quarta-feira, janeiro 11, 2012

Abelhas de Timor - Bani Timor nian

Timor foi sempre um grande produtor de mel e de cera. Estes produtos eram, com a madeira de sândalo, das principais mercadorias vendidas pelos timorenses aos estrangeiros que aportavam à ilha, incluindo os portugueses.
Enquanto em Portugal a abelha usada em apicultura pertence à espécie Apis melifera, em Timor é a abelha Apis dorsata que é explorada. Esta abelha elabora nas árvores as colónias características com forma de meia lua  que podemos ver nas fotos e não se adapta a viver em colmeias. A obtenção do mel e da cera é assim o resultado de um corajoso trabalho de subida às árvores, onde com a ajuda de fumo se recolhem os favos. Podemos dizer que esta espécie ainda não se conseguiu domesticar.
Mas há tentativas. Temos conhecimento que no Vietnam em algumas zonas se montam estruturas muito simples que consistem numa vara grossa montada nas extremidades em duas estacas cravadas no solo, uma com 2 m e outra com 1,2 m. A vara fica inclinada, e é depois untada com cera e algum mel. A esta vara encostam-se alguns ramos e bambus de modo a proteger os futuros favos do sol. Quando se recolhe o mel, corta-se unicamente a parte superior direita da meia lua, situada junto à vara. As abelhas continuam a viver na colónia e reconstroem a parte retirada. A face superior da vara, que fica virada para cima,  é aplanada de modo a ficar direita e favorecer o escorrer da água para o solo. 

Bani Timor-Leste nian pertense espécie Apis dorsata. Bani ne'e fuik tebes. Sira diferente bani iha Portugal katak pertense espécie Apis melifera.
(fotos da Dra.Anabela Sequeira)

O mel obtido é vendido em garrafinhas, perto das estradas e nos mercados.

sábado, dezembro 17, 2011

As Pastagens Tropicais

Pastagem natural sob ai-bubur mutin (Eucalyptus alba)  em Hera, no início da estação das chuvas (Foto:Rui Ramos)

As Pastagens Tropicais
Prof. José Eduardo Mendes Ferrão

32ª Reunião de Primavera da Sociedade Portuguesa de Pastagens e Forragens

Escola Superior Agrária de Coimbra, 27-29 de Abril de 2011





I- Aspetos preliminares da produção de pastagens e forragens nos trópicos



Na circulação geral da atmosfera nas regiões tropicais verifica-se que:

-O sol está todo o ano perto da vertical do lugar provocando um maior aquecimento geral;

- Há uma inflexão das curvas isotérmicas na vertical de baixo para cima pelo aquecimento do ar;

- Há uma subida do ar quente e progressivo abaixamento da temperatura que provoca chuvas, por ser ultrapassada a capacidade do ar em manter mais humidade;

- Há a criação de um «vazio» ao nível da terra provocando a chamada de massas de ar de norte para sul no hemisfério norte e de sul para norte no hemisfério sul provocando ventos que no hemisfério norte são se nordeste para sudoeste no hemisfério norte e de sudoeste para nordeste no hemisfério sul devido ao movimento de circulação da terra em volta do seu eixo. Estes ventos são chamados alísios;

- No hemisfério norte estas massas de ar circulam sobre os oceanos carregando-se de humidade e nessas condições chegam às regiões tropicais, onde a humidade relativa é geralmente muito alta e assim a subida das massas de ar provocada pelo aquecimento, como se refere, provoca chuvas abundantes.

-Nas camadas superiores da atmosfera das regiões tropicais formam-se ventos divergentes, frios e secos que podem ultrapassar a zona intertropical e normalmente são barrados pelas formações anticiclónicas das zonas temperadas. Essas massas de ar têm movimento descendente e vão substituir as massas dos ventos alísios. Ao descerem de altitude vão aquecendo e provocando uma diminuição da humidade relativa. Nas regiões atingidas por estas massas de ar, não chove ou chove pouco



As condições ecológicas, no que se refere às temperaturas e intensidade e distribuição das chuvas, partindo do Equador para os Trópicos, vão variando gradativamente e os seus reflexos na vegetação são sensíveis, provocando vários tipos de associações vegetais que se interpenetram nas regiões de contacto.



Nas proximidades do Equador as temperaturas ao nível do mar são quase sempre superiores a 20º C e as quedas pluviométricas são elevadas e distribuídas em quase todo o ano, embora com intensidades diferentes conforme a posição do sol no seu movimento aparente. Estas são as características gerais de um clima equatorial a que corresponde a chamada floresta higrófila, floresta sempre verde ou floresta equatorial (os brasileiros chamam-lhe a floresta onde o homem nunca pôs o pé) que se caracteriza por uma vegetação densa de acesso difícil com uma vegetação muito variada desde árvores de elevado porte que chegam a ultrapassar 60 m de altura cujas copas formam o andar superior. Seguem-se árvores de porte mais baixo por vezes com plantas trepadeiras, depois outras ainda mais baixas, arbustos e finalmente ervagens formado o tal conjunto de difícil acesso.



À medida que nos afastamos do Equador vamos encontrar duas estações no ano, uma mais quente e chuvosa correspondente ao período em que o sol está mais perto da vertical do lugar e outra menos quente e menos chuvosa ou mesmo seca quando sol se encontra mais afastado da vertical do lugar. Nestas condições, a vegetação, ainda dominantemente arbórea, é muito menos densa, as árvores são de menor porte, têm ramificação mais baixa, as copas são mais extensas tendendo para o semiesférico ou em forma de umbela, as plantas arbustivas e ervas aparecem com maior dominância e é relativamente fácil entrar nestas associações vegetais para nelas instalar actividades agrícolas ou de criação de gado.



Caminhando progressivamente para norte no hemisfério norte e para sul no hemisfério sul a partir do Equador, as árvores cada vez são de menor porte e mais raras passando progressivamente a dominar as ervagens. Assim se segue a chamada savana com algumas árvores, a savana onde os «capins» são marcadamente dominantes, depois uma vegetação de espinhosas quando as quedas pluviométricas começam a ser mais escassas, depois as condições subdeséticas com as plantas xerofíticas entre as quais ao catos espinhosos e finalmente os desertos correspondentes às zonas de ventos descendentes, como se referiu onde as chuvas são muito escassas e muito concentradas.



As áreas de deserto, correspondentes às massas de ar que descem das camadas superiores da atmosfera, aquecendo correspondem aos chamados «anéis desérticos» que no hemisfério norte correspondem ao Sara em África, ao desertos da Arábia e às montanhas rochosas na América do Norte e no hemisfério sul ao deserto de Calari em África, ao centro da Austrália e às zonas secas da Argentina.



As zonas mais aptas para a agricultura, salvo algumas exceções, localizam-se nas zonas de savana ou de savana com algumas árvores, aquilo que nalguns países de expressão portuguesa se chama a «mata de panda» ou «mata B. B. B. (por serem dominantes espécies dos géneros Berlinia, Brachystegia e Combretum).



II- Criação de gado ou pastorícia e Pecuária



Erva e palavão branco (Eucalyptus alba): um importante ecossistema da costa norte de Timor (foto:Rui Ramos).

