízes novas emitidas a partir da base do espique.

Exigências Ecológicas
O clima adequado para esta planta é o tropical, não suportando frios ou geadas. Produz melhor com temperaturas médias anuais de 26 a 27 ºC e com pequenas diferenças entre o dia e a noite. E é isto que determina que o coqueiro não se expanda para o interior, preferindo as zonas litorais, onde o mar atenua as amplitudes térmicas. Esta adaptação ecológica é mesmo levada ao extremo, vegetando esta planta nas areias da praia, absorvendo água salobra. Quando não dispõe de lençóis freáticos necessita de pelo menos 2000 mm de precipitação anual para se desenvolver. Também devido à sua baixa adaptação a grandes variações térmicas, normalmente o coqueiro não vai acima dos 600 m de altitude perto do Equador, e nos outros locais raramente sobe para lá dos 150 m.

Cultivo
O coqueiro só se reproduz por semente. Esta não possui dormência e por vezes começa a grelar ainda no coqueiro. A maior parte leva 6 semanas para germinar.
Para fins reprodutivos colhem-se os cocos quando estes se tornam castanhos, a partir das plantas mais produtivas e de maiores frutos, e estes devem ser rapidamente semeados.
Quando se trabalha com grandes quantidades de sementes usa-se um sistema de duas fases. Na primeira forma-se uma cama de germinação, que permite escolher as sementes que germinam mais rapidamente. Na segunda fase, ou viveiro propriamente dito, as plantas desenvolvem-se até um tamanho que lhe permita passarem para o campo.
A primeira fase deve decorrer à sombra, para evitar a desidratação dos cocos. Já no viveiro as plantas podem apanhar mais sol e cultivam-se em sacos ou outros contentores.


Viveiro de coqueiros numa rua de Lospalos, na primeira fase de germinação. Nu cama nian iha Lospalos (foto do autor)

Na fase de germinação, os cocos enterram-se até 2/3 em regos feitos em areia ou outro solo com boa drenagem (foto). Ao fim de 8 semanas 75 a 80 % dos cocos já germinaram. Nesta fase é importante nunca faltar com a rega, que deve ocorrer em dias alternados.
Os cocos germinados são levados para o viveiro. Esta operação ocorre quando surge uma folha completamente desenvolvida, normalmente com forma de orelha de coelho. No viveiro, os cocos grelados são enterrados até 2/3, em vaso, sacos ou directamente no solo, em camalhões. Usam-se geralmente sacos em polietileno negro com 45 x 45 cm, que podem conter a planta durante 10 meses.

A plantação em local definitivo faz-se no início da estação das chuvas, quando a planta atinge cerca de 80 cm, tem 6 meses e apresenta 6 a 8 folhas. O compasso mais indicado é de 9 x 9 m, numa disposição em triângulo.
90 % da copra consumida mundialmente vem de pequenas quintas familiares, considerando-se 5 há como a área mínima de produção rentável. Nestas hortas, associa-se geralmente o coqueiro a culturas como o taro, o cacaueiro ou o cafeeiro. Em Timor Leste é vulgar encontrarmos o coqueiro associado aos arrozais, como um pouco por todas as zonas baixa do Sudeste asiático. Com isto aumenta-se bastante a rentabilidade e segurança alimentar da exploração. Um coqueiral em produção origina em média 2 a 2,5 t/ha de copra por ano.

O coqueiro nos sistemas agro-florestais costeiros
Para além das utilizações já referidas, esta planta pode ainda fornecer vários materiais ou serviços, e beneficiar os ecossistemas cultivados.

As fibras e as cascas, depois de sofrerem compostagem, originam uma matéria orgânica que se pode usar para enriquecer o solo ou como meio de cultivo em vasos.

Os coqueiros fornecem sombra a outras culturas que se instalam no seu sob-coberto, como o cafeeiro e o cacaueiro e as hortícolas.

É uma das plantas mais resistentes ao vento, e pode ser cultivada como cortina corta-vento.

É uma planta adequada para a silvopastorícia, tendo este sistema se expandido um pouco por todo o mundo, desde as Filipinas à Costa Rica. O gado é criado na sombra dos coqueiros, onde a pastagem que se desenvolve beneficia da matéria orgânica produzida pelo coqueiral (folhas, cocos, raminhos, etc…) e da sombra. Estas pastagens tendem a lenhificar menos e a manter a sua digestibilidade. Este sistema encontra-se em algumas zonas de Timor (Aileu, Viqueque, etc…) e deveria ser incrementado. Mas algumas destas áreas estão severamente invadidas por lantanas, que deverão ser destruídas por meios mecânicos (roça-mato).

Os cocos podem ser partidos e fornecidos aos porcos e às aves. Depois de retirar o óleo, o bagaço de coco tem 20% de proteína bruta e 6 a 7 % de óleo, sendo excelente para a alimentação animal.
As cascas dos cocos, os ramos, as folhas secas são uma contínua fonte de combustível para uso doméstico, o que permite poupar as árvores da floresta natural.

Os coqueiros podem ser usados para estabilizar ecologicamente zonas costeiras arenosas.

As abelhas, que são as principais polinizadoras desta espécie, produzem a partir das flores, disponíveis praticamente todo o ano, um excelente mel.

É uma palmeira de grande valor ornamental e de crescente utilização em parques, jardins e hotéis.

Processamento da copra ao nível das explorações
A produção da copra é uma operação simples, e permite ao agricultor aumentar o valor da cultura. Basicamente o sistema consiste em secar a polpa do coco sobre uma plataforma, debaixo da qual se acende uma fogueira feita com as cascas dos próprios cocos. Para se retirar a polpa cortam-se as nozes ao meio, pondo-se de seguida a secar durante 10 a 12 dias. A polpa seca separa-se então facilmente da casca, e através do sistema referido é seca até atingir 7 % de humidade.
De referir, que com os restos das cascas se produz um carvão de razoável qualidade.
Aparentemente, Timor tem boas condições para produzir copra e óleo em modo de produção biológico ao nível de suco.
Em Baucau existem produtores de sabonetes que também usam óleo de coco local.

Para saber mais:
A aventura das plantas. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2007.
Fruticultura Tropical. Prof. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 2005. (obra que pode encontrar na Biblioteca da Fundação das Universidades Portuguesas na Universidade Nacional de Timor Lorosa'e).

domingo, maio 17, 2009

Sândalo: o petróleo verde de Timor.

Nomes vulgares do sândalo
Tétum: ai-kameli
Inglês: sandalwood, sandal tree
Português: sândalo, sândalo branco
Indonésio: cendana

O sândalo é uma árvore de folha perene e que pode crescer até aos 20 m. Tem casca castanha escura, encarniçada, por vezes quase negra. As árvores novas apresentam a casca lisa mas nas velhas surgem rasgos mais ou menos profundos. As folhas são ovais a ovais- elípticas, verde brilhante e sem pêlos. As flores são pequenas e vermelhas ou violetas e sem aroma. O fruto é uma pequena drupa com cerca de 1 cm de diâmentro, vermelha, quase negra quando completamente madura. No centro encontra-se um caroço ou semente.
O borne ( a zona do tronco que está sob a casca) é branco, leve e sem cheiro. O cerne é amarelo claro e fortemente aromático. A madeira tem grão fino, sem desenhos nem brilho.