Nos trópicos são actividades distintas, embora possam ocasionalmente ser exercidas pelo mesmo agente. Criação de gado típica ou pastorícia é um tipo de exploração da vegetação existente, por animais que pastam livremente e que a aproveitam como entendem. Os animais vivem quase livremente em grandes áreas deslocando-se à procura das plantas que mais lhes agradam, limitando-se o proprietário a intervir quase só para retirar animais para venda. O animal depende para a sua sobrevivência exclusivamente da pastagem natural onde a intervenção do homem é nula ou quase nula O gado é vigiado por um pastor que muitas vezes tem apenas uma ideia vaga do número de animais que possui, dispersos em áreas consideráveis. Os animais, para viverem nestas condições, têm que estar adaptados a elas e assim, entre outras características, devem ser animais pequenos com pernas altas para se poderem movimentar com facilidade e ultrapassar os obstáculos que vão encontrar na área da pastagem e destinados fundamentalmente à produção de carne. Os animais apresentam ciclos de aumento e diminuição de peso ao longo do ano, conforme as disponibilidades de pastagem, relacionadas como regime das chuvas.

Na pecuária há integração dos animais na agricultura. O seu proprietário é o agricultor. Os animais comem resíduos da actividade agrícola, pastos semeados, por vezes em regime estabulado ou livre durante o dia, mas abrigando-os durante a noite e os estrumes são incorporados nos terrenos agrícolas. Os animais poder ser de pernas curtas de grande corpulência, mais sensíveis ao meio tropical por estarem protegidos parcialmente dos seus inconvenientes e orientados para a produção de carne ou de leite.



Entre estas duas situações estremas, podem encontrar-se formas intermédias que se aproximam mais do primeiro ou do segundo tipo de exploração referidos.

Assim na criação de gado podem instalar-se bebedouros, tanques carracicidas, circundar as pastagens em talhões de pastoreio intermitente, colher uma parte da pastagem nos períodos em que ela é mais abundante para fenar servindo o feno como complemento da alimentação nos períodos do ano com maior carência de alimentos, ou cultivar plantas apropriadas para fenar, com o mesmo objectivo.

Búfalos em Metinaro (Foto:Augusto Lança) 

Como regra nas regiões tropicais os pastos têm essencialmente por base plantas da família das gramíneas com várias outras espécies e as primeiras são frequentemente rizomatosas podendo assim rebentar nos anos seguintes, mesmo que a parte aérea seja destruída pelo pastoreio ou pelas «queimadas». Para a actividade agrícola estas plantas são difíceis de extirpar e a introdução de equipamento mecânico pode agravar a dificuldade na medida em que dividindo os rizomas em pedaços a operação está a fazer a multiplicação destes «capins»

Alguns destes «capins» só são palatáveis nos primeiros tempos após a rebentação e enquanto não endurecem. Se os animais tiverem alimento em excesso na pastagem, muitas destas plantas crescem livremente, endurecem e chegam a atingir grande altura e os colmos ficam duros muito grossos alguns deles como canas. Nestas condições os animais deslocam-se com dificuldade e os pastos na estação seguinte passam a ser ainda menos bem aproveitados. A solução é recorrer à queimada a que nos referiremos mais adiante e que se for bem conduzida não ocasiona grandes males.



As caraterísticas das pastagens de acordo com a composição florística e na mesma latitude vai-se modificando à medida que se sobe em altitude em consequência da benignidade do clima e pelo aumento das quedas pluviométricas.

Assim, no litoral, normalmente mais seco encontram-se os chamados pastos doces, nas zonas de altitude os pastos amargos e nas situações intermédias os pastos mistos que se aproximam mais dos primeiros ou dos segundos consoante a altitude em que se encontram.

De acordo com Scott que se dedicou a este aspecto sobretudo na África do Sul enumeram-se as caraterísticas principais de uns e outros



Pastos doces (sweetveld):

-Uma cobertura graminosa que se mantêm palatável e nutritiva ao longo do ano, mesmo que se encontre na fase de frutificação

-Ricos em arbustos comestíveis e de bom valor nutricional

-Aparecem nas baixas altitudes em zonas não atingidas pelas geadas

-Aparecem em zonas com quedas pluviométrias baixas e irregulares

-Têm uma cobertura graminosa escassa e baixa capacidade bovina por unidade de superfície

-São muito sensíveis quando pastados durante a fase de crescimento

-Têm tendência para o desenvolvimento de arbustos espinhosos

-É difícil o corte dos fenos por forte invasão de arbustos e gramíneas fortes

-São de difícil utilização quando estão na fase de crescimento e os fenos podem apodrecer no terreno durante as chuvas.


Uma vacada em Laga (Baucau) ao meio dia. Veja-se a extrema importância da sombra para o conforto dos animais. Com bem estar produzem mais leite e mais carne. (Foto: Augusto Lança)

Pastos amargos ou pastos acres (sourveld):

-A pastagem é constituída principalmente por ervas «amargas» só palatáveis durante a fase de crescimento mas durante esse tempo são muito valiosas

-Aparecem nas zonas de altitude onde o clima é mais fresco

-As quedas pluviométricas situam-se entre 650 e 1500 mm e as forragem apresenta um crescimento regular e abundante

- Se não existir uma mata, a cobertura vegetal é normalmente densa

- Estes pastos podem ser pastados intensivamente

- Estes pastos praticamente não têm árvores ou arbustos comestíveis

- Alguns destes pastos podem ser ceifados para fenar mas nem sempre se pode usar equipamento mecânico por causa da irregularidade do terreno, da presença de árvores dispostas irregularmente ou de pedras.

- A pastagem tem muito boas caraterísticas logo a seguir ao aparecimento das chuvas mas deficientes no fim desta estação porque a forragem torna-se muito grosseira e pouco palatável





Pastos mistos (mixed veld)

-Têm sempre uma parte da pastagem palatável ao longo de todo o ano

-As quedas pluvioméricas situam-se entre 400 e 800mm.

-A pastagem é densa e o encabeçamanto maior que nos pastos doces

-Resistem mais à destruição que os pastos doces e menos que os pastos amargos

-Alguns tipos, principalmente nas zonas de transição para os pastos doces podem ser invadidos por arbustos

-São moderadamente ricos em espécies arbóreas ou arbustivas comestíveis

-Nalguns casos é possível cortar o pasto, noutros isso não é possível.

-A necessidade de alimentos suplementares na estação seca é reduzida, desde que a pastagem seja orientada racionalmente





Pastos arbóreos- Nas áreas de savana com algumas árvores ou em regiões sub- desérticas podem existir árvores cuja folhagem seja comestível pelos animais. Os casos são muito frequentes. Algumas destas árvores não perdem a folhagem durante a estação seca e assim constituem um poderoso complemento da alimentação dos animais nos períodos mais ecos do ano O valor deste complemento é tanto maior quanto a forragem é mais pobre ou o clima é mais desfavorável à presença de alimentos em continuidade durante todo o ano. As acácias e o mutiate, entre muitas outras, são plantas muito frequentes nestas zonas de pastagens tropicais





III- A gestão das pastagens na criação de gado típica



No seu aspecto mais simples, muito ligado a grandes disponibilidades de áreas próprias ou concessionadas, os animais pastam e deslocam-se livremente consumindo as plantas que mais lhe agradam. Uma modificação deste sistema envolve a construção de cercas limitando as propriedades para que os animais não se dispersem por terras contíguas onde a posse dos animais pode ser contestada. A pastagem é mal aproveitada, os animais deslocam-se a distâncias maiores perdem peso, a parte da pastagem não consumida pode constituir uma espécie de barragem à deslocação dos animais. Entretanto a pastagem vai-se degradando na sua composição florística. As plantas mais tenras são consumidas muitas vezes antes de produzirem semente que as reproduziria na estação das chuvas seguinte e como a maioria não tem sistema radicular persistente, vão desaparecendo. A pastagem de pouco a pouco vai endurecendo e perdendo valor nutritivo e pode tornar-se inutilizável pelos animais por dificuldades de deslocação e empobrecimento do seu valor nutricional. Principalmente nos pastos amargos quando os animais não aproveitam completamente a pastagem os «capins» endurecem e podem constituir embaraço para a circulação dos animais. Nestes casos é vulgar recorrer-se a uma queimada controlada que destrói esta vegetação (caniços) sem afectar grandemente o solo. Ao mesmo tempo «desinfeta-se» o terreno de parasitas dos animais como as carraças aparecendo assim como medida sanitária. Além disso, o calor incidindo no solo e nas partes subterrâneas das plantas (rizomas ou raízes tuberosas) permite uma rebentação precoce e assim se pode reduzir o efeito da falta de pasto na estação seca já que os animais têm pastagem nova mais cedo.





IV -Situações de transição entre a criação de gado e a pecuária, tal como foram acima consideradas



Na criação de gado típica podem introduzir-se «melhoramentos» visando uma melhor utilização, sem deixar de ter como base a pastagem natural.



1- A Cerca - Quando numa região existem várias explorações com este mesmo objectivo, para além da demarcação da propriedade, pode fazer-se uma cerca para os animais não saírem do espaço da propriedade ou da concessão.



2- A Compartimentação da pastagem -A pastagem pode ser compartimentada em talhões mais ou menos extensos consoante o número de animais e as características da pastagem. Os animais permanecem no mesmo compartimento até comerem toda a pastagem o que por um lado tira melhor partido dos recursos e por outros evita que ela com o temo se torne inaproveitável pelos animais e estes só voltarão a este compartimento quando nele a forragem estiver reconstituída. Os animais vão assim passando de uns talhões para outros e neles permanecendo o tempo necessário para o seu aproveitamento total. È certo que nas primeiras fases os animais utilizarão melhor as plantas de que mais gostam mas a sua permanência no mesmo local obriga-os a utilizar as plantas que numa primeira desprezaram.



3- A constituição de talhões de reserva a usar se por qualquer motivo algum dos talhões deixar de reunir as condições desejáveis sendo então substituído no esquema de utilização por aquele que se tem como reserva.



4- A constituição de talhões para fenação destinados a suplementar a alimentação com os fenos aí produzidos. Muitas vezes colhe-se o feno nos talhões acima referidos de pastagem quando as disponibilidades de alimento são superiores às necessidades. O corte para fenação deve ser feito com as plantas na fase de floração ou de maturação das sementes. A suplementação com fenos realiza-se principalmente na época seca.



5- A distribuição de bebedouros. Muitas vezes estas áreas de pastagem não têm fontes de água facilmente acessíveis aos animais obrigando-os a passar sede ou a percorrerem grandes distâncias para beberem, provocando tanto uma situação como outra, uma perda de peso dos animais. Os bebedouros, convenientemente distribuídos, podem fazer ultrapassar estes inconvenientes mas é necessário acompanhar este sistema pois os animais tende a concentrar-se nas proximidades dos bebedouros e provocar um pastoreio exagerado nas redondezas e mesmo a desagregação do terreno por pisoteio.



6- Tanques carricidas -Os animais no sistema de criação de gado referido estão mais sujeitos a ataques de pragas e doenças, as primeiras atingindo principalmente a pele e mucosas com as carraças de diferentes espécies e moscas e moscardos que colocam os ovos no corpo dos animais. Podem construir-se tanques carricidas, normalmente junto das fontes de água, onde os animais são mergulhados em água com um pesticida apropriado dissolvido. Estes tanques têm a forma geralmente retangular, os animais entram neles por um plano inclinado e são obrigados a atravessar o tanque até a saída no lado oposto de tal forma que todo o corpo é mergulhado no líquido. Por isso os tanques devem ter a profundidade apropriada que na sua parte mais funda ultrapasse a altura dos animais ficando todo o corpo mergulhado durante alguns segundos. Com os animais arrastam parte do líquido quando saem dos tanques é necessário de quando em vez restituir o nível do líquido e ou juntar pesticida.



7- Abrigos – nalgumas regiões onde as noites são mais frias, principalmente no período mais seco podem constituir-se abrigos para recolher os animais durante a noite. Esses abrigos devem ser simples e baratos e muitas vezes são feitas as paredes com fardos de palha ou de feno que durante esse período mais seco e com menos forragem vão comendo como suplemento e um cobertura simples por vezes uma armação de madeira da região coberta com ramos de árvores. Estes «currais» devem ter um parque anexo vedado onde os animais possam movimentar-se e fazer os seus dejectos e por isso revestidos de mato. O material destes pátios é depois utilizado na fertilização de prados se eles forem construídos.



8- Prados regados -Quando, como é frequente as áreas de pastagem são atravessadas por cursos de água, é possível semearem-se prados artificiais com leguminosas ou gramíneas apropriadas para dar como suplemento aos animais quer verdes quer fenados.



De pouco a pouco o sistema vai-se aproximando da pecuária, tal como a definimos.



9- Os abrigos do sol - Muitas vezes estas pastagens existem e são exploradas em savanas com algumas árvores e mesmo nos outros casos pode haver uma ou outra árvore da área da pastagem. Essas árvores devem ser conservadas e podem ser um excelente complemento de resistência dos animais ao calor e por isso se juntam nas horas mais quentes à sombra destas árvores. Algumas delas dão frutos ou sementes comestíveis que os animais consomem enquanto descansam e se defendem do sol e nesse caso as árvores desempenham dupla função.



10- A «resementeira»- Em muitas grandes concessões de pastagem, por vezes ultrapassando 100 000 ha, recorre-se ao lançamento de sementes por via aérea quando a pastagem está muito adulterada quer pela variação acentuada da composição florística, quer pela rarefação da pastagem.

.
Leucena em terraços para dar ao gado na estação seca numa encosta de Dare (Foto:Augusto Lança)


V- Os animais apropriados para a pastorícia



A ideia que um cidadão de um país das zona temperadas foi criando para um animal de alta vocação para a produção de carne em sistema de pecuária intensiva é, sob o ponto de vista zootécnico um cilindro de pernas curtas, massas musculares volumosas e tenras, principalmente nos quartos posteriores e pequena percentagem de gordura. O animal para viver em sistema de pastorícia tem de ter características diferentes, entre as quais obedecer aos princípios gerais seguintes:



1- Capacidade de tolerância ao calor medida pela expressão seguinte:



Cap. Tol. Cal. (CTC)= 100-(temp. do corpo-101)

Em que a temperatura do corpo é medida em graus F quando ao animal está exposto à acção direta da luz solar num dia em que a temperatura se mantenha a 85ºF. (c.a. 30ºC.). Com regra geral as raças europeias não são as indicadas para viver nos trópicos.



2 –Os animais adaptados aos trópicos têm um número mais elevado de glóbulos vermelhos no sangue



3- Os animais adaptados aos trópicos tem uma quantidade mais elevada de glândulas sodoríparas.



4- Os animais adaptados aos trópicos devem ter grande tolerância à sede pois podem ficar vários dias sem poderem beber e manterem um elevado grau de apetite. Os animais adaptados devem perder menos água pelas fezes e pela urina



5- Os animais adaptados aos trópicos devem suportar grandes períodos de fome. É muito frequente os animais das regiões subáridas acumularem gordura sob a forma de bolas de gordura de apreciáveis dimensões na região da cauda durante os períodos de alimentação mais abundante para utilizarem nos períodos de carência de alimentos.

6- Os animais adaptados aos trópicos devem reunir um conjunto de caraterísticas morfológicas:

1-Pigmentação da pele- Os animais das zonas tropicais de baixa altitude devem ter uma pigmentação da pele clara para refletirem os raios caloríficos e nas zonas de altitude onde é mais de temer o efeito dos raios ultravioletas, a pigmentação da pele deve ser escura.