Sândalo: raminho com folhas e frutos (foto do autor)

Distribuição geográfica
O sândalo é uma espécie de árvores com origem em Timor. Pertence à divisão Magnoliophyta do reino das plantas, à classe Magnoliopsida , à ordem das Santalales e à família das Santalacea. São árvores da mesma classe da das magnólias.
Encontraram-se já mais de 50 espécies de sândalos.
Hoje em dia o Santalum album existe em estado selvagem ou plantada em muitos países asiáticos: China, Índia, Indonésia, Filipinas, Austrália. Também nas ilhas do Oceano Pacífico se planta esta e outras espécies de sândalo. Na Índia, a área ocupada pela espécie espontaneamente encontra-se em expansão e a maior parte do óleo produzido é feito a partir destes exemplares selvagens. Na Austrália cultiva-se o S. album e o S. spicatum. Na Indonésia, tal como em Timor-Leste, o sândalo sofre com os incêncios florestais, a exploração excessiva, o sobrepastoreio e a agricultura itinerante, encontrando-se as populações naturais seriamente ameaçadas.



Sândalo adulto (foto do autor)

Exigências ecológicas
É uma planta que se encontra principalmente nas florestas de folha caduca das zonas tropicais do sul da Ásia. A planta é parasita e por isso precisa de uma árvore hospedeira que lhe forneça os principais sais minerais.As aves são essenciais para espalharem as sementes na natureza.
É uma espécie exigente em luz e que facilmente é dominada e eliminada pelas outras árvores de crescimento mais rápido.
Em Timor surge nas encostas mais secas e próximas do mar, até aos 1200 m. Nestas zonas a precipitação média anual é inferior a 1500 mm, e a duração da estação seca pode ultrapassar os 6 meses.


Ravinas do Subão. Um bom local para plantar sândalo e ai-kafé.(foto do autor)

Utilizações
A madeira é usada em mobiliário e no artesanato, em objectos artísticos e de adorno. Usa-se a serradura para fazer paus de incenso. Extrai-se o óleo por destilação, fervendo-se a madeira em caldeiras. Este óleo é depois usado em perfumaria e no fabrico de medicamentos. Na Índia é usado desde a Antiguidade no fabrico de imagens religiosas, em paus aromáticos e na cremação dos indivíduos das castas mais altas. Os povos da Insulíndia usavam untar o corpo com uma pasta à base de serradura de sândalo.
Cultiva-se nos jardins, como planta ornamental.

Cultivo do sândalo
O sândalo pode ser usado muito eficientemente em sistemas agro-florestais. Ruy Cinatti recomenda mesmo o seu cultivo nas hortas de Timor Leste, em associação com o milho. Isto porque o sândalo é uma árvore pequena e que faz pouca sombra às culturas do sob-coberto.

Recolha das sementes
Para se recolher as sementes de sândalo devemos esperar que os seus frutos fiquem bem maduros, isto é quando a sua cor passa a azul escuro (ver foto). A polpa do fruto deve ser retirada rapidamente esfregando-os contra a rede de uma peneira ou passador. De seguida seca-se a semente. Se possível aplica-se um fungicida como o Benlate. Guarda-se a semente num local fresco e seco, nunca dentro de um saco de plástico, onde lhes faltaria oxigénio. Na parte de baixo de um frigorífico pode aguentar-se um ano.

Sementeira
Para semear usa-se uma caixa com uma mistura de areia e matéria orgânica bem decomposta, como por exemplo, o húmus que encontramos sob as folhas de baixo das árvores. Antes de enterrar a semente podemos esfregá-la um pouco contra uma lixa fina, de modo a facilitar a entrada de água e acelerar a germinação. Esta operação não pode atingir o interior da semente e o embrião. Coloca-se depois a semente no solo de modo que um terço fique de fora. A germinação pode levar 10 dias ou mais. Mantenha-se o solo húmido mas não encharcado, e num local fresco.

Emergência
Após a emergência, transfere-se cuidadosamente a plantinha para um pequeno vaso ou saco. Ao mesmo tempo plante outra planta com o sandalozinho. Este desenvolverá as suas raízes juntamente com as da companheira, começando a extrair desta muitos dos nutrientes de que precisa. A planta companheira deverá ser preferencialmente dos géneros Capsicum (ai-manas, pimento), Altenanthera, Lantana câmara ou Desmodium.
As plantas devem ser mantidas à sombra durante várias semanas, sem nunca se lhes faltar com a rega. Os vasos devem ser suficientemente grande de modo a evitar que as raízes se enrolem e enovelem. Quando chegam aos 30 cm de altura, cerca de 8 meses depois da sementeira, os sândalos estão prontos para serem plantados.

Plantação
As árvores mais valiosas, isto é, de madeiras mais ricas em óleos odoríferos, desenvolvem-se nos solos mais secos e delgados, sujeitos a secas, e onde beneficiam de alguma sombra de árvores mais altas, que também os ajuda a crescerem direitos e ramificarem pouco. Nos solos mais ricos, como os das várzeas das ribeiras, o sândalo desenvolve-se luxuriantemente mas acumula pouca madeira e pouco óleo.
O sândalo pode ser plantado numa horta, ou então em plantações com compasso de 5 x 5 m. O gado adora comer as folhas dos sândalos, por isso devemos vedar o terreno convenientemente. Entre os sândalos devem-se plantar árvores leguminosas como a leucena ou ai-café (que dá folhas e vagens para o gado), a tephrosia, a albizia (ai-samtuco, Paraserinates falcataria), a turis (Sesbania spp), acácias (a Acácia mangium ,por exemplo, uma boa espécie para a produção de madeira). Também a casuarina ou ai-kakeu, que também fixa azoto e dá lenha para a cozinha, e já se usa em Timor para dar sombra aos cafézeiros, é adequada. A plantação ficará finalmente com um compasso de 2,5 x 2,5 m.
Abrem-se covas com 40x40x40 cm. Regam-se os sândalos ainda envasados para facilitar a saída do torrão, Quando em sacos, cortam-se estes para facilitar a saída da planta. Planta-se depois com o máximo de cuidado procurando não desfazer o torrão, e coloca-se a terra em volta com cuidado. Fazer a limpeza das ervas todos os anos, com enxada ou catana. Na época seca regar uma vez por semana, enquanto a raiz das árvores não se desenvolver completamente.
Ruy Cinatti defendia a sementeira directa no terreno. Neste caso as espécies hospedeiras já devem estar bem desenvolvidas.


Ovinicultura em Baucau. O gado e os sândalos jovens são incompatíveis.(foto do autor)

Manutenção
As árvores devem ser mantidas livres de infestantes . Procede-se à poda de formação, tal como no caso da teca (ver foto na publicação anterior), usando uma tesoura de podar ou serra bem afiada, e fazendo cortes bem rentes ao tronco principal, desramando o terço inferior da árvore.