2-Espessura da pele- As peles espessas são mais resistentes aos ataques das carraças e as feridas saram mais facilmente mas a dispersão do calor é mais difícil. A pele fina «treme» mais facilmente mobilizada pelos respetivos músculos e é mais irrigada à superfície, permitindo uma dispersão do calor mais fácil. O animal defende-se das moscas e de outros insetos voadores que lhe sugam o sangue, o irritam, o obrigam a manter-se em movimento, a perder o apetite e a gastar energia.

3- A pelagem deve ser constituída por pelos direitos e brilhantes formando uma camada lisa e luzidia que funciona com espelho e reflete os raios caloríferos. A pelagem espessa, constituída por pelos retorcidos e baça não é favorável à irradiação do calor.

4- Exigência quanto à qualidade dos alimentos -Os animais têm de ser pouco exigentes quanto à qualidade dos alimentos que consomem. Com frequência têm de se servir de alimentos grosseiros, comer folhas e rebentos das árvores e desenterrar órgãos subterrâneos.

5-Conformação- Um animal para ser submetido ao sistema de pastorícia deve::

5.1- Ser pequeno para se poder movimentar melhor

5.2- Ter membros altos para melhor fugir dos seus inimigos e atravessar obstáculos diversos que se encontram nos terrenos da pastagem.

5.3- Ter cauda comprida para afastar as moscas inoportunas

5.4- Ter cornos para melhor se defenderem dos outros animais e nas lutas entre eles. Mas os animais de cornos muito compridos ferem-se mais facilmente nos combates e têm maior dificuldade em se deslocar no emaranhado da vegetação arbustiva que é frequente em certos tipos de pastagens.





sexta-feira, outubro 21, 2011

Hotu-hotu labarik-feto ba eskola

Mundu haluha rekursu barak importante: millaun sira feto foin-sa’e. Sira lerek eskola maibe barak estudu sira hatudu katak bainira sira kontinua edukasaun iha eskola no haleur loron-kaben, bele ajuda sira-nia komunidade tamba hamenus labarik-oan mate, haboot família osan nian no hamenus moras sida.

Banco Mundial, ONU no ONG hanessan Girl Effect (www.girleffect.org/video) buka katak feto foin-sa’e bele fo ajuda importante ba sira-nia família. Se Ita fo educasaun ba labarik-feto ida, Ita fo edukasaun ba nasaun ida : Ita bele sobu pobreza bainira labarik-feto kontinua iha eskola.

Infelizmente, iha nasaun sira kiak 1/7 feto-oan kaben antes halo tinan 15. Sira-nia feto-oan halo afoin mezmuke sira.

Problema isin-rua nian principal kausa mate iha feto-oan tinan 15-19. Barak Feto-oan mate durante partu.

Edukasaun halo ninia ciclo ida. Banco Mundial dehan katak feto-oan kontinua resin fulan 4-6 iha eskola, ida-idak tinan ida ninia inan iha eskola.

Ida-idak tinan iha eskola bele haboot futuru osan feto-oan ida nian  20 %.



As Meninas ao Poder

O mundo em desenvolvimento detém um recurso que ignora: milhões de raparigas adolescentes. Elas tendem a abandonar a escola a meio da adolescência, mas estudos mostram que se estas raparigas se mantivessem na escola e atrasassem o casamento, tanto elas como as suas comunidades beneficiariam com a redução da mortalidade infantil, o aumento do rendimento familiar e a diminuição da disseminação da sida.

O Banco Mundial, a ONU e organizações sem fins lucrativos como a Girl Effect ( www.girleffect.org/video) estão a procurar formas de tornar as mulheres jovens mais valiosas para as suas familias. Se educarmos uma menina educamos uma nação: o ciclo da pobreza pode ser quebrado quando as raparigas ficam na escola. Nos países em desenvolvimento (exceto a China) uma em cada sete raparigas casa antes dos 15 anos. As filhas fazem frequentemente o mesmo.

As complicações associadas à gravidez são a principal causa de morte das meninas de 15 a 19 anos. As adolescentes são mais propensas a morrer no parto.

A educação cria o seu próprio ciclo. Segundo o Banco Mundial, uma criança permanece mais 4 a 6 meses na escola por cada ano completo de educação formal que a sua mãe recebeu.

Um ano adicional de escola primária pode aumentar o futuro rendimento de uma menina até 20%.

(In: Nathional Geograhic, edição portuguesa de Outubro)

Nas duas fotos, alunas e alunos do curso  de Engenharia Agro-Pecuária da Fundação das Universidades Portuguesas e da Universidade Nacional de Timor Lorosa'e, em Dili. 

sexta-feira, setembro 09, 2011

Vamos todos enviar sementes para Timor

Os agricultores timorenses continuam a debater-se com uma grande falta de sementes, particularmente de plantas hortícolas. A organização de hortas comunitárias está a ser promovida por todo o território, como forma de melhorar a nutrição dos timorenses, particularmente das crianças. A alimentação de quase toda a gente é muito pobre em proteínas, vitaminas e sais minerais e muito dependente do milho, da mandioca e do arroz. No final da estação seca - não esquecer que Timor tem quase todo o seu território dentro do clima de savana, com a sua longa estação seca - tudo se complica e a dieta cai para níveis preocupantes. Melhorar e aumentar a produção animal e a hortícola com os recursos locais é pois uma acção prioritária para uma melhor saúde dos timores.
Existe porém um grande problema: a falta de sementes. Por todo o território se regista uma carência generalizada de sementes desde a simples nabiça até à alimentícia fava. Podemos todos dar uma mãozinha aqui em Portugal ou noutras partes do Mundo. Basta colocar alguns pacotes de ervilhas, favas, salsa, coentros, nabos, cenouras, etc... dentro de uma caixinha e enviar para:

Eng. Pedro Mesquita
Presidência da República
Palácio Nicolau Lobato
Dili
Timor Leste

Envie em correio económico que é muito barato.
As espécies temperadas como as ervilhas e as favas dão-se em Timor nas montanhas onde o clima é temperado de altitude.
Depois de muito trabalho e sob um sol inclemente esta agricultora de Batugadé, começa a secar o seu "batar". Valentes, fortes mulheres de Timor, que com sangue suor e lágrimas conseguem fazer produzir o solo pedregoso dos montes ! To'os na'in feto asuain !  
Horta comunitária de jovens na Ilha de Ataúro (foto de Pedro Mesquita)

Horta em Metinaro no sob-coberto de árvores providenciais como a palapeira, ao fundo, que dá o precioso sagu, o coqueiro e o bilimbi (Averroa bilimbi).(foto do autor).
Horticultores pobres de Hera: a terra já está cavada e espera o "modo-mutin".
To'os nain kiak Hera nian. Rai hein modo-mutin... (foto do autor).