Vedação feita de Cactos em Laga. Simples e funcional.(foto do autor)

Colheita
O sândalo pode ser colhido entre o 18 e os 30 anos. O fendilhamento da casca é considerado um bom indicativo de que a árvore pode ser cortada. Todavia as árvores maiores e mais velhas produzem muito mais óleo e são muito mais valiosas. Na colheita arrancam-se também as raízes principais, que são ainda mais ricas em óleo. As árvores de 30 anos produzirão cerca de 50 kg de lenho, com 4-10% de óleo. Depois dos 15 anos um sândalo acumula 1 kg de lenho por dia.


Tephrosia: raminho com flores e vagens (foto do autor)

Replantação
Se bocadinhos de raízes ficarem agarrados à terra, a árvore regenera-se facilmente por rebentação. Mas, geralmente, esta segunda árvore desenvolve-se pouco. Assim o melhor é replantar, usando sementes das melhores árvores . Muitos agricultores ficam nas suas hortas com muitos sândalos que nascem a partir das sementes dos sândalos adultos. Pode fazer-se um desbaste, sendo as plantas em excesso arrancadas com a raiz e se possível com o torrão de terra envolvente, envasadas, e vendidas no mercado a outros agricultores.

Excerto do folheto “Eu aposto no sândalo” da Cooperação Agrícola Portuguesa em Timor (2006):

Timor Leste ai kameli no floresta
Ai ho ema, floresta ho sosiedade sempre iha ligasaun ba malu.
Timor Leste naran bo’ot no nia historia floresta nian, liu-liu ho ai Kameli. Historia rai ida ne’e nian iha ligasaun ho Ai Kameli nia morin.

Desflorestasaun nebe acontese ona iha Timor Leste, sei sai hanesan difikuldade bo’ot ida ba Timor oan tomak iha futuro.


Ai kakeu bele fo mahan ba ai kameli. Iha ne'e ai kakeu iha Leksala (letfoho) fo mahan ba kafé. Ai kakeu diak tamba fo sunu ai maran no fo nitrogénio ba rai.
As casuarinas também fixam azoto. Aqui , em Leksala, também dão sombra ao café.
(foto do autor)

Tamba se laiha floresta sei laiha:
- Bé ho qualidade no quantidade;
-Rai nia bokur;
- Ai hodi halo uma ka konstusaun;
- Ai hodi sunu;
- Ambiente nebe mak diak;
- Seguransa ai-han nian.

No tamba floresta hanesan rekurso importante ida, nebe ita bele renova fila fali (rekurso renovável), entaun mai ita hamutuk halo fila fali Timor Leste hanesan nasaun floresta ida.
Jovens sira iha nasaun foun ida ne’e, maka sei konserva floresta nebe sira nia inan ho aman husik hela no kuda fila fali ai oan atu sai hanesan floresta ba sira nian oan.

Oin Sá maka hau bele ajuda floresta Timor Leste ?

Ita ema ida-idak bele ajuda floresta iha Timor Lese se:
- Proteze no konserva ita nian floresta;
- Kuda ai horis;
- Kuidado no fo tempo ba ai oan sira atu moris;
- Konserva ai nebe iha valor hanesan Ai Kameli, Ai Na, Ai Besi, Ai Teca, Ai Mahoni no ai sira seluk tan
- Labele sunu floresta (ai laran);
- Sunu ai maran tuir necessidades;
- Hamenus halo to’os nebe muda ba mai

Oin sa atu kuda Ai Kameli ?

- Ke’e rai kuak ho nia luan 40 cm, naruk 40 cm no klean 40 cm ;
- Rega atu bele facilita rai iha plastiko laran la rahun wain hira hasai ai oan atu kuda. Koa plastiko no hasai ai oan ho rai kafuak hosi plastiko
- Kuda ho didiak (kuda ho kuidado)
- Tau rai ba koak ho didiak
- Kuda Ai Kameli ho distansia 2,5 m ho Ai Kamei ida seluk no iha Ai Kameli sira nian klaran kuda hospedeiro (ai nebe fo suporta ba Ai Kameli)
- Hamos duut sira nebe besik iha Ai Kameli oan sira
- Iha tempo bai loron, rega semana ida dala ida

Se precisa informasaun, ruma kontakto ho:

Programa de Apoio ao Desenvolvimento rural em Timor Leste
Cooperação Agrícola Portuguesa. Caicoli – Dili

Ministério da Agricultura , Florestas e Pescas. Caicoli –
Dili

Bibliografia
Reconhecimento de Timor. Ruy Cinatti, 1950.
Pacific Agroforestry-An information kit. CTA, 1999.

segunda-feira, maio 04, 2009

Palmeiras de Timor: a tuaqueira (Arenga pinnata)

Já nos referimos anteriormente à tali metan (tali negra), como uma das "árvores" providenciais de Timor Leste. Dá muito, em troca de nada. As fibras negras que envolvem o espique, o gamuti, e que os timorenses usam na cobertura das casas tradicionais, também eram usadas pelos navegadores nas cordas das embarcações, sendo uma das fibras que mais resiste à água do mar. Há notícias de plantações destas palmeiras em Malaca exclusivamente para este fim. Mas a tali metan dá sobretudo a tuaca, a sua seiva, que é um líquido doce e com algum álcool, que se bebe mesmo sem fermentar. Destilando a tuaca obtém-se a tua sabu, uma aguardente. Por acidificação acética a tuaca transforma-se em tua sin, um vinagre. Mas a partir da tuaca também se obtém o famoso açúcar de palma, que já referi na publicação anterior, muito consumido em todo o sudeste asiático. E tudo isto a partir de uma planta que em Timor raramente é cultivada.
Mas o mais interessante é observar a forma engenhosa como os timorenses sangram as tali metan e fazem canalizar a seiva através de bambús para dentro de depósitos plásticos. Na foto de baixo, podemos ver uma destas árvores "canalizadas" e que eu encontrei num dos meus muitos passeios por Dare e pelos seus palmares de talis metan.
Seria importante estudar a utilização deste vinagre de palma de Timor Leste, facilmente produzido pelos agricultores, na conservação de alimentos, à maneira dos pikles.

sábado, março 21, 2009

Ai teka (Tectona grandis)

Bainhira Ita pasiar kona tassi-mane Ita sei haré ai boot ho tahan boot tebes. Ita haré ai teka (Tectona grandis) ka ai tahan mean. Ai ne’e gosta tasi-mane nia rai, tanba nia bele sai boot ninia abut sira. Nia hakarak liu rai aas ho barak fertilidade. Mós klima tassi-mane nian diak liu atu kuda ai-teka: klima tropikal manas ho kiik bailoron, to’o 1300 m . Nia mai hosi rai Sudeste Asiátiko : Índia, Birmânia, Tailândia ka Vietnam. Uluk missionáriu sira hodi ona ai teka ba Timor.
Ai teka sai boot até 25-50 m. Tahan monu durante bailoron. Ai-sanak ho ai-funan to’o 40 cm. Barak ai-funan kiik kor kinur-mutin ho ponto rosa. Ai-Teka nia aifuan hanessan drupa cilíndrica kor kafé. Ida-ida ai-fuan heli musan haat Ai kor mean nabilan furak tebes. Europa no Améria sosa barak ai atu halo kadeira, meza, no ekipamento ba jardin, tanba udan la halo aat ba teka. Ninia célula sira halo síntese tectoquinona, substansia química sara netik bé. Tahan ben fo kor mean ba hena. Ita bele mos kuda ai-teka iha jardin tanba ninia tahan sira fo mahan boot.
Principal país katak exporta ai-teka: Birmânia, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnam, Indonésia, Camarões, Nigéria no Brasil.


Tecas na floresta primária de Loré

Kuda ai-teka la susar. Atu kuda hectare ida Ita presiza kilu haat ai-fuan. Ami la bele haketak musan hosi ai-funan. Ita tenke luku funan iha mota kiik durante 24-48 oras. Depois Ita hakoi funan iha substracto ho rai-henek no kompostu. Tiha-ona Ita haroo no taka ho plastiku metan durante 96 oras. Ita sei muda ai-teka kiik ba saku ka vaso ho rasik substractu. Kuandu planta to’o 3-4 fulan Ita bele kuda sira iha to’os bainhira komesa baiudan. Distansia klaran ai-teka: 3 x 2 m.
Sei hanali aihoris atu bele ai diak. Ema hanali sanak sira iha balun okos ai-teka nian (foto).


Teca depois de feita a poda de formação (Brigada Agrícola de Gleno)

Iha Timor-Leste, hanessan distrito Viqueque, to’os-na’in tenke hamenus numer ai-teka iha hectare atu ai-teka sai boot diak liu.


Viveiro de tecas em Triloka (Baucau)


Tecidos em seda corada com seiva de teca (à direita). Fábrica de seda de Triloka, Baucau.

sábado, fevereiro 14, 2009

A Meda (Phalanger orientalis)

A Meda (Phalanger orientalis)

Meda animal marsupial kiik hosi ai laran Timor Leste nian. Nia moris mós iha ai laran loron sae Indonésia nian . Ema lori ona meda hosi Nova Guiné ba Timor Leste iha pré-história, iha 6500 tinan.
Ami bele hare meda iha ai laran sira, maibe nia mos gosta to’os sira, nebe’e meda han aifunan. Ema mussulmano la bele duni meda. Maibe, iha Nova Guiné, Nusa Molukas, Timor, meda importante tebes tamba nia fo proteínas ba ema nia hahan.
Iha Dili normalmente Ita bele hetan mane sira mak fa’an meda.
Meda todan até 4,5 kilu, maibe normalmente kala 2 kilu. Nia ikun boot tebes, léet 28-42 cm. Meda aman nia ikun hotu mutin. Ninia fulun hanessan bibi malae fulun.
Meda oan léet 1 ba 3. Oan ida mate durante susu. Meda namora hori Junho to’o Outubro. Animal ne’e toba durante loron. Durante kalan meda han ai-tahan no aifuan. Masik meda la’o neineik , bainhira ema duni sira la’o lalais no haksoit.
Ami tenke estuda meda nia numer iha Timor Leste. Iha seluk nusa sira besik Timor ema lalika hanoin barak kona numer meda nian.





Meda sira iha Lospalos nia básar/ Medas à venda num mercado de Lospalos

A meda é um marsupial que vive nas árvores das florestas de Timor. Também pode ser encontrado nas ilhas da Indonésia vizinhas de Timor, das Molucas à Nova Guiné. Aparentemente foi introduzido em Timor pelos seres humanos há 6500 anos, a partir da Nova Guiné. A meda pertence à mesma ordem animal do koala, os diprotodontia.
O nome científico da meda é uma alusão ao facto de ter duas falanges de cada pata unidas por uma prega de pele, que o animal usa para se pentear.
Podemos encontrar este animal nas florestas primárias de Loré ou Jaco, nas florestas secundárias de toda a ilha e até nas hortas e pomares. Este animal tem uma sorte particular nas zonas muçulmanas da Indonésia, pois aqui a religião interdita a caça da meda. Nas outras regiões, é parte importante da alimentação dos povos desde os tempos pré-históricos, fornecendo proteínas animais a uma alimentação que normalmente é carente nestes nutrientes.
A meda domestica-se com uma certa facilidade e pode também ser criada como animal de companhia. Em Dili é frequente encontrarmos medas à venda nas ruas. São transportados numa vara comprida que um homem leva ao ombro, e onde a meda se agarra desesperadamente.
Estes animais podem pesar até 4,5 kg, mas normalmente o seu peso ronda os 2 Kg. Tem uma longa cauda de 28 a 42 cm, com que se agarra às árvores, sendo desprovida de pêlos na extremidade. As caudas dos machos são completamente brancas. O pêlo das medas é grosso e semelhante à lã. Nos machos adultos a cor varia entre o branco e o cinzento escuro. As fêmeas apresentam pelagem castanha ou castanha acinzentada e ambos os sexos possuem uma lista escura dorsal entre o pescoço e a cauda. As crias são de cor castanho-avermelhada. A bolsa marsupial das fêmeas contém quatro mamilos. As patas são particularmente características, pois os dedos são oponíveis como nos seres humanos.



Medas fumados num mercado de Lospalos / Meda ho suar iha LOspalos nia básar

O número de crias varia entre 1 e 3, normalmente 2. Geralmente morre uma cria durante a amamentação. A época reprodutiva ocorre entre Junho e Outubro.
Estes animais são nocturnos, passando o dia escondidos nos buracos das árvores. À noite deslocam-se pelas copas consumindo frutos e folhas. Apesar de se deslocarem com lentidão, se perseguidos pelos caçadores dão grandes saltos de árvore para árvore.
Aparentemente esta espécie não se encontra ameaçada de extinção.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Palmeiras de Timor: a tali ou palapeira (Corypha utan)

A tali é uma das palmeiras mais vulgares em Timor Leste. Quem chega a Timor e aterra no Aeroporto Nicolau Lobato, em Comoro, é recebido por uma autêntica floresta de talis. É uma planta que se pode ver um pouco por toda a parte na costa norte de Timor. Na verdade esta palmeira é nativa do sudeste asiático e existe desde a Índia ao norte da Austrália. Gosta das savanas e das zonas inundáveis nas margens dos rios e lagos.


As talis na estrada para Maubara - Tali sira besik dalan ba Maubara


É das maiores palmeiras do mundo e os exemplares adultos podem atingir 20 m, com folhas enormes de 5 a 7 m de envergadura. Só floresce e frutifica no final da vida. Assim, quando vemos uma tali em flor é sinal que ela vai morrer (palmeira monocárpica). A sua inflorescência é das maiores no reino vegetal: uma gigantesca pluma com mais de um milhão de flores e com a altura de 5 m ! É uma planta de crescimento muito lento e que só se dá no clima tropical.


Frutos da tali - Tali aifuan

Bastante importante nas Filipinas, onde as suas folhas constituem a base de uma significativa indústria de artesanato (chapéus, sacos, roupas, cordas,…). Em Timor Leste o povo também faz inúmeros objectos com as folhas da tali, desde esteiras a caixas para cigarros e chapéus, e os visitantes podem adquirir este belo artesanato junto às estradas e em locais como Metinaro ou Maubara. Mas a tali é uma autêntica fonte de bens. Da sua seiva extrai-se vinho, vinagre e açúcar e os seus espiques (o tronco) fornecem amido (sagu). Dos pecíolos das folhas secas fazem-se paredes para as casas de palapa. Têm ainda enorme importância para a manutenção da biodiversidade pois as suas coroas de folhas abrigam grande número de espécies de aves. O pólen das flores serve de pasto às abelhas e estas, por sua vez, atraem muitos pássaros insectívoros.