Esta sesbania encarnada já cá está. Agora só falta a horta à volta. Tudo irá beneficiar do azoto fixado pela sesbania. Até a vizinha papaieira.
Turis ne'e hein modo no coube. Nia sei fo barak azoto (N) ba hotu agro-ekossistema.
(De quem será esta foto ?)

domingo, julho 17, 2011

Ai nitas (Sterculia foetida)

A ai nitas é uma árvore da flora de Timor-Leste. A área onde aparece espontaneamente pode ser representada por um arco que se estende da África Oriental à Austrália, passando pela Indonésia e Timor-Leste.
A parte mais interessante e curiosa desta planta encontra-se nos seus frutos. Quando ainda verdes assemelham-se a um porta-moedas fechado. Quando o fruto amadurece abre e mostra um interior inesperado. Um tecido fortemente tingido de vermelho envolve um conjunto de sementes ovais e castanhas (veja a nossa foto em baixo).
Trata-se de uma árvore tropical, de folha caduca na época seca, e que aparece um pouco por todo o lado em Timor, menos nas terras mais altas e frias. Como requere uma certa humidade no solo também não se vê muito nas zonas mais secas da costa nordeste.
Os seus surpreendentes frutos, tornam esta planta indicada para jardins, particularmente plantada isoladamente para que toda a sua beleza possa realçar.
É planta de grande valor ecológico, pois sendo autóctone de Timor está perfeitamente integrada nos habitats onde se desenvolve. Deve pois ser cultivada nas zonas erodidas e em todas aquelas onde se pretenda recuperar a floresta natural timorense. A Missão Agrícola portuguesa tem distribuido milhares de ai-nitas pelos agricultores. Na divisão dos terrenos ou junto às estradas a ai-nitas fortalece o contínuo natural.
As suas sementes são tóxicas quando cruas mas comestíveis depois de assadas. Têm bastante óleo e a acção do calor dá-lhes um sabor muito agradável. Na Indonésia extrai-se este óleo que tem utilizações industriais (óleo de kelumpang) e alimentares.
As folhas são uma boa fonte de proteína, cálcio e fósforo para os ruminantes. Na estação seca as folhas caidas poderão ser uma boa ajuda na alimentação do gado.
A madeira de ai nitas é leve e só se pode usar no interior das casa pois quando exposta à chuva apodrece rapidamente.
O nome da planta indica que uma das suas principais características é o odor desagradável que os seus tecidos libertam (serculia=estrume, foetida=fedorento). No Brasil a árvore foi introduzida como ornamental e é conhecida como chichá-fedorento. Noutros locais conhece-se como pau- merda. Em inglês diz-se hazel sterculia e em indonésio kalupat, kabu-kabu ou kepo. Em espanhol chamam-lhe anacaguita.

Ai-nitas planta Timor-Leste ai laran nian. Ita bele hetan ai-nitas hosi África Lorosa’e ba Austrália leten.

Ai-nitas nia ai-fuan engrasadu tebtebes no hanessan karteira ida.
Nia planta hosi klima tropikal no hamonu ai-tahan durante tempu bailoron. Ita bele hare ai-nitas iha Timor-Leste besik tassi. Iha foho la iha manas no ai-nitas la sae boot. Planta ne’e malisan rai maran.
Ni-nian kmanek ai-fuan fo ai-nitas fatin importante iha jardín.
Nia ecologicamente kapaz no importante nu’udar planta Timor-leste ai-laran nian.
Nune’e Ita bele kuda ai-nitas iha fatin ho erosaun, nebe udan halakon rai. Ema bele mós kuda ai-nitas besik dalan sira no iha to’os klaran.
Udan sei halakon lalais ai ai-nitas nian. Nune’e Ita bele usa ai ne’e iha uma nia interior deit.
Fini ai-nitas nian halo kabun-solur bainira matak. Afoin tunu ema bele han fini diak liu. Fini ne’e fo barak mina katak ema bele han. Iha Indonésia ema fa’an mina ai-nitas nian (mina kelumpang).
Ai-tahan diak ba balada tanba fo barak proteína, cálcio no fósforo. Especialmente durante tempu bailoron
balada laiha du’ut no bele han ai-nitas nia ai-tahan maran.
Ni-nian naran katak ai hanessan balada tem, tanba nia ai-funan dois: Sterculia=balada tem, foetida=dois). Ema lori ai-nitas ba Brasil atu kuda ihan jardín sira. Iha ne’e nia naran chichá-fedorento ka pau-merda. Iha Indonésia ema hatene kalupat, kabu-kabu ka kepo. Lia inglês hazel sterculia no lia espanhol anacaguita.

domingo, junho 05, 2011

As sementes do sândalo (Santalum album)

Sementes de sândalo - Fini ai kameli (foto do autor)

As sementes de sândalo são de cor cinzenta ou castanha, têm forma esférico-oval e apresentam um bico. Antes de serem semeadas devem se escarificadas ligeiramente com uma lixa de grão fino, para acelerar a germinação. Semeiam-se num alfobre à base de areia e composto. Só dois terços da semente ficam  enterrados. As pequenas plantas transplantam-se depois do alfobre para vasos com pimento (Capsicum spp.). As raízes do sândalo começarão a parasitar as do pimento para obtenção de nutrientes.
Depois destes vasos passam para o campo ou para a horta da casa, onde podem ser plantadas ao lado de leucenas (ai café) (Leucaena spp.)).

   

segunda-feira, maio 02, 2011

A baunilha cria empregos - Baunilli fo serbisu barak

A baunilha tem origem na Améria Central e é uma orquídea. Os seus frutos têm grande valor comercial e a sua culura não é mecanizada. Depois de colher as suas vagens, estas passam por um tratamento relativamente prolongado. Trata-se pois de uma planta socialmente muito útil pois dá trabalho a muita gente.
Esta trepadeira gosta de condições de calor e humidade e dá-se até aos 600 m de altitude. A costa sul de Timor, mais húmida, é mais adequada ao seu cultivo. Nos outros locais será necessário regar.

Baunilli (Vanilla planifolia Anderews)) planta tropikal nebe'e mae hodi Amérika Central. Espanha oan iha séc. XVI lori baunilli ba Europa. Afoin planta ne'e ba ona  África, Indonésia, etc... nebé to'os nain hahú ninia plantação. Atu kuda baunilli precisa ema barak no la bele usa máquinas. Baunilli aifuan precisa barak tratamentu até  fa'an. Hanessan kultura ne'e fo serbisu ba ema barak. Socialmente´diak lós...
Iha Timor ami bele kuda baunilli até 600 m iha foho. Iha tassi feto la iha barak udan no Ita precisa haroo planta sira.durante tempo bailoron. Nunee fatin diak liu atu kuda baunilli iha distrito tassi mane.
Ita hatene kuda baunilli ?

Prepara fatin


Hamos fatin husi ai sira i mos du’ut. Fila rai to 20-30 cm depois halo rahun tiha.

Hari ai-lolon ba distancia 2 m x 2,5 m hodi marka rai ku’ak kuda fatin.

Ai Nani

Baunilli percisa ai nebe mak nia bele nani ba hanesan Aifau (Hibiscus tiliaceus L. )no Aidik (Brythrini sp.)no Ai-mahon (Swietenia microphyla) selu-seluk tan.

Sanak

Prepara ai sanak Aifau ou Ai-dik ni naruk 1,5-1,75 m para hodi kuda hanesan ai nani ba baunilli dikin. Aitan kuda tinan ida antes atu kuda baunilli. Halo rai kuak ho ninia sukat 40x40x40 cm. Rai nebe mak ke’e tiha ona nia +- 15 cm tau hamutuk ih arai kuak nia ibun karuk. Rai okos iha kuanan. Husik hela rai kuak ne’e ba semana 2-3. Hatama uluk rai nebe mak tau iha sorin karuk, depois mak hatama fali sorin kuanan ikus. Iha rai kuak nia klaran, kuda ai nebe hili ou Ai thia ona.

Be dalan foer

Iha fatin tetuk presiza atu halo baleta hodi bele soe be’e foer hanesan kabubu ho nia medida 30 cm x 40 cm e nia naruk hare tuir kondisaun. Baunilli presiza sistema bee dalam diak.

Estrume

Iha Aitan nia lolon tau estrume hanesan du’ut maran foer animal (karau fee diak liu), no ai talin. Nee sei halo nafatin rai bokon oifuan no sei fo nafatin estrume oituan husi karau tee.

Halo fini

Fini foti husi ninia dikin nebe diak e seidauk funan. Hili dikin nebe mak bo’t. Hili dikin nebe buras (diametro 8-10 cm per ruas), ho fukun besik malu husi 8-10 cm. Tesiaikin iha mais ou menos 50 cm hodi halo fini.

Habadak Aitan

Aitan nia sanak nebe mak moris iha okos e lo’os ba leten persiza atu tesi halo badak para labele mahon liu.

Lori fini

Para fini labele a’at loron balun tenki lori ba to’os e tau iha ailolon ho nia diâmetro 8 cm no nia naruk 2 m.

Prepara Fini

Fini Baunilli sanak naruk , 8-10 cm ruas ho nia medida naruk 0,8 -1,5 m ou sanak badak 5-8 ruas ho nia naruk 50-80 cm. Sanak nebe mak naruk ona comesa nia funan iha tinan 2; e tinan 3 ba sanak badak.

Adaptasaun


Antes atu kuda fini tenki halo uluk lai adaptasaun durante loron 3 to’o 7 hodi hein kanik nebe mak tesi sai maran.

Kuda baunilli

Halo rai kuak ho nia distancia 10-20 cm husi Aitan. Hatama ai sanak nia ruas 2-3 no halis 20-30º, depois taka ho mulsa. Sanak iha rai leten halo toba e kesi metin iha nia leten , klaran, e okos iha Aitan. Rega baunilli dala rua iha loron ida, dader no laro kraik.

Halo kleuk

Baunilli nebe mak as liu tiha ona Aitan tenki halo kleuk tun ba rai. Ida ne’e halo para ou bele halolon ba Aitan seluk maka iha ninia sorin. Ida ne’e halo para hodi hatun baunilla nia prosesu vegetativu e halais ba fase ai-funan. Ninia fukun (ruas) nebe mak kona rai tenki taka ho rai i nia tahan iha leten to’o nia naruk 40 cm tenki tesi tiha. Ninia dikin foun nebe buras liu sei moris husi parte nebe taka h orai ne’e.


Preparação do terreno

Limpe o terreno de e revolva a terra até uma profundidade de 20 -30 cm. Desfaça os torrões sem calcar a terra de maneira a não compactar o solo.

Marque o terreno com varinhas num compasso de 2 m x 2,5 m .

As árvores auxiliares

A baunilha precisa de árvores pois é uma trepadeira. As mais vulgarmente usadas são o aifau (Hibiscus tiliaceus L. ), aidik (Brythrini sp.) e mogno (Swietenia microphyla). Podem ser usadas outras árvores de folha larga, que proporcionem sombra.

Prepare estacas de ai-fau, ai-dik, etc… com 1,5 a 1,75 cm de comprimento. Estas estacas devem ser plantadas no local definitivo um ano antes de plantar a baunilha. Faça um buraco com 40 cm de lado. Coloque a porção superficial do solo (os primeiros 15 cm) no lado esquerdo do buraco, enquanto a camada mais funda do solo é disposta no lado direito. Deixe o buraco aberto durante duas a três semanas. Depois espete no centro do buraco uma estaca da árvore e comece a encher o buraco com a terra das superfície, seguida da terra mais pobre do fundo do buraco. Deste modo as jovens raízes encontrarão alguns nutrientes para a árvore em desenvolvimento, pois a terra da superfície é mais rica em matéria orgânica.

Drenagem

Se o terreno não for inclinado, é imperativo abrir valas de drenagem, pois a baunilha exige solos bem drenados. Estas valas devem ter cerca de 30 cm x 40 cm de secção e o comprimento necessário para uma boa evacuação das águas.

Estrumação

À volta da base da árvore hospedeira espalha-se pasto cortado, composto, raminhos de árvores leguminosas e/ou estrume bem curtido, se possível de búfalo. Isto manterá o solo húmido e dará nutrientes ao solo.

As estacas de baunilha

O material deve ser obtido num viveiro ou em baunilhas saudáveis e vigorosas que ainda não tenham florido. Escolha caules saudáveis e grossos (8 a 10 mm de diâmetro) com entre-nós de 8 a 10 cm de comprimento. Corte estacas com, pelo menos, 50 cm de comprimento.

Podar a árvore hospedeira

Os ramos da árvore hospedeira, que crescem da base, devem ser podados para que a ramagem não fique muito densa e ensombre a baunilha.

O transporte das estacas para a quinta

De modo a não destruir as estacas por desidratação até chegarem aos talhões, as estacas devem ser enroladas num bambu com cerca de 8 cm de diâmetro e 2 m de comprimento. Também se podem usar folhas de bananeira grandes.

Preparação das estacas para a plantação

As estacas de baunilha consistem em segmentos de caules com 8-10 inter-nós, e com 0,8 a 1,5 m de comprimento. Estacas mais curtas podem ter 5 a 8 inter-nós e 50 a 80 cm de comprimento. As primeiras florirão ao fim de 2 anos, enquanto as segundas precisam de 3 anos para dar flor.

Aclimatação

Antes das estacas serem plantadas têm que se adaptar ao local durante 3 a 7 dias e de modo a que os cortes fiquem secos.

Plantação da baunilha

Faz-se um buraco a 10-20 cm da base da árvore hospedeira. Insere-se a estaca de baunilha com dois ou mais entre-nós no buraco e numa inclinação de 20 a 30 º. Volta-se a encher o buraco e cobre-se tudo com “mulch”. Depois encosta-se a parte superior da estaca à árvore hospedeira e ata-se em três pontos de modo a ficar bem segura. Convém regar a estaca duas vezes ao dia, de manhã cedo e ao final da tarde.

Encaminhar a planta

As baunilhas com um comprimento que excede os primeiros troncos da árvore hospedeira devem ser encaminhados para outra árvore ao pé ou encaminhados para baixo. Caso contrário a colheita torna-se muito trabalhosa. Os nós que entrem em contacto com o solo podem ser cobertos de terra e cortam-se as folhas dos primeiros 40 cm. A trepadeira enraizará de novo, e originará uma planta mais forte.


Ai fau (Hibiscus tiliaceus)

Bibliografia

Especiarias. J.E. Mendes Ferrão. Instituto de Investigação Científica Tropical. Lisboa, 1993.

Livro manual produktividade baunilli Timor-Leste. Cooperativa Café Timor. Rua Dr. Barros Gomes, 16. Bidau Lecidere, Dili, 2005.(é um belíssimo manual, muito resumido e foi a principal fonte usada para este trabalho, encontrando-se escrito em tétum, indonésio e inglês. Pode ser adquirido gratuitamente.


segunda-feira, janeiro 03, 2011

Ai-tasi ajuda ema. O mangal de Timor-Leste ajuda as pessoas.

Ai-tasi kmanek  iha Hera. Um bonito mangal junto da estrada em Hera (foto do autor).

Ai-tasi ekosistema hosi tasi-ibun Timor Leste nian. Ekosistema ne dezenvolve iha fatin besik mota ka tasi-ibun laho laloran. Iha tasi feto ami bele hetan ai-tasi iha Metinaro, Tibar no Maubara. Ni-nia ai prinsipal Rhizophora conjugata, Bruguiera spp., Sonneratia alba (parapa) no Avicennia marina.


Ai-tasi iha Hera durante tasi-nakonu. Mangal em Hera durante a mare-cheia (foto do autor).