Agricultor reboca pedaços de tali para fazer farinha (Laleia) - Tali atu halo uut (Laleia)

Podemos reproduzir as talis por sementes. Mais rapidamente podem-se aproveitar as plantas jovens que surgem na terra, junto à base do espique, quando têm já 5 a 7 folhas. Colhem-se com o máximo de raízes e plantam-se em vasos ou sacos. Permanecem num viveiro à sombra cerca de um ano. De seguida colocam-se gradualmente ao sol durante 6 meses e plantam-se no início da estação húmida.

Ita bele hare tali sira iha hotu Timor-Leste. Bainhira to’o Aeroporto Nicola Lobato iha aviaun , ema hare tali barak hanessan jardim boot ida. Furak tebetebes ! Tali moris iha India, Filipinas, Indonésia no Norte Austrália. Nia ai tropikal katak la gosta malirin. Nia gosta mós fatin besik mota sira, tanba rai iha bé barak nafatin. Tali sai boot até 20 m ! Bainhira tali funan nia mate afoin (palmeira monocárpica).
Iha Filipinas ema halo indústria xapeu importante tebes ho tali tahan. Tali fo mós tua, tua-siin, uut. Ho tali tahan ema halo mós didin uma nia. Tali ida mós uma ba manu fuik barak, ne’e duni sira importante tebes atu biodiversidade no ekologia. Bani gosta tebes tali funan nia.


Tali funan iha Centro de Formação Profissional iha Tibar - Tali em flor no Centro de Formação Profissional, em Tibar.

Ita bele kuda tali ho mussan ka ho ai kiik (ho 5-7 tahan). Ho métodu ne’e ita tenke hasai tali kiik ho abut boot. Afoin Ita lori sira ba viveiru ho mahan, iha ka’ut plástico. Afoin tinan ida ema bele lori tali ba fatin laho mahan durante 6 fulan. Bainhira baiudan to’o ita bele kuda tali iha to’os.


Tali kiik iha Tibar - Jovem tali em Tibar

domingo, dezembro 28, 2008

Masin Timor Leste nia: rekursu ida kapás

Masin Timor Leste nia: rekursu ida kapás


Masin (NaCl, cloreto sódio nia) rekursu diak ba ema no balada. Ema katak hela besik tassi halo masin atu fa’an. Iha dalan besik tassi iha hotu Timor Leste Ita bele hare ema fa’an masin. Ema no balada presiza han masin tanba nia fo sódio (Na) no cloro (Cl) atu metabolismo. Du’ut laiha barak Cl ka Na.
Cl ho Na ho mós Potássio (Ka) konsege equilibrio osmótico no mós equilibrio ácido-base iha células isin nia. Isin preciza mós Cl atu halo ácido clorídrico kabun nia. Bainhira laiha Cl iha hahán balada sai boot neineik.
Na halo knar iha transporte impulso nervoso nia. Mós absorção glucose no aminoácidos ba ran, iha laran mutin, presiza Na. Bainhira laiha Na iha hahán balada lakon bé no nós sai boot neineik. Manu fo menus manu tolun. Du’ut iha Na uit deit.
Nune’e balada tenke simu suplemento masin nia nafatin. Maibe la haluha Ita tenke fo mós nafatin bé ba balada. Ita bele tesi pneu no tau masin iha ida-ida balu.



Fatin fa'an masin (Obrato). Venda de sal em Obrato


O sal de Timor – Leste é um recurso muito importante

Tanto para as pessoas como para os animais o sal é um recurso muito útil. Quem anda por Timor repara que perto do mar é frequente encontrar sal à venda dentro de artísticos sacos de folha de palmeira entrançada. Tanto as pessoas como os animais precisam de sal como fonte de Na e de Cl. Enquanto que os seres humanos consomem sal juntamente com outros alimentos, como peixe, balichão, etc…, os animais alimentam-se sobretudo de erva, um alimento pobre em sódio ou cloro.
Cl e Na, em conjunto com o potássio (Ka) participam no equilíbrio osmótico das células e no equilíbrio ácido-base. O Cl também é fundamental para a síntese de ácido clorídrico no estômago. É por isso que quando não há Cl suficiente na alimentação os animais apresentam um crescimento muito reduzido.
O Na participa também na transmissão do impulso nervoso assim como na absorção intestinal dos hidratos de carbono e dos aminoácidos. Na falta de sódio os animais reduzem o seu desenvolvimento. Um sinal de que o equilíbrio osmótico das células se apresenta seriamente afectado é a desidratação que estes animais apresentam. Nas galinhas a postura dos ovos também se reduz.
Assim, os donos dos animais devem dar-lhes sal. Um meio simples de o fazer é cortar um pneu ao meio e colocar sal no interior de cada metade. Nunca esquecer de ter sempre água à disposição dos animais.

segunda-feira, novembro 24, 2008

Desenvolver as comunidades rurais. Melhorar as condições de vida do povo.

O governo de Timor tem à sua disposição recursos financeiros do Fundo Petrolífero que deverão ser utilizados para aliviar a pobreza em que vive a maior parte da população. A comunidade internacional deverá continuar a colaborar com o estado e a sociedade timorenses em áreas como a formação dos recursos humanos e de quadros ou no apoio ao desenvolvimento científico, entre outras.

O investimento na educação é uma necessidade óbvia. A promoção da educação deverá ser sempre feita a par da promoção da impressionante diversidade cultural timorense, da divulgação das culturas locais e da manutenção das várias línguas, do fataluco ao baiqueno, que por isso, também devem ser ensinadas nas escolas das regiões onde são faladas. Só um povo culto e ciente da sua cultura é verdadeiramente independente.


Escola rural de Abafala (entre Laga e Kelikai)


O governo deve fornecer o pequeno almoço e o almoço aos alunos de todos os níveis escolares pois isso deverá ter enorme repercussão positiva no desempenho académico, na saúde dos alunos e na redução do número de alunos que faltam às aulas.

A formação profissional alargada a todo o território, com aulas nas aldeias, aberta a todas as faixas etárias e em áreas como criação e manutenção de infra-estruturas (instalações eléctricas, utilização e manutenção de painéis solares fotovoltaicos ou de geradores a diesel, captação de água através de furos ou pequenas barragens e seu tratamento, construção e manutenção de pequenas redes de esgotos, conservação de caminhos e estradas, trabalhos em madeira e fabrico melhorado de barcos, casas tradicionais, etc…) informática, agricultura sustentável, agro-florestação e cuidados básicos de saúde. Ampliar ainda mais o trabalho pioneiro do Centro Nacional de Formação Profissional, em Tibar.