Ekosistema ne importante no util tebetebes tanba nia fo-han ba ikan no boek no subar ikan-tolun no boek-tolun. Seluk ikan boot liu mae atu han ikan kiik, nune ema bele tiha barak ikan. Ai ne diak tebes ba sunu no tahan Avicennia marina nian diak tebes ba han balada afoin fase atu hasai masin. Ai mos diak tebes atu halo mesa ka kadeira.
Ai-tasi mos rai tasi-ibun contra erosaun, tsunami sira  no tufaun.
Ai-tasi manten tasi be moos, ta'es no satan tahu. Planta hosi ai-tasi manten barak biodiversidade. Ami bele hetan karau-tasi (Dugong dugong) no lafaek (Crocodylus porosus)  besik ai-tasi.
Epena mak ai-tasi iha Mundo lakon area ba industria boek, hotel sira, etc...Ekosistema ne'e rahuk tebetebes .
Maibe ita bele kria ai-tasi foun. Iha Djibuti (Afrika lorosa'e) ema kria ai-tasi foun ho Avicennia marina atubele tiha ikan, han balada no usa ai ba sunu. Nune, iha rai-maran hosi Djibuti eme bele moris diak liu (http://www.themanzanarproject.com/).


Ai-tasi raru iha tasi-mane (Lore). Um dos raros mangais da costa sul, na praia de Lore (foto do autor)

Avicennia marina. Balada gosta han ninia tahan.
O gado gosta das folhas da avicenia.


Mane rua iha Djibuti kuda avicenia iha viveiru. Sira usa ona fini avicenia nian, iha sacu plastiku 6 litros. Iha saku, sira hakoi sacu plastiku kiik ho fosfato diamonico no oxido de ferro. Saku ne ema halo kuak kiik ho limam-kukun atu fosfato sae ba rai .

Avicenia plantada em ruas no local definitivo

Senora haknata avicenia tahan (18% Prote. Bruta)  ba bibi no bibi-malae. Balada han tahan ho farina ikan.
Esta moça do Djibuti colhe folhas de avicenia para alimentar as cabras. Mas esta dieta nao e completa pelo que aqui se suplementa este alimento com farinha feita de restos de peixe seco.
(Fotos: www.themanzanarproject.com)





domingo, setembro 26, 2010

Karau: to'os nain belun nian

Os búfalos de Timor Leste são da sub-espécie carabanensis (Bubalus bubalis carabanensis), os chamados búfalos dos pântanos. Estes animais existem um pouco por todo o lado nos países do extremo-oriente tropical, como as Filipinas, a Indonésia e Timor Leste. O termo "carabanensis" deriva da palavra "carabau", modo como são conhecidos nas Filipinas, e é semelhante à designação em tétum, "karau". Contrariamente aos búfalos dos rios (Bubalus bubalis bubalis) que existem na India ou no Brasil, estes búfalos destinam-se sobretudo aos trabalhos dos campos. Têm também uma função social pois dão estatuto aos seus proprietários. O dote que é oferecido aos pais da noiva pela familia do rapaz (barlaque)  é também formado por búfalos. Também na religião se usam os búfalos, pois são abatidos nas cerimónias dedicadas aos antepassados. A carne ou o leite obtido destes animais é assim de pouca monta. Isto não invalida que algumas pessoas ordenhem as búfalas e consumam o seu leite, mas isto é feito de modo pontual.
São animais mais largos e atarracados do que os búfalos do rio, e os cornos atingem maiores dimensões. Apontam para trás e desenvolvem-se quase horizontalmente.
Alimentam-se das ervas que encontram, da palha do arroz e dos ramos de certas árvores.


Nas Filipinas estes animais são usados para puxar charruas e arados, com que se revolvem os arrozais. Em Timor Leste este trabalho é feito unicamente pelo pisoteio do solo. Nesta fotografia obtida em Viqueque podemos observar uma pequena manada que em círculos, vai pisando e descompactando o solo dos canteiros alagados. A palha da cultura anterior também é enterrada pelos animais, e os dejectos destes enriquecem o solo com nutrientes. O pastor, com a ajuda de uma vara, empurra os animais e canta  belas canções. Um ajudante, munido de uma enxada, vai enterrando alguma palha de  maiores dimensões, e desfazendo os maiores blocos de terra, assim como arranja os muros dos canteiros. É uma das mais belas paisagens da agricultura timorense. Em breve virão as mulheres e as crianças com os pézinhos de arroz que recolheram na cerca do viveiro, e em grupos enchem a paisagem de verde. Entretanto já os karau descansam atascados até ao pescoço numa poça de lama. E ruminam lentamente, como que à espera que o calor passe.
Alguns agricultores, poucos,  já os substituiram por moto-cultivadores. Mas de momento ainda é dificil arranjar em Timor pessoas e peças para se manterem estas máquinas.
Algumas escolas das zonas rurais, como Natarbora e Fuiloro, já têm estábulos com búfalas. Para além de aprenderem a tratar dos animais e noções básicas de zootecnia, o leite e o queijo obtidos melhoram  a alimentação dos alunos.
Apesar do aspecto arcaico, os búfalos ocupam há milénios um importante papel neste ecossistema agrícola, pois resistem melhor às doenças do que os bovinos, vivem em zonas alagadas que estes não suportariam e digerem melhor os alimentos grosseiros e fibrosos. Em Timor só falta que as pessoas tomem melhor partido deles na sua alimentação, consumindo as excelentes proteínas da sua carne e do seu leite.

sexta-feira, setembro 03, 2010

Iha ne 'e iha Alentejo ami hakoak Ita hotu iha Timor Leste...

Tanba barak hau nia aluno sira husu konaba kurtissa no ai subreiru  (Quercus suber L.), hoin  hau sei fo informassaun kona ba subericultura.
Portugal nasaun uluk iha produsão kurtissa. Ami kuda ai subreiru especialmente iha Sul Portugal, iha distrito sira Évora, Beja no Setúbal, iha provincia Alentejo. Subreiru ai mak sai boot maibe neineik tebetebes. Ami kuda ai subreiru ba ami nia bei oan sira... Kurtissa kulit ai subreiru nian.
Ai subreiru fo uluk kulit bainhira to’o tinan 20. Nia gosta rai laek nutriente no precisa klima Mediterrâniku: período bailoron ho barak manas no maran (fulan Junho-Setembru) no tempu baiudan no malirin (fulan Outubro - Maio).
Ekossistema ho ai subreiru importante tebes tanba ninia biodiversidade boot. Ekossistema ne'e naran "Montado".  Bibi malae han duut iha montado no protege ai laran hasouru ahi durante tempo bailoron.

Uluk kurtissa naran "virgem". Ai subreiru mesak fo kurtissa durante tempo bailoron iha fulan Julho no Agosto. Afoin ami la konsegue hasai kurtissa tanba la iha mitose iha células kulit nian. Durante mitose mak fo kurtissa foun ema bele hasai kulit ai subreiru nian.
 
Atu bele hasai kurtissa ami precisa machado especial. Mane mak hasai kurtissa (tiradores) tenke forte tebes atu fota ai kulit.

Afoin hasai kurtissa ami tenke lori ba trator. Ami mos pinta  ai ho algarismu tinan ne'e (0). 1 se tinan 2011.  Agora ema tenke hein tinan 9, atu hasai kurtissa foun.
Afoin hasai kurtissa ai hun kor laranja. Se mane hasai barak ai kulit ai sei mate. Atu bele protege ai ami tenke hasai kurtissa até mesak 3 m iha ai hun.
 
Agora ami lori kurtissa ba uma to'os. Iha ne'e mane mak sosa kurtissa mae atu hare. Tinan ne'e,  15 kg kurtissa selu 25 euros.
Afoin Kurtissa ba fabrika atu hatasan no halo matan ba botil tua uva. Portugal exporta sira ba Mundo hotu, especialmente França, América, Austrália no  Brasil. Rússia mos sosa kurtissa hodi Portugal hatu halo uma manas. Kurtissa hatau malirin tama uma. Ami hetan nia iha nave espacial mós.
Actualmente problema boot tanba botil tua uva hahú usa matan plástiku. Portugal halo kampanha internacional atu informa ema dia liu kona ba importancia kurtissa no ita nia ekossistema. Kurtissa produto natural no ekológico.  Se ema la sosa botil ho kurtissa hotu ekossistema "Montado" sei mate....  