Melhorar as condições de saúde do povo, criar postos médicos nas knuas (um médico e uma enfermeira por 5000 residentes (Sachs, 2005) ), com fornecimento de medicação anti-tuberculose, redes mosquiteiras e medicamentos anti-malária . Tal como os outros países das zonas tropicais, Timor é afectado por malária e dengue, duas doenças transmitidas por mosquitos. A malária é responsável por muitos alunos faltarem às aulas todos os dias e leva à morte de muitas pessoas. Estas pequenas unidades de saúde poderiam ainda fornecer informação sobre planeamento familiar e dar assistência eficaz no parto e nos primeiros tempos de vida dos recém-nascidos, o que contribuiria para reduzir as altas taxas de natalidade e reduzir a mortalidade infantil(Sachs, 2005) .

Na área agrícola deve ser promovida em grande escala a agro-florestação como forma de acabar com a erosão e de promover a biodiversidade. Fomentar o cultivo das espécies florestais mais valiosas (sândalo, teca, pau rosa, mogno e pau ferro ), o cultivo de espécies para lenha doméstica (eucalipto branco, eucalipto negro (palavões, ai bubur)), divulgar as boas práticas florestais, a agricultura em socalcos, assim como o melhoramento das técnicas da produção e da qualidade do café.


O excessivo corte de árvores desta encosta levou à destruição deste espaço de floresta (Abafala)

Técnicas simples de agricultura sustentável devem ser divulgadas: adubação verde, compostagem dos resíduos e dos restos domésticos, construção de muretes de controlo de erosão, recolha de água para a rega e técnicas de irrigação, pois um dos grandes problemas da agricultura em Timor é fazer face à escassez de água da bailoron, a estação seca (que na costa norte pode chegar a 8 meses seguidos nos anos piores). Os agricultores devem ter acesso a sementes de milho e arroz melhoradas, assim como a variedades mais produtivas de tubérculos e raízes (batatas, batata doce, mandioca, taro, etc…).


Bairro pobre de Díli: uma senhora planta uma mangueira

Outro grande problema dos agricultores das zonas tropicais também existente em Timor: o armazenamento das colheitas. Contrariamente ao que muitos pensam a maior parte das colheitas não se perde no campo, mas sim na fase da armazenagem. Pequenos armazéns para os cereais e para o café . Um dos grandes problemas do café em Timor é ser armazenado em casa, onde absorve muitos odores prejudiciais.

Na área da produção de gado há que melhorar o nível produtivo dos bovinos balineses fazendo chegar aos agricultores reprodutores seleccionados, assim como combater as principais doenças infecciosas e parasitárias. Na área da alimentação existe grande potencial para arbustos forrageiros e para o aproveitamento dos resíduos fibrosos na alimentação dos ruminantes. Nesta área a Cooperativa Café Timor tem feito trabalho de grande interesse. Faltam matadouros e controlo veterinário de modo a que a carne e o leite chegue em segurança aos consumidores.


Bovino de Bali. O "Bos bandeng" é o principal bovino de Timor-Leste, onde produz bem e mostra grande rusticidade. Pertence ao mesmo género dos nossos bovinos, que são "Bos taurus", mas a outra espécie. Os zebus (Bos indicus) são praticamente inexistentes em Timor. Podemos emcontrar alguns na Missão Lopes (Dare).

Mas sem electricidade nas aldeias pouca coisa destas se pode fazer. Esta poderá ser disponibilizada por linhas eléctricas a partir de grandes centrais, ou a partir de geradores e painéis fotovoltaicos. Com electricidade podem haver computadores nas escolas, bombas para água potável, energia para moer os cereais, frigoríficos e carpintaria, carga para as baterias das famílias (Sachs, 2005). Com luz eléctrica os alunos podem estudar de noite, pequenas unidades de turismo rural podem dispor de ar condicionado.

Uma camioneta por aldeia poderia ajudar a carregar fertilizantes para os campos e outros factores da produção agrícolas, assim como escoar a produção para Dili. Transportar botijas de gás para a aldeia (no Irão o governo fornece fogões a gás/querosene para reduzir o corte das árvores que impedem a erosão das terras, e o mesmo deveria ser feito urgentemente em Timor. Muitas crianças também perdem tempo precioso a carregar lenha para o lar), levar doentes e mulheres grávidas ao hospital (Sachs, 2005).


Extensão rural em acção numa estrada da ponta Leste: Vamos proteger as nossas florestas, voltar a plantar árvores onde a floresta desapareceu e ter cuidado com o fogo na estação seca.

As necessidades de água potável e saneamento deverão ser satisfeitas rapidamente. Mulheres e crianças gastam horas sem fim a carregar água de uso doméstico num trabalho esgotante e impeditivo do desenvolvimento pessoal. Dispondo de furos de água potável tudo se resolveria. As comunidades necessitam igualmente de casas de banho e de sanitas com fossas de modo a impedir a propagação de doenças provocada pelos esgotos a céu aberto.

Satisfazer as necessidades de capital, que passam por atribuir títulos de propriedade das terras aos agricultores e garantir o acesso ao microcrédito para o desenvolvimento de pequenos negócios e indústrias.


Pequenas indústrias familiares de produção de brita (Laga)

Para saber mais: Jeffrey Sachs, “O Fim da Pobreza – como consegui-lo na nossa geração” (Casa das Letras, Lisboa, 2005).

segunda-feira, outubro 20, 2008

O Trigo em Timor-Leste

O Trigo

O trigo é uma importante cultura alimentar, particularmente na Europa, América e no Médio Oriente. Nas zonas tropicais cultiva-se como cultura de altitude, geralmente integrando sistemas agrícolas com bovinos de leite. Existem disponíveis muitas variedades, para as diferentes altitudes. Geralmente a cultura só vai até aos 2800 metros. Os principais países tropicais produtores de trigo são a Índia, o Paquistão, Brasil e o Egipto. Em Timor-Leste o trigo é cultivado em pequenas parcelas, nas terras altas do interio, particularmente Aileu, Gleno, Ermera, Ainaro e Laclubar, onde os declives são as principais restrições a esta cultura..Estima-se em 11.000 há a área potencial para esta cultura em Timor-Leste (Luz, 2003).


Rotação

Três anos de trigo seguidos de três anos de pastagem para o gado pode ser uma rotação adequada. Se a rotação incluir culturas hortícolas tanto melhor, especialmente se destas fizerem parte leguminosas (feijão, amendoim, etc….).

Selecção das sementes

Os agricultores devem usar semente certificada de boa qualidade obtida nos serviços do Ministério da Agricultura ou numa empresa de confiança. A semente certificada tem as seguintes características:
a) Não contém sementes de plantas infestantes
b) Tem grãos saudáveis, sem estarem partidos ou esmagados,
c) São de uma variedade que assegura a maturação de todas as plantas ao mesmo tempo

As sementes devem ser misturadas com Aldrin ou Dieldrin para ficarem protegidas contra as doenças do solo. O tratamento com cobre também poderá ser necessário em algumas zonas, onde exista deficiências neste elemento.

Fertilizantes

A quantidade de fertilizante aplicada depende do tipo de solo, da cultura anterior e da fertilidade da terra no momento da instalação da cultura. Um teste ao solo pode ser efectuado de modo a estabelecer um plano de adubação adequado. Geralmente aplicam-se entre 100 e 160 Kg de um adubo contendo um terço de azoto e dois terços de fosfatos. Os estrumes bem decompostos e as folhas de árvores leguminosas (como o ai-santuco ou albizia das molucas) também são uma boa opção.