 
Aihoris subreiru nian propriedade privada. Iha Timor Leste ema tenke desenvolve propriedade privada atu  to'os na'in bele kuda sira nia ai horis kapaz. 
(Todas as fotos tiradas pelo autor, no Monte do Arneirinho do Gaio de Baixo, em Sines, Baixo-Alentejo))

segunda-feira, maio 17, 2010

Enviar livros é agora mais barato

O envio de livros pelo correio para Timor Leste é agora mais barato.  O preço de um envelope de 2 Kg passou de 2,75 euros para 1,50 euros, uma descida substancial. Pode agora enviar mais economicamente os seus livros ou revistas novos ou usados (sem riscos ou rasgões). Deve no entanto referir aos funcionários dos CTT que é pela modalidade Timor Leste - livros - económico. 
Eis algumas escolas rurais para onde pode enviar os seus livros:

Escola do Reino de Venilale - Venilale - Baucau

Escola Pré-secundária de Padiae - Estação Missionária Católica - Padiae - Oekusse

Escola Profissional de Kelikai - Kelikai

Escola Primária de Abafala - Abafala - Kelikai

Escola Pré-Primária de Aileu - Profª Clarisse  Silva - Aileu


Livros para as escolas em Timor (Foto da Profª Ana Cardoso, Suai)

Também pode oferecer assinaturas de jornais ou revistas a estas escolas.

Ami tenke kuda ai-mate atu proteje ai-laran Timor nian

 To'os nain sira bele kuda ai atu fa'an ai. Iha Timor Leste ami bele hetan ai folin todan hanessan ai hosi ai kameli (Santalum álbum), ai na (Pterocarpus indicus), ai besi (Intsia bijuga), ai teka (Tectona grandis) ka mahoni (Swietenia macrophylla) . Ema bele kuda ai ne’e atu halo meza, kadeira, armariu, odamatan etc… Nune’e Timor Leste bele exporta liu no fo serbisu ba barak badain-ai sira.

Os agricultores podem cultivar árvores para venderem a madeira. Em Timor Leste podemos encontrar árvores de madeira preciosa como o sândalo, o mogno, a teca, o pau rosa ou o pau ferro. As pessoas podem cultivar estas árvores para fazerem mesas, cadeiras, armários, portas e outras peças que o país pode exportar para aumentar as receitas da economia e os empregos.


Agricultores de  Oekusse abrem regos para plantarem árvores florestais com uma charrua de discos
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)


Maibe ema iha Timor Leste kuran mós ai ba sunu atu te’in han. Iha Europa ema la uza ai-mate tamba hotu ema bele sosa fogaun ho gás ka electricidade. Iha Timor Leste governu bele fo ema hotu fogaun ho mina rai atu proteje ai laran. Bainhira populasaun haboot se la iha fogaun sira Ita sei lakon ai laran…Nune’e Ita tenke kuda mós ai ba sunu. Liurai iha Knua sira bele arranja rai fatin atu kuda ai ne’e ba ema hotu.

Mas Timor Leste também precisa de cultivar árvores de lenha para cozinha, pois a população não pára de aumentar e a floresta nacional corre grandes riscos. O governo poderia oferecer às familias fogões a petróleo, o que aliviaria bastante as pressões sobre a floresta. Mas para já é preciso aumentar rapidamente o cultivo de árvores para lenha de cozinha em cada aldeia. Junta-se uma lista de espécies especialmente adequadas para este objectivo.

Madeira à venda na estrada Dili-Baucau junto a akadirum e eucaliptos


Balu ai atu kuda ba sunu segundo Programa Agrícola Regional para o Pacífico:



Adenanthera pavonia

Alphitonia zizyphoides

Bischofia javanica

Calliandra spp.

Cassia siamea

Casuarina spp. (ai-kakeu)

Citharexylum spinosum

Eucalyptus alba (ai-bubur)

Eucalyptus urophylla (ai-ru)

Gliricidia sepium

Leucaena spp. (ai-kafé)

Mangifera indica (mangueira, has timor)

Parinari inslarum

Pometia pinata (ai-maras)

Psidium guajava (guyaba)


                         Madeira à venda na estrada para Kelikai (com o Matebiam ao fundo)

Ai kafé: uma excelente árvore para lenha


Ai bubur ou palavão: um eucalipto muito usado para lenha. A Cooperativa Café Timor em Comoro já faz a sua reprodução em massa.

Habitantes de Oekusse obtêm lenha de ai-bubur (Eucalyptus alba)
(Foto do Eng. Pedro Mesquita)


sábado, março 13, 2010

Bibi hatene hili han diak lós. Maibe la bele estraga ai laran.


Bibi ánimal diak tanba bele fo hahán ba ema, bainhira aproveita planta mak seluk animál la bele han (ai tahan, etc...). Sira bele moris ho rekursu ne'e tanba nia konsege hili tahan kiik nutritivu no kosok ho diak digestibilidade no barak proteína.


Maibe Ita tenke proteje ai kiik no to'os. Bibi gosta mos han lakeru no batar ...

Sistema diak atu hakiak bibi tenke proteje ai-laran. Bainhira ema la proteje ai-laran, bibi sei han ai kiik no halakon ekossistema. Afoin ai lakon, rai-laran sei lakon mos, tamba udan sei lori rai ba mota no ba tassi. Nane'e, bibi halakon ona hotu ekossistema iha nusa husi Pacífico no Caraíbas.

Atubele proteje rai, no to'os, no ai, Ita tenke prende bibi sira. Iha foto ne'e Ita bele hare bibi-uma ida furak, iha Missão Lopes (Dare). Hanessan, Ita bele hakiak bibi fasilmente no kontrola balada diak liu. Ihan'e to'os na'in kaer du'ut, batar kain no tahan ai-kafe nian ba bibi (sistema "zero-grazing"). Hafoin ami lori bibi tem ba kurte fatin atu halo komposto ba to'os. Bibi sira sei fo barak na'an no susuben no kulit. Bibi uma ne'e halo ona hodi au husi Timor-Leste. Nane'e Ita la lakon osan mós....

As cabras são boas utilizadoras das pastagens naturais. Mas não as podemos deixar estragar a natureza e as árvores que plantamos.
Em Timor-Leste as cabras são preciosas para as pessoas pois produzem carne e leite a partir de recursos que os outros animais não aproveitam. Isto acontece pois estes úteis animais conseguem seleccionar nos matos e na floresta as partes mais nutritivas das plantas, como as folhas mais tenras dos rebentos. Mas quando os animais pastam desordenadamente, como ocorre em muitas zonas de Timor, vão destruir os esforços de reflorestação levados a cabo pelo governo, organizações e particulares. Particularmente na estação seca, quando o alimento nutritivo escasseia, as cabras podem causar graves danos à floresta e ao meio ambiente. O sobrepastoreio daqui resultante leva à destruição do solo e à erosão, tal como contribui para a diminuição da biodiversidade. O efeito negativo do pastoreio desordenado das cabras em muitas ilhas das Caraíbas ou do Pacífico é de todos conhecido. 
Este capril em Dare é um bom exemplo de como poderemos criar caprinos em Timor de modo sustentável. É feito de material local, o bambú, e permite manter as cabras presas. Neste sistema, chamado de "zero-grazing" (pastoreio 0), os animais são alimentados com capim cortado nas redondezas, com os restos das hortas e das cozinhas, assim como com folhas de árvores forrageiras (neste caso caliandras e leucenas). Podemos também controlar melhor a sua saúde e a reprodução, ao mesmo tempo que produzimos um excelente estrume para as nossas hortas e pomares.