Preparação da terra

Alguns agricultores queimam as palhas e o restolho depois das colheitas. Isto torna a lavoura mais fácil e destrói muitas pragas da cultura. Todavia, como os solos são pobres, estes resíduos devem ser incorporados no solo, dentro do possível, de modo a aumentar o seu teor em matéria orgânica e melhorar a sua estrutura.
Nos terrenos com restolho a preparação do terreno deve começar 1-2 meses depois das colheitas. Revolve-se a terra em profundidade quer manualmente ou , se houver tracção mecânica ou animal, com uma charrua . De seguida desfazem-se os torrões maiores. Se se dispuser de tractor ou de tracção animal fazem-se duas ou mais passagens com um vibrocultivador ou grade de bicos, respectivamente.
No primeiro ano de trigo deve-se lavrar o terreno pelo menos 4 a 6 meses antes da sementeira. Desta maneira assegura-se a mineralização da matéria orgânica e a conservação da humidade do solo. Neste período enterraram-se as ervas que vão nascendo. É de referir que a Embrapa do Brasil desenvolveu um semeador directo por tracção animal, adequado aos pequenos agricultores. Neste período em que a terra permanece de alqueive aumentam os riscos de erosão por grandes chuvadas. Isto é ainda mais significativo se tivermos em conta que o trigo se cultiva em Timor principalmente na zona de Aileu e circundantes, onde os declives são acentuados. Torna-se muito importante por isso proceder à construção de socalcos ou terraços, para instalar a cultura.



Campo de trigo na zona de Aileu (Foto de Eng. João Gomes)

Sementeira

A sementeira deve fazer-se cedo ao começo da estação das chuvas, especialmente para as variedades de ciclo mais longo. A profundidade de sementeira é de 5 – 8 cm. A densidade de sementeira varia com as variedades. As de maior capacidade de afilhamento devem ter densidades de sementeira inferiores. Devem ser seguidas neste caso as indicações dos fornecedores.

Falta de cobre

Algumas áreas podem apresentar falta de cobre no solo. Para corrigir isto envolve-se a semente com 1 Kg de oxicloreto de cobre por 100 Kg de semente. Pulveriza-se ainda a cultura já desenvolvida com o mesmo produto na dose de 1 Kg/há, geralmente misturado com herbicida. A pulverização com cobre pode ser feita quando cultura chega aos 2 meses.

Controlo químico das infestantes

Para beneficiar do uso de herbicidas o agricultor já deve ter uma certa formação técnica. Os pesticidas devem ser aplicados de acordo com as recomendações do fabricante. E de acordo com as espécies de infestantes que se pretendem combater. É fundamental um bom aconselhamento técnico nesta área.

Colheita

Em Timor a colheita do trigo é feita manualmente com uma faca especial ou foice (tudik), tal como no caso do arroz. Isto deve ser feito quando a as sementes já ficaram bem duras. Depois fazem-se molhes e debulha-se quando as plantas já perderam mais humidade.

Principais pragas

Piolho do trigo (Schizaphis graminum)
Alimenta-se dos caules e das folhas, bem como das flores. Propaga vírus desta cultura. O controlo faz-se com malatião, diazinão, Dimetoato ou Formotião.

Nematocerus spp.
Estes insectos consomem as folhas do trigo. No estado de larva alimentam-se das raízes e das sementes em germinação. Deve-se fazer pulverizações com Endosulfan ou Fenitrothion .

Mosca da cevada (Hylemya arambourgi)
A larva desta pequena mosca come o caule das espigas. O combate passa por envolver a semente com Aldrin ou Dieldrin.

Ferrugem da folha (Puccinia recôndita)
Este fungo é mais comum nas altitudes mais baixas. Surgem nas folhas pequenas lesões circulares castanhas, que depois mudam para negro. Para combater esta doença usam-se variedades resistentes.

Ferrugem amarela (Puccinia striiformis)
Surgem borbulhas amarelas em linhas paralelas, tanto nas folhas como nas espigas. Devem usar-se variedades resisitentes a esta doença.

Ferrugem negra (Puccinia graminis)
Surgem nas folhas e nos colmos pústulas longas de cor castanho escuro. Evita-se esta doença pelo uso de variedades de trigo resistentes.

Septoriose (Leptosphaeria nodorum)
Este fungo ataca sobretudo no tempo húmido. Surgem marcas castanhas nas sementes e as folhas enrugam. Deve-se praticar boas rotações para evitar esta doença.

Leptosphaeria herpotrichoides
Surgem manchas castanhas nas folhas e estas acabam por secar. Pratica-se uma boa rotação para evitar esta doença.

Mancha amarela ou mancha bronzeada (Pyrenophora trichostoma)
Este microorganismo desenvolve pintas castanho claras nas folhas. Deve usar-se uma rotação adequada.

Pé negro (Ophiobolus graminis)
É um fungo parasita que se transmite pelos resíduos da cultura que ficam na terra. O ataque começa pelas raízes das plantas jovens e continua pela base do caule. As espigas aparecem esbranquiçadas. Dá-se a queda da planta.
Devem-se praticar rotações longas, assim como proceder a lavouras profundas após a queima das folhas e restolhos para impedir a passagem da doença à cultura seguinte.

Cravagem (Claviceps pupurea)
Forma-se uma massa púrpura ou negra nas espigas. Este fungo só é evitado preventivamente: lavrar em profundidade e praticar uma rotação com milho, feijão ou ervilhas.

Doenças virais
O crescimento da planta é atrasado e formam-se nas folhas listas amarelas ou castanhas. Estas também podem encaracolar e enrugar. Evita-se estas doenças com insecticidas que matam os insectos que carregam os vírus. Também não devemos usar sementes de campos infectados.


Para saber mais:

Luis Miguel Pinheiro da Luz. Análise da aptidão cultural de Timor-Leste utilizando um Sistema de Infomação Geográfica. Tese de Mestrado. Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa, 2003.

Joaquim André Sampaio. ACultura do Trigo. Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação. Lisboa, 1990.

Ian MacDonald e John Low. Tropical Field Crops.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Turma 2º ano Ciências Agrárias (2003)



Turma 2º ano Curso Ciências Agrárias nian, hosi Universidade Nasional Timor Lorosa'e tinan 2003, iha projecto cooperação nian Fundação das Universidades Portuguesas. Foto sira ne'e durante aula Zootecnia Geral kona ba anatomia exterior balada nia. Kuda ne'e fo ona hanessan "voluntário", nia fo tulun Amia nia lisaun. Fatin ne'e iha jardin UNTL nian. Dalan sira iha Dili ainda hatudu barak uma motuk. Ha'u triste tebetebes tamba ha'u nia timor maun sira terus...



Hosi karuk ba kuanan: Edita Espirito Santo, Ermelinda Soares, Luis Cunha,Ercilia Guterres, Adelia Alves, Mario Tavares, Sérgio Barreto, Edmundo Martins e Pedro Laranjeira.

terça-feira, setembro 09, 2008

Ai tomati, Tamarilho ou àrvore do Tomate (Cyphomandra betacea Sendt)

O tamarilho pertence à grande família das Solanáceas e é uma pequena árvore que podemos encontrar nas terras altas de Timor-Leste, sendo muito cultivada particularmente na zona de Ermera. A sua origem encontra-se nos Andes, donde se expandiu para todas as zonas de clima subtropical. Em Portugal também se encontra nas zonas temperadas junto à costa.
Esta árvore chega aos 6 m de altura e é facilmente reconhecida pelas suas grandes folhas semelhantes à da teca. As flores são rosa claro e muito discretas. É uma planta monoica hermafrodita (as flores têm os dois sexos).
Prefere clima temperado subtropical, como o clima Cw (tropical de altitude) das montanhas de Timor. Gosta de soltos bem drenados, frescos e ligeiramente ácidos (pH<6), sendo muito sensível à falta de água. É uma planta que prefere situações de plena luz . Não se adapta às hortas muito expostas ao vento, pois este parte as suas grandes mas frágeis folhas.
Esta árvore vive cerca de 6 a 9 anos, entra em produção aos 18 meses, e produz um máximo de frutos aos 3-4 anos.
O fruto é parecido com um tomate, é oval e pontiagudo no extremo inferior. A cor é vermelha ou amarela, e a polpa é ligeiramente ácida com sabor a tomate.
Para cultivar o tamarilho deve-se plantar no início da estação húmida num compasso de 1,5-2 m x 4-4,5 m.. A terra deve ser bem cavada em profundidade, abrindo-se covas com 50x50 cm. O solo das covas deve ser misturado com estrume muito bem curtido de vaca, búfalo, porco ou aves. O tamarilho responde bem à fertilização do solo.
As plantas podem ser reproduzidas por semente, que se enterram num vaso, repicando-se depois as plantas para sacos ou vasos. A germinação é melhorada ao colocar as sementes limpas e secas, 24 horas num frigorífico, antes de semear. Debaixo das copas desenvolvem-se plantas novas a partir das sementes caídas, que se podem depois transplantar para local definitivo (esta é a origem dos tamarilhos que tenho aqui em Sines no quintal e que me deu uma agricultora em Milfontes).
Nas árvores em produção poda-se os ramos mortos e doentes e os que tenham tido muitos frutos. Aplicar regularmente uma camada de estrume e de folhas secas (mulching) à volta das árvores. É muito importante nunca deixar a terra secar. Por isso, na estação seca, a rega aumentará certamente a produção de frutos.
A produção por árvore estima-se em 15-25 Kg/ano ou 15-17 t/há/ano. Armazena-se 12 semanas a 3,4-4,5 ºC. Dura 9 a 10 dias nos postos de venda. O fruto deve ser colhido só quando tem uma cor uniforme (todo vermelho, ou todo roxo).
Esta fruta come-se fresca quando bem madura. Mas também podemos conservar como doce ou conserva e vender. Compota de tamarilho “made in” Timor-Leste. Mãos à obra !
Bibliografia: Pedro Rau, Cultura do Tamarilho.



Flores, folha e fruto de tamarilho (ainda em formação)



Cacho de flores



Tamarilhos maduros no mercado de Emera



Viveiros da Missão Agrícola portuguesa. Esta Missão tem desenvolvido um trabalho notável desde 2000, fornecendo plantas às populações, organizando viveiros comunitários e cursos de formação. Este viveiro é em Ermera e foi organizado com um grupo de jovens desempregados em terrenos cedidos pela igreja local.



Pilha de composto (Ermera). Para obter um bom composto para mulching, fazemos uma pilha com restos de plantas, folhas secas, restos de cozinha, cascas de café, estrume de animais, dejectos humanos, etc... Vai-se regando e mexendo semanalmente. Cobre-se com uma camada de palha de arroz ou outra. Quando estiver como terra (os materiais originais já se custam a distinguir), ao fim de algumas semanas pode-se espalhar à volta das árvores.

terça-feira, agosto 05, 2008

Caliandra: tahan ba balada

A caliandra (Calliandra calothirsus) é um arbusto originário da América Central de onde foi levado para a Indonésia e depois para todas as zonas tropicais. Hoje em dia cultiva-se bastante nos países de clima tropical. Também em Timor-Leste podemos observar algumas plantações recentes de caliandra na Cooperativa Café Timor (Comoro), Brigada Agrícola de Gleno e Missão Lopes (Dare).

É um arbusto de desenvolvimento rápido e que pode crescer até aos 12 m. Pertence à grande família das leguminosa fixadoras de azoto e, por isso, tem grande interesse para melhorar os solos pobres de Timor. Pode vegetar em Timor-Leste em quase todas as regiões excepto na alta montanha, para lá dos 1500 m. Estas zonas já são muito frias para a caliandra. Porém resiste muito bem à secura, suportando até 6 meses sem chuva, pois desenvolve grandes raízes que trazem água das zonas mais profundas da terra.

Largamente utilizada nas Filipinas, na Indonésia e noutras ilhas do Pacífico, para enriquecer o solo, alimentar o gado e os peixes, e produzir lenha. Produz em abundância rebentos, folhas, flores, vagens e sementes de grande valor alimentar para os animais, particularmente na estação seca (bailoron). Resiste melhor aos insectos que atacam outras plantas forrageiras, como a leucena ou ai café. De referir que a caliandra produz flores todo o ano, as quais são muito apreciadas pelas abelhas. É por isso uma planta melífera.

É muito útil na recuperação de solos degradados e em regiões muito atacados por ervas como imperata (du’ut manulai), pois produz muita sombra que mata estas ervas. A sua sombra também é a razão porque se planta a caliandra junto às habitações e nas hortas (foto seguinte: copas de caliandra em Gleno, aliviam bastante o calor no campo timorense)



A caliandra pode semear-se directamente no terreno bem cavado, em conjunto com outras culturas ou em talhões separados, depois de demolhar as sementes durante 24 horas. Também se pode propagar por estacas obtidas a partir dos seus troncos e ramos. Nos cultivos mais densos pode usar-se um compasso de plantação de 2 x 0,5 m. Um processso muito aconselhado é o cultivo das caliandras em ruas afastadas de 5 a 10 m e com outros cultivos no meio dessas ruas (milho, mandioca, etc…). Deve-se ter o cuidado de cortar ou arrancar as ervas que rodeiam as jovens plantas, no 1º ano de vida. Nos solos mais pobres espalha-se e enterra-se algum estrume no terreno, para acelerar o crescimento das jovens caliandras.
Cortam-se os ramos a cerca de 1 m de altura para dar aos animais. Para produzir lenha a plantas devem ser plantadas à distância de 1 x 2 m e cortadas a 1m de altura de 6 em 6 meses.
Na foto seguinte podemos observar a plantação de caliandras da Brigada Agrícola de Gleno, feita pea Missão Agrícola Portuguesa. Na segunda foto bovinos balineses alimentados com gramíneas e ramos de caliandras, na Missão Lopes, em Dare. Nesta quinta os ruminantes são alimentados com uma dieta à base de caliandras, gramíneas tropicais e resíduos das hortas. As plantações foram feitas a uma cota inferior à dos estábulos de modo que as plantas recebem a água da lavagem por gravidade. Obtém-se assim uma boa reciclagem dos nutrientes e da água.